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Sábado, Outubro 16, 2021

Vítor Catão: “Sonhei, chorei, mas sempre acreditei que nunca ia deixar o São Pedro da Cova”

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Após três anos conturbados, o clube São Pedro da Cova começou a ver luz ao fundo do túnel para os seus problemas. Com o contrato de promessa de compra e venda na mão, a equipa prepara-se para disputar uma subida. Quanto ao futuro, Vitor Catão, levantou a cortina e revelou ao VivaCidade os investimentos projetados para o espaço, bem como o principal responsável pela queda do clube.

Depois do estádio ter sido penhorado e vendido, como é que neste momento se encontra o clube São Pedro da Cova?

Vitor Catão: Neste momento o estádio foi comprado pelo Manuel Peréz Almaraz. Quanto às finanças isso já não é connosco. Futuramente, vamos saber o que é que temos direito. O novo proprietário é Espanhol e foi quem investiu no São Pedro da Cova. O Manuel já deu ao Pires & Pires 100 mil euros e logo que a escritura seja realizada dará mais 400 mil euros. A escritura do estádio será realizada entre abril e maio. O novo proprietário deixa-nos jogar aqui durante 30 anos, com a contra-partida de pagarmos uma renda de 250 euros por mês.

Ao final de um ano, estamos a falar de um montante de 3 mil euros e ao fim de 30 anos de 90 mil euros. A pergunta que lhe faço é a seguinte: Ele comprou por 500 mil e vai receber 90 mil?

VC: O novo proprietário vai realizar vários investimentos neste espaço. Irá construir um campo sintético e juntamente connosco quer fazer um campo de Padel. Talvez queira fazer aqui uma mini hamburgueria, com uma carne própria e natural fornecida pelo próprio. Assim, é uma forma de rentabilizar este investimento. Também pretendemos chegar ao futebol feminino, queremos basicamente fazer algo de positivo para a nossa Freguesia que, neste momento, não tem nada.

Então o vosso principal objetivo nesta nova fase é dinamizar o clube?

VC: Exatamente. E, isso é um valor que dou a mim mesmo, quando as pessoas dizemquea,becandamaroubaros clubes, pois, se eu andasse a roubar os clubes não estava a investir num que está parado há mais de um ano, “Quando é preciso pagar as despesas”, sou sempre eu que o faço. Porque nós não temos dinheiro, não temos publicidades, não temos sócios, porque eles não pagam as cotas visto que não vêm os jogos de futebol. Não temos nada. O São Pedro da Cova vai disputar uma subida sem nada. E, quero dizer às pessoas que o principal responsável pela queda do São Pedro da Cova foi o José Fernando, o Vereador do Ambiente da Câmara Municipal de Gondomar. Refiro isto porque um ex diretor do clube, o Vieira, ligou-me e disse que o estádio ia ser vendido. Questionei-o de imediato  para quem? Respondeu que era um sujeito que o ia comprar por 110 mil euros. “E então vocês não falam a ninguém? Não há ninguém que queira comprar isto? Eu ajudo, eu compro e depois faço uma doação à Junta ou aos bombeiros, porque assim nunca mais ninguém vem buscar o São Pedro da Cova”. Ele na altura disse para ligar ao Carlos Alberto que é um indivíduo do PS que concorre às eleições aqui na Junta de Freguesia. Assim o fiz e o Carlos disse-me para não meter-me no assunto porque o Vereador José Fernando estava a tratar de tudo. Passado três dias o mesmo diretor ligou-me a comunicar que o estádio tinha sido vendido por 110 mil euros.

E quem são os culpados da venda do São Pedro da Cova? O José Fernando organizou reuniões em que estavam presentes ele próprio, o Carlos Alberto, o Henrique do restaurante do Laranjal e o Pires. Estas quatro pessoas foram as principais responsáveis pela venda do nosso estádio.

Eles andaram a negociar nas costas do Presidente da Câmara de Gondomar, Marco Martins. Isso é um crime! Essa pessoa devia ter levado a situação a reunião camarária e não para o estabelecimento dele em Baguim do Monte. O São Pedro da Cova foi obrigado a jogar em Valbom. O principal responsável foi o José Fernando que odeia o São Pedro da Cova porque nunca ajudou o clube, porque se ele se preocupasse com o clube fazia reuniões com a Câmara. E o Município de certeza absoluta que ia tentar arranjar uma solução.

Sendo o Vereador do Ambiente natural desta freguesia, qual era o seu interesse em prejudicar o clube, que é isso que me está a dizer, certo?

