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Quinta-feira, Outubro 21, 2021

AMUT comemora décimo aniversário

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A Associação Mutualista de Gondomar é uma Associação com história. Fundada em 2011, comemora o seu décimo aniversário. Estivemos à conversa com o Conselho de Administração da AMUT, composto pela Presidente Ângela Pereira e os quatro vogais Sameiro Moura, Antónia Ferreira, Artur Teixeira e Rogério Santos.

Como é que nasceu a AMUT aqui em Gondomar?

A AMUT nasce no dia 14 de julho de 2011. É um dia especial, porque comemora-se a tomada da Bastilha e, isso acaba por ser interessante, porque os valores que este dia representa, acaba, de certa forma, por descrever os nossos: a liberdade, a igualdade e a fraternidade. E, como acredito que nada é por acaso, nós nascemos da transformação de uma outra Instituição. Que tinha nascido em 1963 e era apelidado por Caixa de Providência dos Funcionários da Câmara Municipal e Serviços Municipalizados. Na altura, essa organização é fundada num tempo em que não havia Segurança Social, não havia ADSE, não havia ao fim ao cabo apoios para os trabalhadores. Isto para dizer que nós, fazemos parte da história da Segurança Social de Portugal. Porque nós fomos das primeiras organizações a fazer aquilo que a Segurança Social faz. Entretanto, fruto da crise económica, a Caixa de Providência nasce por portaria e ela, por sua vez, permitia às Câmaras Municipais, criar este tipo de organizações. Ela nem era de direito privado, nem de direito público e, embora fosse gerido pelos funcionários da Câmara, ela foi criada em reunião Camarária e, até 2011, ela foi gerida assim. Nessa altura, há uma auditoria à Câmara em que diz que nós tínhamos que nos decidir, ou éramos de direito privado, ou éramos de direito público. E, por outro lado, o financiamento público foi legislado, porque não havia nenhum valor mínimo ou máximo para o apoio que a Câmara podia dar à organização. Essa portaria veio a legislar nesse nível. Então, nessa altura criamo-nos como Associação Mutualista. Porque achamos que era o que fazia mais sentido, para manter o máximo de benefícios aos associados. Assim, nascemos nessa altura, com o propósito de manter o quê? Resumidamente, nós somos um género de seguro de saúde para os trabalhadores da Câmara e as suas Famílias.

Em que áreas atuam?

O nosso foco principal é a comparticipação das despesas da saúde dos nossos associados que, neste momento, só podem ser os trabalhadores da Câmara, aposentados e os familiares, ou seja, conjugues ou os filhos até aos 18 anos, ou até aos 25 se estudarem. Atualmente, temos cerca de 2400 associados.

E o que é que distingue a AMUT de Gondomar?

A nível nacional, só existe duas Associações como a nossa, ou seja, que tem o mesmo fim. É a nossa e uma situada em São Pedro do Sul. Sendo que eles tem cerca de 50 associados. Depois, há um outro factor que nos distingue. Nós trabalhamos muito a questão da saúde, mas numa vertente de prevenção e, isso, já entra nas nossas atividades secundárias, porque também somos uma Entidade Formadora Certificada. A nível concelhio, só existe duas Associações Mutualismos. A nossa e a Associação de São Bento das Pêras, em Rio Tinto. Sendo que, a nossa, é a única que é profissionalizada, ou seja, é para profissionais específicos. Enquanto que, a de São Bento das Pêras é para qualquer pessoa que queira ser associado. Depois, nós desenvolvemos um conjunto de atividades que são abertas à comunidade e, isso, também acaba por nos diferenciar. Como já disse, o nosso foco é a saúde, sobretudo na vertente da intervenção, então todas as atividades que nós vamos desenvolvendo elas focam-se nisso. Nomeadamente, nós temos um plano de caminhadas, que neste momento está suspenso, por causa da COVID-19. Temos também uma clínica de Medicina Integrativa. Assim, temos a Medicina Geral e Familiar e, depois, tem as outras áreas -Nutrição, Psicologia e as Medicinas Alternativas, tais como, a Medicina Tradicional Chinesa, o Reiki, o shiatsu, ou o Naturopatia. Portanto, temos várias áreas e tudo integrado dentro da mesma clinica. Depois, temos uma vertente única, a nível europeu, que é uma incubadora de empreendedorismo social. Existe muitas incubadoras, mas ela é única, porque é orientada e especializada só para projetos empreendedores que melhorem a vida dos idosos ou dos adultos dependentes. Isto não existe, é mesmo único. É um projeto que foi financiado pelo POISE- Programa Operacional Inclusão Social e Emprego, pelo Programa Portugal e Inovação social, no âmbito das parcerias por impacto e que, neste momento, está a acompanhar sete projetos de empreendedorismo.

