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Quinta-feira, Outubro 14, 2021

Há 20 anos a defender um bem comum para os gondomarenses

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Neste ano de 2021, a Policia Municipal (PM) encontra-se a comemorar duas décadas. Criada com o intuito de praticar um Policiamento de Proximidade junto aos seus Munícipes, a PM é um dos órgãos de segurança que procura manter a estabilidade na sociedade gondomarense. Estivemos à conversa com o Comandante Artur Teixeira, que nos elucidou um pouco sobre a história da instituição, conversamos igualmente com Ana Santos, agente mais nova da corporação e António Carvalho, um dos agentes com mais anos de casa.

> Comandante da PM Artur Teixeira

Segundo Artur Teixeira, esta entidade quando nasceu foi atribuída a Lisboa e ao Porto, que no caso, ainda hoje tem o seu estatuto próprio, porque nestes concelhos ela é composta por agentes da PSP. No concelho de Gondomar, à semelhança de outros municípios do país, a Policia Municipal chegou mais tarde, com a aproximação de Portugal à União Europeia.

O Comandante explica que, cada Câmara tem uma estratégia delineada para a sua Policia Municipal, algumas tem mais enfoque na área da fiscalização, enquanto outros, como é o caso do concelho de Gondomar, foram criados com o objetivo de praticar um Policiamento de Proximidade, isto é, em Gondomar é praticado “um patrulhamento no sentido preventivo, não repressivo e no sentido corretivo de alguns fatores que existem na sociedade”.

“Alinhada com a estratégia do Município vamos conseguir dar esse passo em frente de proteger o bem de todos, que é o espaço público. E isso é um passo que vai de encontro àquilo que, considero de forma genérica, um preceito constitucional que é a defesa intransigente do bem, da segurança e da tranquilidade das populações”, explica o responsável.

“Eu sempre tive a sorte de dizer que trabalho com os melhores”, admite o Comandante que já assume as rédeas desta instituição desde 2014. Para Artur, o seu papel é simples, “Eu sou um deles, eu parto da solução. Eles sabem que, se algo correr mal a responsabilidade é minha e quando corre bem o mérito é deles. E, desde que cá estou, eles são a minha segunda família. Eu trato bem e prezo os meus, por isso, quem fizer mal a eles está a fazer mal a mim. Eles sabem disso e, é por isso, que eles sabem que estou sempre lá para eles. Aqui temos e trabalharmos ombro a ombro, trabalhamos em equipa, aqui a questão da nossa conexão tem que ser muito bem ligada com um grande respeito pela individualidade, pela hierarquia, mas, em simultâneo, temos que saber trabalhar em equipa”, desabafa o responsável, que completa ainda referindo que a PM tem uma “Excelente colaboração” com as restantes forças policias do concelho, como a GNR ou a PSP.

De momento Gondomar possui 38 agentes, no entanto, em breve, entrarão para a equipa mais 14. Sobre este investimento nos novos agentes, Artur, deixa o seu agradecimento à Câmara Municipal e à Assembleia Municipal, por reconhecer a importância que a PM tem para a segurança do Município.

Sobre a Missão da PM em Gondomar, Artur deixa claro a seguinte frase: “Eu quero que a população acredite que, estamos cá para servir e ao serviço dos gondomarenses”.

> Ana Santos

Há quanto tempo é agente da Polícia Municipal? E porque escolheste esta profissão?

Em março de 2021, fez um ano. Eu licenciei-me em criminologia, ou seja, as forças policiais sempre estiveram nas minhas ideias, nos meus sonhos. A Policia Municipal surgiu porque estou no meu Município, tenho um bom conhecimento de toda a área, de todos os munícipes, torna-se mais fácil nesse sentido e a PM está ligada às forças de segurança. Para além disso, consegui aliar bem a minha parte profissional, à minha pessoal, porque estou perto de casa.

Como é que foi para si, entrar em plena pandemia?

De facto, nós iniciamos as nossas funções numa altura mais complicada. Isto porque, uma semana depois de começarmos no trabalho, foi quando começou toda a pandemia. É complicado, porque foi uma abordagem completamente diferente do que o esperado, porque todas as competências e tarefas da Policia Municipal tiveram que se adequar à realidade em que vivíamos. O nosso trabalho incidiu muito na parte das fiscalizações, ou seja, todas as competências que tínhamos, foram focadas para a pandemia. Sempre sentimos apoio em tudo o que precisávamos, nós próprios ainda nem estamos habituados a trabalhar sem a pandemia, porque ela ainda está presente. Sempre trabalhamos com esta realidade e chega até a ser estranho ver as coisas a voltar ao normal. Mas no geral foi fácil de nos habituar e adaptar à realidade que estamos.