VC: Exatamente. Eles todos pensavam que iam ganhar uma média de 200 a 300 mil euros cada um, porque o José Fernando dizia ao homem que no terreno dava para fazer cerca de 600 habitações e lojas, devido à área brutal que temos. E, enquanto eles andavam nessas reuniões, eu andava nas finanças a ver o que é que podia fazer pelo clube. Aproveito para agradecer às finanças porque nestes dois anos e meio, estive aqui a lutar contra tudo e contra todos. Era sempre eu que ia falar com a responsável na tentativa de resolver a situação da melhor forma possível. E, chegamos à conclusão de que, quem destabilizou e assassinou o São Pedro da Cova foram eles.

Em algum momento tentou falar com algum deles para tentar perceber o porquê?

VC: Eu liguei ao José Fernando, entretanto depois deixamos de nos falar. Mas sim, liguei para ele duas vezes e no Whatsapp tenho coisas que ele mandava para mim que se for a mostrar é muito grave. Uma delas, estava ele em Viseu e mandou-me pelo Whatsapp uma mensagem a dizer “Vamos ver se conseguimos mudar o PDM (Plano Diretor Municipal), porque se o fizermos, todos nós ganhamos dinheiro” e eu respondi “Eu não quero ganhar dinheiro. Eu quero é recuperar o estádio do São Pedro da Cova” que nos foi dado pela Câmara Municipal de Gondomar. Isto para dizer que tudo isto foi uma jogada para alterar o PDM. Se o José Fernando e o Carlos Alberto conseguissem mudar o PDM para terreno de construção, eles iam ganhar mais de 300 mil euros. Isto porque o atual PDM tem o terreno como zona verde e zona desportiva. A minha luta pelo São Pedro da Cova e que muita gente se esquece disso, é que todos sabem que tenho dois grandes clubes, um é o Porto e o outro é o São Pedro da Cova. Nasci aqui nesta freguesia e com três anos vinha descalço ver este clube com o meu falecido pai no campo velho.

Então com o atual PDM não é possível fazer construções e era mesmo necessário a sua alteração?

Nazaré: Possibilita porque é terreno urbano, mas o PDM não autoriza que se construa. Se retirarmos uma certidão de matriz predial, tem lá cerca de 10 mil m2 de área de construção, mas é preciso que o Plano Diretor Municipal autorize. Portanto, não adianta nada as pessoas comprarem um terreno urbano e depois vêm que o PDM não autoriza construção.

VC: Mas aqui é que está a grande verdade. O Vereador José Fernando fez a guerra com o próprio Presidente da Câmara. Porque o Marco Martins veio a saber de- pois que o José Fernando andou a fazer reuniões com o Pires e dessas reuniões o Presidente não soube de nada. E, a partir daí, o Marco disse que não queria conver- sas com mais ninguém sobre o assunto e digo que ele fez muito bem. Eu não estou contra o Presidente da Câmara, porque primeiro fazem reuniões e depois de não conseguirem nada é que vão reunir com o Presidente da Câmara? Quando o Pre- sidente estava disposto a dar à pessoa 100 mil euros e a autarquia ficava com o estádio.

Chegou a ter essa conversa com o Presidente da Câmara?

VC: Cheguei a ter essa conversa com o Presidente e com a Vereadora Sandra Almeida.

E depois?

VC: Depois desta situação, telefonei para Angola, para a China, para o Brasil, estive a falar com o ex-Presidente do Aves, estive a falar com uma pessoa que investiu no Leça, falei com Leixões, isto sempre na expectativa de encontrar um comprador. Até que, chegou a um ponto que através do meu filho Miguel que faz parte de uma imobiliária, conseguimos falar com um investidor Espanhol. Mas este homem andou uns meses a ser enganado, é hoje, é amanhã… e depois o Pires dizia, eu quero 300 mil euros, chegávamos a um acordo e depois mudava de ideias e dizia que queria 400 mil euros, depois chegávamos a outro acordo e mudava novamente e pedia 500 mil euros, porquê? Porque o Pires pensou sempre que podia aparecer alguém para comprar por mais dinheiro. Nunca apareceu e nem aparece. Porque ninguém é tolo. Se eu, ou o Nazaré ou o Adriano não estivéssemos aqui, isto já estaria fechado e abandonado e em vez de relva teríamos palha. Não gostava de ir embora do São Pedro da Cova sem deixar tudo como o clube merece, porque é um clube que vai completar 100 anos de história. Esta instituição tem que ser muito respeitada e agora sim, posso falar à vontade, se este clube tivesse dinheiro, não faltavam diretores para o gerir.

Neste momento consegue calcular o valor que tem investido aqui no São Pedro da Cova a título pessoal? Espera um dia voltar a receber o dinheiro que já deu ao clube?

VC: Nada, zero. Posso falar à vontade não quero nada deste clube. O canelas deve-me 10 mil euros e eu não quero nada. O Leça deve-me 5 mil euros e eu não quero nada. O Lousada foi o único clube que me pagou tudo.

