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Sexta-feira, Outubro 15, 2021

O impacto da pandemia nos jovens atletas de Gondomar

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Com a pandemia as Camadas Jovens foram prejudicadas com a paragem repentina das competições e dos treinos. Muitos pensaram em desistir, mas a paixão pela modalidade que praticavam e o convívio que o desporto proporciona falou mais alto. Fomos ao encontro de alguns jovens para perceber, contado pela primeira pessoa, como decorreu este último ano atípico de pandemia nas suas respetivas modalidades.

Atletismo

> Na foto: João Magalhães e Inês Sarmento

O VivaCidade esteve à conversa com os atletas federados Inês Sarmento (Iniciada de primeiro ano), natural da freguesia de Melres e João Magalhães (Infantil de primeiro ano), natural de Fânzeres, que fazem parte da Associação Recreativa Luz e Vida Gondomarense. Para ambos, o Covid mudou a rotina habitual do dia a dia e dos treinos dos atletas. Os treinos antes da pandemia eram realizados todos os dias, no estádio de Valbom. Com a Covid-19, os jovens foram obrigados a ficar em casa, o que para os atletas tornou-se muito complicado, dado que um atleta federado é obrigado a ter um certo ritmo de treinos, por causa da sua forma física e técnica.

No mês de março do ano transato, quando Inês recebeu a notícia de que tudo ia parar, sempre pensou que esta situação iria durar no máximo duas semanas. No entanto, ao contrário do que pensava, passado um ano, a pandemia ainda persiste e as competições foram afetadas. Uma das soluções que a jovem atleta encontrou foi ter uma rotina, onde todos os dias, durante uma hora ia correr sozinha para abstrair de tudo o que estava a acontecer. “Eu nunca tinha treinado muito por aqueles lados e descobri novos caminhos. Foi interessante, mas foi interessante só na primeira semana porque depois começou a ficar desgastante. A pista que treinamos no estádio é reta, mas depois na rua começava a cansar porque tinha muitas subidas e descidas, e como pratico velocidade é mais complicado”, explica a atleta, complementando que o treinador fazia muita falta, porque: “Não conseguimos saber se estamos a fazer as coisas bem ou mal, só fazíamos mesmo por fazer”.

Na perspectiva de João, a primeira coisa que pensou foi, “Como é que ia treinar, sendo que onde moro há muitas subidas e descidas”. Para o atleta, treinar em casa não foi muito complicado: “Tinha a companhia da minha irmã que também pratica atletismo e treinávamos juntos. Os ritmos eram quase os mesmos e até que foi normal, porque tinha alguém ao meu lado a treinar. No entanto, nestes últimos tempos fui sozinho e notei a diferença. Eu acho que se fizesse todos os treinos sozinho podia até mesmo desistir, por falta de motivação.”

Para os atletas, nesta altura da pandemia, o papel do treinador foi muito importante, porque dentro das circunstâncias vividas conseguiu readaptar os treinos para que os mesmos não fossem prejudicados. Por diversas vezes, Inês e João pensaram em desistir, mas a paixão e o convívio com os colegas falou mais alto. Na perspetiva de ambos, as competições motivam os treinos. Assim, o último ano foi muito complicado.

Quanto ao futuro, os atletas têm muitas ambições. A atleta deposita as suas esperanças na toma da vacina e acredita que, aos poucos, tudo vai voltar ao normal, no que concerne à modalidade a jovem quer fazer o que gosta, da melhor forma possível: “Quero sentir que dei o melhor de mim em tudo”. Na perspetiva de João, o atleta espera voltar às provas em breve, no entanto acredita que: “Isto vai demorar para voltar ao ritmo, porque neste período que treinamos em casa, para alguns ajudou, como é o meu caso que sou meio fundista, ou seja, faço distâncias mais ao menos grandes e consegui ganhar mais resistência. Mas para a Inês que é velocista, acho que não foi tão fácil porque são distâncias mais pequenas e não precisa de tanta resistência. Mas espero que daqui a um tempo isto esteja melhor”.

Basquetebol

> Na foto: Carolina Quaresma e Rafaela Cunha

Quanto ao Basquetebol as atletas Carolina Quaresma, de Rio Tinto e Rafaela Cunha, de Fânzeres, do Club 5Basket, explicam como foi lidar com a pandemia.