Todos os funcionários da Câmara fazem parte da AMUT?

Não é obrigatório, as pessoas associam-se voluntariamente, mas tem que pagar uma cota.

Quais são as vantagens de ser associado da AMUT?

Diria que nós nunca sabemos quando é que vamos estar doentes e a AMUT comparticipa 80% das despesas de medicamentos e 65% as outras despesas. O único que não comparticipamos são os internamentos. No que concerne à clínica, um associado da AMUT pode usufruir de uma consulta de psicologia por seis euros, outro exemplo que dou é uma consulta de Medicina Tradicional Chinesa, no mercado, chega a ser 50 euros, no entanto, para um associado fica por sete euros. Portanto, estamos a falar de valores muitos baixos. Depois, sendo uma Entidade Formadora Certificada, nós desenvolvemos um vasto leque de formações, ou gratuitas, ou com valores muitos baixos e muito inovadoras. Nós fomos a primeira entidade a fazer formação de Reiki certificado. Além disso, o nosso plano de caminhada é único.

Entrando na linha da pandemia, como é que foi para vocês esta fase?
Eu diria que houve duas fases. Na primeira fase tivemos o pânico que durou um semana. Quando digo o pânico, é no sentido “o que é que vamos fazer agora?”, porque tínhamos uma série de atividades programadas. Depois de meditar sobre o assunto, reinventam-nos, enviamos os colaboradores para casa numa fase inicial e suspendemos todas as atividades. No entanto, começamos a criar atividades novas. Foi na altura que implementamos o nosso Boletim Informativo, que ainda continua a funcionar. É o nosso AMUT partilha. Em simultâneo, criamos um projeto que se chama linhas de abraço. Um projeto com várias vertentes, entre as quais, num primeiro momento consultamos os nossos idosos e pessoas com doenças crónicas, para lhes comunicar que nós íamos fazer as compras e para eles não saírem de casa. Depois começamos a angariar voluntárias que quisessem costurar corações terapêuticos. Eram corações enormes, de 5 kg, com dois bracinhos e tinham um cheirinho de Alfazema ou Alecrim. A ideia era as pessoas que sentissem falta de um abraço, pudessem sentir esse abraço. Para além disso, as voluntárias também faziam máscaras de tecido. E, com a venda das duas coisas, a receita era revertida na compra de produtos de higiene para as famílias mais cadenciadas. Depois, fizemos uma parceria com a Cruz Vermelha Portuguesa e, praticamente de dois em dois meses, nós levávamos um stock significativo de produtos de higiene, que era algo que fazia muita falta. Neste momento são mais, mas na altura eram cerca de 600 famílias que eram acompanhadas pela Cruz Vermelha.

Na vossa perspetiva, qual foi o maior problema da pandemia?

A falta de contacto com as outras pessoas. O contacto físico e presencial fazem falta. Nós somos seres de contacto e, apesar da possibilidade do virtual, que já era muito bom, o contacto não é a mesma coisa, faz falta o contacto, o olhar, o toque. E, é por isso que de momento estamos a desenvolver um projeto que pretendemos candidatar ao Programa Portugal Inovação Social, que se chama Arte em Mente. É um projeto orientado, especialmente, para a saúde mental, em contexto familiar e que se baseia numa intervenção terapêutica, que tem como base a arte da terapia ( a música terapia, a dança terapia e os banhos de floresta, ou seja, de reconecção com a natureza). Estamos agora na fase de angariar investidores sociais.

O que é que têm planeado para o futuro?


Agora, paulatinamente estamos a retomar a atividade com todos os colaboradores. As caminhadas em princípio vão voltar. Primeiro pretendemos terminar uma peregrinação no caminho de Santiago de Compostela. Nós fazemos esta atividade todos os anos e, no ano passado foi interrompida, por causa da COVID-19. Assim, o pretendido é terminar isso em outubro e, em princípio retomamos as caminhadas em janeiro. Depois, o nosso grande projeto é a nossa nova sede, que neste momento está na fase de projetos. Ela vai nascer mesmo ao lado dos Bombeiros Voluntários de Gondomar. Se tudo correr bem, teremos a nossa sede em 2024\25.

Como é que as pessoas podem entrar em contacto com vocês?
A nossa sede está aberta, os telefones e os emails estão sempre a funcionar. O nosso site está no ativo, em simultâneo, temos uma página no YouTube, no Instagram e no Facebook. Nós estamos em todo o lado. ■

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