Para a realização deste negócio não era obrigatório uma Assembleia Geral em que os sócios o permitissem?

VC: Não. Há três anos e meio que o estádio já não é do clube. Neste momento, o São Pedro da Cova não tem nada, zero. Temos os apoios da Câmara e, também quero dizer uma coisa porque temos que ser sinceros, quero agradecer imenso à Câmara e à Vereadora Sandra Almeida pelo que fez a este clube. Porque o gesto dela, o gesto do Vila Meã e o gesto do Rebordosa foram fantásticos. O que ela fez foi muito importante, porque ela deixou-nos realizar em Valbom os treinos e os jogos. Com isto quero dizer que o São Pedro da Cova só tem o nome, futuramente sim, vai ter algo mais. Nós estamos aqui hoje, porque sou eu que estou aqui, por- que o Manuel confia em mim e quer que eu esteja à frente do clube.

Então o Vítor agora é o novo Presidente do clube?

VC: Para já ainda não, mas futuramente sim. O Manuel só tinha uma condição para ficar com o clube que era eu continuar aqui. Caso eu não fique no clube, ele retira-se.

Agora que o processo está a ficar terminado e o São Pedro da Cova vai ficar com o estádio, o que é que os adeptos e os associados do clube podem esperar do futuro?

VC: Primeiro, vamos disputar uma subida. Ainda hoje estive numa reunião com o Vice-Presidente da Associação de Futebol do Porto, a quem agradeço por tudo o que fizeram por nós. Só estamos no campeonato graças à ajuda desta entidade. Será difícil disputar a subida, mas vamos lá estar e vamos lutar por ela. Por minha parte, o São Pedro da Cova, pode esperar tudo do bom e do melhor. Agora, vamos ter que cumprir tudo o que o proprietário quer e em troca, o Manuel vai fazer tudo o que nós queremos para o clube. Pretendemos como previsto, fazer um campo sintético e com este investimento não nos vai faltar Camadas Jovens. Temos um contrato assinado com professores a custo zero para treinar estes jovens. Para além disso, queríamos fazer algo mais, vamos tentar construir uma casa desportiva para jogadores que não podem ir de férias e que precisam de ficar aqui a dormir. No fundo, o Manuel quer fazer um investimento no São Pedro da Cova como nunca ninguém o fez.

Neste processo todo, quer a Câmara, quer a Junta de Freguesia, sempre foram sensíveis a esta situação?

VC: Depois do José Fernando sujar o nome da Câmara e do São Pedro, eles não conseguiram fazer nada. O único apoio que nos deram e por isso estou agradecido, foi o autocarro para que nós conseguíssemos ir para o estádio de Valbom, assim como o subsídio que dá a todos os clubes. Quanto à Junta de Freguesia dá aquilo que pode, mas o Presidente é uma excelente pessoa. É uma Junta sem dinheiro, mas com um Presidente fantástico, pronto sempre a ajudar.

Acreditou que isto seria possível ou dormiu muitas vezes a pensar que isto era um sonho?

VC: Sonhei, chorei, mas sempre acreditei que nunca ia deixar o São Pedro da Cova sair daqui.

Nazaré: Isto depois de ter sido penhorado pelas finanças, a única pessoa que nunca saiu daqui foi o Vítor, porque depois das finanças ter vindo cá, toda a gente fugiu. Ele procurou a minha ajuda para resolver esta situação e eu, como amigo, aceitei o pedido. E conseguimos resolver.

VC: Com ajuda do Nazaré, conseguimos ficar com tudo o que estava aqui dentro. Eu não preciso de estar aqui, mas a minha casa é esta. Agora pergunto como é que um indivíduo destes não vai embora? Sendo que os objetivos dessas reuniões era o de retirar benefícios pessoais. Todos queriam passar por cima do Presidente. Depois disto tudo, eu acho que o Presidente da Câmara foi a pessoa com mais dignidade, porque disse “Não!”. Eles tentaram roubar o São Pedro da Cova, ponto final. E mais, o meu advogado vai escrever à Câmara a solicitar a máquina de cortar relva do clube, porque o ex-Presidente Orlando, mandou-a para a Câmara para arranjar. O Vereador ficou com uma máquina que custa 10 mil euros. Neste momento, estamos a usar a máquina que o Leixões faz o favor de nos emprestar. ■

 

> Vereador José Fernando

Sobre as acusações referidas na entrevista, o Vereador do Ambiente da Câmara Municipal de Gondomar, José Fernando, referiu o seguinte: “Não tenho nada a dizer, a não ser que tudo isso é ridículo e absurdo”.
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