Antes da pandemia os treinos eram realizados três vezes por semana. Carolina explica que, “Como jogamos em dois escalões tínhamos jogos quer de sub19, quer de seniores. Posto isto, tínhamos sempre competições ao fim de semana e às vezes também tínhamos 2 jogos por semana. Acho que, o que mudou mais foi mesmo o contacto com a equipa, porque depois com o isolamento perdemos um pouco a nossa ligação. Esse foi o mais notório”. Rafaela explica que, os treinos começaram a ser realizados online, mas não era a mesma coisa, “Estarmos a ver as nossas colegas pelo ecrã não é o mesmo que estarmos a treinar fisicamente. E também a união do balneário fez muita falta”.

As atletas explicam que os treinos que eram realizados em casa eram mais de teor físico e não técnico, porque as condições em casa não são as mesmas do que as de campo, o que acabou por desmotivar. Rafaela refere que desistir nunca passou pela cabeça, “Porque é uma coisa que gosto muito de fazer e gosto de estar com a minha equipa. Também é uma forma de nós praticarmos exercício físico, mas claro que desmotivou, porque não é a mesma coisa. Mas desistir nunca! Porque é mesmo uma coisa que nós gostamos de fazer e temos muito orgulho”. Carolina acrescenta ainda que também nunca pensou em desistir, porque “No fundo o bichinho da esperança falava mais alto. Há sempre aquela esperança de que tudo vai passar e que vamos começar outra vez as competições”.

As atletas recordam que no ano passado, quando receberam a noticia, pensavam que a situação não ia demorar muito tempo, no entanto acabou por demorar mais tempo do que o previsto e explicam que conseguiram ultrapassar bem essa fase e a equipa conseguiu manter-se unida.

O mais difícil para as atletas foi o facto das competições terem sido interrompidas a meio. Carolina explica que “Nós treinamos para alcançar um objetivo e ver esse objetivo a ser interrompido e a ficar estagnado é cortar todo um trabalho realizado durante um ano inteiro. Foi assustador, porque todos sabíamos que quando voltássemos a jogar não ia ser a mesma coisa. Depois, individualmente, eu tinha o objetivo de chegar ao estágio da seleção nacional ou mesmo distrital e não sendo possível devido ao Covid, desmotivou”.

As atletas explicam que este confinamento prejudicou o desempenho normal das jogadoras, mas aos pouco está a ser recuperado. Quanto ao futuro, Rafaela revela que: “O mais importante é continuar a treinar em equipa e evoluir. Porque nem sempre a bola entra, mas o trabalho temos de continuar a fazê-lo. Mas é claro que queremos ganhar. Individualmente pretendo continuar sempre a evoluir, nunca estagnar e os resultados vão aparecer”. Para Carolina: “Em relação à equipa, nós somos uma muito novas, então sabemos que ganhar não será assim tão fácil, mas queremos trabalhar para isso. É um objetivo para nós e esperemos que o retorno dos jogos nos ajude a correr atrás dos nossos sonhos. A nível individual no ano passado ia ter a oportunidade de fazer parte da seleção nacional. Fui chamada para um estágio da seleção e depois, com a pandemia tudo parou e não tive essa oportunidade. Agora é continuar a trabalhar e tentar chegar até onde estava no ano passado, ou até mais, para voltar a ter essa oportunidade, e espero conseguir”.

Como nota final, as atletas agradeceram o trabalho desempenhado pelos treinadores nos últimos tempos, dado que “É difícil coordenar uma equipa nestas condições e achamos que eles foram incansáveis. Para nós eles foram muito importantes para manter a equipa unida e nos manter sempre no foco”.

Natação

> Na foto: Maria Coelho e Mariana Rodrigues

Para as nadadoras do escalão Juvenil do Gondomar Cultural, Maria Coelho, natural de Rio Tinto e Mariana Rodrigues, natural de Jovim esta fase foi complicada. As amigas começaram a treinar aos quatro anos e, antes da pandemia, os treinos eram diários. Quando tudo parou em março do ano passado, as atletas já sabiam que quando voltassem aos treinos o ritmo não seria o mesmo, porque a resistência seria afetada e iria comprometer a velocidade dentro de água. Mariana explica que, estar tanto tempo sem treinar foi “Horrível e desmotivante”. Maria complementa referindo que: “O mais complicado, de certa forma, foi estar afastado dos nossos amigos. Mesmo com as video-chamadas, não era a mesma coisa. A natação fez-me muita falta”.

Semelhante às outras modalidades as competições foram interrompidas, o que para as nadadoras foi muito complicado de gerir, porque como Maria explica: “As competições incentivavam-nos a melhorar e a evoluir, muito mais do que os treinos”.