Neste ano que estás aqui, qual é a tua perspetiva sobre a Policia Municipal?

A ideia que eu tinha antes de cá estar, era completamente diferente. Primeiramente por desconhecimento, porque eu não tinha noção de quais eram as competências da Policia Municipal, daí não ter a noção do que faziam. Estou a gostar imenso, porque vai de encontro aquilo que imaginava. Além de ser uma policia administrativa, temos muitas funções fora do escritório. Dentro do que podemos fazer, sabemos, mais ou menos, o que pode acontecer, hoje pode ser uma ocorrência de um carro abandonado, amanhã pode ser um animal na via, ou uma fiscalização, todos os dias é sempre uma situação diferente, porque os munícipes são sempre uma surpresa. Mas temos uma equipa bem preparada para lidar com as situações do quotidiano.

Neste ano que estive aqui já tive algumas situações que me marcaram. Recordo-me de algo muito básico que aconteceu e que me marcou, foi numa fase em que estávamos todos em casa confinados e, nós éramos das poucas pessoas que saíamos, o facto de fazer algo tão simples, que é ajudar uma idosa a instalar uma aplicação do WhatsApp no telemóvel para ela conseguir ligar por video-chamada à família. Foi um sentimento muito gratificante e ser Policia Municipal é isso mesmo, é estar em constante contacto com o público, nós é que damos a cara pela instituição, tanto para o positivo, como para o negativo. pessoas às vezes têm a sensação que a Policia só é utilizada para o negativo, mas não, também temos o lado mais próximo, afinal somos uma policia de proximidade.

> António Carvalho

Há quantos anos está aqui nesta casa e qual o papel que desempenhava na altura?

Estou cá desde o dia 11 de junho de 2001, ou seja, há 20 anos. Estou cá desde o primeiro dia. Quando entrei desempenhava exatamente o mesmo papel que, agora, estes 29 agentes estão a desempenhar. Era um agente de rua, era um patrulheiro. Neste momento, o meu posto é Agente Graduado. O meu papel é ser o elo de ligação entre as chefias e o pessoal operacional que está no terreno. Em caso de ausência do Comandante ou o Coordenador, sou eu que os substitui-o e realizo ainda a gestão do pessoal no meu turno de serviço.

Nestes 20 anos muita coisa mudou?

Comparado com os dias de hoje, era diferente. No ano de 2001, as Policias Municipais eram uma instituição muito nova e as pessoas ainda não reconheciam o papel que tínhamos, nem a nossa autoridade, havia uma desconfiança e tínhamos ainda uma farda cinzenta, ou seja, ela não era tão chamativa como as que temos hoje.

No entanto, desde o início que o nosso intuito foi sempre colaborar com as forças de segurança, fazer com que as pessoas conseguissem viver melhor em sociedade. Recordo-me que, antes, para passarmos Gondomar, tínhamos que esperar 20 a 30 minutos em filas de trânsito, porque aqui reinava o poder dos mais fortes e quando nós surgimos isso deixou de acontecer. Foi um caminho longo e difícil, mas com o tempo as pessoas perceberam que nós estamos cá para ajudá-las e conquistamos a confiança das pessoas e, hoje, as pessoas procuram-nos por todos os motivos e com muita regularidade. Feita uma análise geral dos últimos 20 anos, há coisas que não se descreve, há coisas que se sentem. E, nesta casa já passou por cada um de nós muita coisa pela cabeça, mas nós acreditamos na causa, estamos confiantes, quando passamos momentos mais complicados, desacreditamos um pouco, mas isso também é porque nós não somos máquinas, somos pessoas. Mas rapidamente esses momentos são ultrapassados . Aqui, há muita união, porque é ela que faz a força, temos que confiar uns nos outros e isso é o que faz com que nós acreditemos que estamos no bom caminho. Cada vez mais acreditamos no futuro desta instituição, principalmente, com este novo reforço que vamos receber de 14 agentes.

Dos seus 20 anos de carreira, qual foi o momento mais marcante para si?

Dos momentos mais difíceis que tive até hoje, tirando a pandemia, porque no meu entender foi difícil para toda a gente, recordo-me que, em 2012, houve uma serie de incêndios aqui em Gondomar. O concelho esteve a arder durante quatro ou cinco dias. Tivemos que evacuar muitos sítios, foram muitas horas seguidas de trabalho, muitas horas a inalar fumo, foram poucas as horas de descanso, enfim, foi provavelmente das situações que mais me marcou na minha carreira. Tirando como é obvio esta fase do COVID-19, porque foi outra situação que nos marcou muito, tanto a nível profissional, como a nível pessoal. Porque nós abdicamos da nossa família, em prol da sociedade.

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