As atletas revelam que, no primeiro confinamento, “Quando começou a melhorar, nós começamo-nos a juntar-nos para treinar, é claro que com as regras de segurança, e chegamos a ir nadar para o rio. A experiência foi muito boa, porque nunca tínhamos experimentado nadar assim e gostamos muito”. Agora a volta aos treinos tem sido um desafio para as nadadoras, porque o facto de terem estado paradas afetou o seu desempenho. Quanto ao futuro Mariana diz que apenas quer voltar às competições, “Não interessa qual”. No entanto para Maria, o principal objetivo “É ir às nacionais. Eu já queria ter ido no ano passado, mas por causa disto do Covid não consegui”.

Como forma de conclusão, as nadadores deixam uma mensagem de esperança para os outros atletas: “Não desistam dos vossos sonhos, porque o essencial é acreditar em nós. Se acreditarmos, nós somos capazes. Isto vai passar, é só uma fase”.

Patinagem Artística

> Na foto: Maria Santos e Íris Lamas

Quanto à patinagem artística, tivemos à conversa com a atleta do escalão Juvenil Maria Santos, natural de Jovim e a cadete Íris Lamas, natural de Fânzeres, do Grupo Desportivo Coral de Fânzeres. Voltando atrás no tempo, as atletas tinham competições todos os meses, sendo que no Verão ainda eram mais frequentes. Com a pandemia, as rotinas mudaram. Agora, as regras praticadas são diferentes.

Maria refere que, quanto a março de 2020, “Eu não quis acreditar que ia parar, porque a patinagem é tudo para mim. Eu se falto um dia ao treino já começo a ficar mal, as pessoas dizem que é exagero da minha parte, mas na verdade é a minha paixão. Ninguém estava a espera e tivemos que nos habituar. Atendendo às circunstâncias, os treinadores não sabiam muito bem qual era a melhor forma de dar os treinos, mas conseguiram arranjar uma solução e passado duas semanas, nós tínhamos um plano de treinos para fazer em casa”.

Na perspetiva de Íris, “ O mês de março foi muito surreal. Não queria acreditar, principalmente porque a patinagem ajudou-me em muitas coisas. Diria que é uma parte muito importante da minha vida. Foi muito complicado, quando voltamos aos treinos presenciais parecia que já não sabíamos patinar depois de tanto tempo”. Quanto à volta aos treinos, Maria explica que: “Foi horrível. Por exemplo, com os saltos não senti assim tanta dificuldade, mas houve atletas que tiveram de voltar à estaca zero. Quando voltamos em junho estava um calor horrível. Então para além de termos tido de voltar ao ritmo de treinar todos os dias, por várias horas, tivemos de começar a treinar logo com o calor. Foi muito difícil, nós tínhamos de parar de várias vezes durante o treino, porque ninguém conseguia aguentar”.

Na perspetiva de Íris, “No início, a volta aos treinos foi feita com calma. Fomos praticando mais as bases, que era para voltarmos à rotina. Eu senti que reduziu um pouco a minha experiência a nível de saltos e piões, mas consegui recuperar rapidamente quando voltei à minha rotina de treinos. Foi muito complicado porque ficar aqueles meses todos em casa sem conseguir patinar foi difícil”.

Maria explica que nas primeiras semanas em casa os atletas tinham um plano de treinos e os treinadores realizaram lives no Facebook:“Nós assistíamos, mas os treinadores não conseguiam ver o que estávamos a fazer, o que era mau”. A opinião é unânime entre as atletas quanto aos treinos em casa, “É muito mais difícil e não se compara aos treinos presenciais, acompanhados pelo nosso treinador”. Ainda sobre a paragem repentina Maria explica que “Em junho do ano passado começamos logo a prepararmo-nos para a Taça de Portugal. Houve algumas atletas que ainda conseguiram ir ao Open Nacional, mas uma semana depois havia a Taça de Portugal e tudo fechou de novo. Consequentemente as provas foram todas canceladas. Quando voltou a ficar melhor, por volta de outubro, voltaram a planear o calendário, no entanto por volta de março já tínhamos provas marcadas, mas voltou a parar novamente”. Quanto ao escalão da patinadora Íris “O plano nacional já está decidido, mas não sabemos se irá decorrer, por causa da possibilidade de aumento de infetados. Então não se sabe como é que irá ser o futuro das competições”. Quanto aos objetivos futuros Maria refere o seguinte: “Espero que daqui a algum tempo estejamos mais evoluídas para competir nas provas nacionais. Mas o que eu ambiciono é ir a um mundial”.

No que diz respeito ao futuro, Íris desabafa o seguinte: “O meu objetivo é continuar a evoluir e a praticar esta paixão. Claro que ambiciono conseguir ir a um europeu ou a um mundial. Espero conseguir realizar os meus sonhos e conhecer grandes atletas.” ■

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