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Quinta-feira, Outubro 14, 2021

Uma arte ancestral que representa a história de um concelho D’Ouro- Gondomar

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Tendo em conta a sua ligação com o ouro desde a época dos romanos, Gondomar assume o papel e a responsabilidade de ser, atualmente, a Capital da Ourivesaria Portuguesa, sendo que, desde sempre foi reconhecido como o território mãe da concessão da Filigrana Portuguesa. Um concelho de Ouro, com história e com pessoas que fazem desta arte o ex-libris deste Município. Este método ancestral, ganha agora um Museu na Casa Branca de Gramido, com peças ímpares, que representam o trabalho, o talento e a dedicação dos nossos Filigraneiros.

Uma técnica ancestral artesanal que estabelece uma relação entre o Homem, a sua Oficina e o Ouro. A génese da produção desta arte, remonta-nos à exploração mineira do ouro, nas serras de Pias e Banjas, por parte dos romanos. No entanto, foi com a entrada na segunda metade do século XVIII, que Gondomar começa a dar os primeiros passos para afirmar-se como um dos berços mais importantes e prolíferos da Ourivesaria Portuguesa.

De geração em geração, o talento e o cuidado pela confecção desta arte manteve-se inalterável. A sua produção é realizada minuciosamente pelas mãos e os olhos atentos dos nossos filigraneiros, que criam estas peças ímpares nas suas oficinas de pequena escala e de cariz familiar. Uma técnica que entrelaça delicadamente dois fios de ouro ou prata, usualmente muito finos, que são depois aplicados a molduras com várias formas, preenchendo-as com um rendilhado delicado, e que origina uma das estrelas mais famosas que representa o nosso Município além fronteiras, o coração de Filigrana. Da fundição à peça final vai um longo caminho, um processo lento, mas recompensador, que tem conquistado a admiração nacional e internacional.

Esta herança é um dos ex-libris do nosso município, prova disso, é o facto das oito maiores empresas portuguesas de joalharia e ourivesaria, cinco são gondomarenses, sendo que a Ourivesaria em Gondomar regista cerca de 60% da produção nacional.

No entanto, hoje, começa a ser cada vez mais escasso, a quantidade de mestres Filigraneiros que mantém esta tradição admirável. Assim sendo, com o intuito de proteger esta arte, o Município de Gondomar, decidiu criar um Museu da Filigrana em Gondomar e formalizar uma candidatura para tornar este ex-libris, Património Imaterial da Humanidade.

Museu de Filigrana

Sandra Almeida, Vereadora do Turismo, levantou o pano do projeto desenvolvido para a Casa Branca de Gramido, local escolhido para acolher este Museu que pretende imortalizar a história desta arte e potencializar o Turismo em Gondomar. “Este Museu tem o intuito de proteger os nossos filigraneiros e de ser um símbolo de orgulho e reconhecimento da nossa história, porque estamos a falar de seis décadas”, refere a responsável.

Para o executivo camarário, este museu simboliza o “Passar o testemunho” às próximas gerações e a todos que se interessam pela história das tradições do nosso país e em especifico, da Filigrana de Gondomar. “Agora os gondomarenses e as pessoas que visitarem o nosso Município poderão aprofundar o seu conhecimento sobre esta arte na Casa Branca de Gramido, que agora será o ‘Welcome Center’ da Rota da Filigrana”.

A responsável pelo Turismo explica que, “Gondomar é o maior produtor de filigrana, sendo que o segundo Município em Portugal que produz é Póvoa de Lanhoso. Assim, como é uma arte artesanal tradicional histórica e singular, faz todo o sentido preservar a sua identidade e uma das formas que encontramos foi, para além da nossa candidatura no final do ano de 2020, à UNESCO, criar este Museu”.

Este novo projeto de criação de um Museu, resulta de um conjunto de sinergias que o executivo tem adotado com o intuito de proteger o legado da Filigrana gondomarense. Assim passaremos a elencar todas as medidas que foram tomadas com o propósito de imortalizar esta arte: A certificação da Filigrana; a criação da Rota da Filigrana, que consiste na visita às pequenas oficinas dos nossos artesões, onde podemos visualizar e presenciar todo o processo realizado para a confessão destas peças; a candidatura desta arte a Património Imaterial da Humanidade- UNESCO; e, agora, a criação do Museu da Filigrana que contem toda a sua história.

Sobre o assunto, a Vereadora refere ainda algumas particularidades deste projeto. Agora, com a abertura deste novo espaço, será possível adquirir peças de Filigrana certificadas, isto é, “A cada produtor certificado é atribuído um punção e etiquetas para colocação em cada peça certificada, comprovando perante o consumidor que se trata de uma peça ímpar, produzida de forma artesanal”, Sandra sublinha ainda que a certificação desta arte permitiu “Reforçar” a importância da Filigrana em Gondomar, bem como protegê-la da comparação com a Filigrana Industrial, “De facto, estamos a tentar proteger a Filigrana Artesanal, da Filigrana Industrial”. Este museu irá ainda contemplar peças únicas e diferenciadas de ourives e filigraneiros de Gondomar, que foram adquiridas pelo Município e que agora serão o espólio deste Museu.

“O atraso para a abertura do mesmo foi consequência da pandemia que se fez sentir e que atrasou muitas das alterações que tivemos de efetuar no Museu, no entanto, entendemos que muito brevemente será possível abrir ao público”, a mesma explica ainda que a entrada é gratuita a toda a população e que o espaço estará em funcionamento todos os dias no horário habitual. Sendo que, não é necessário marcação prévia para a sua visita, nem um número mínimo de pessoas, ao contrário no que sucede com a Rota da Filigrana.

Sandra Almeida deixa ainda uma mensagem a todos os curiosos: “Para quem não conhece a filigrana é obrigatório a visita a este novo espaço. Ficam desde já convidados a visitar o futuro Museu Municipal da Filigrana de Gondomar, porque de facto não é possível conhecer esta arte, sem passar por este Museu ou sem visitar a Rota da Filigrana. Porque só com a experiência de participar no processo produtivo da filigrana é que se dá o verdadeiro valor a esta arte. De outra forma não é possível dar o mesmo reconhecimento.” 

 

António Cardoso- Empresa AC Filigranas

Com este museu sinto que a minha arte está salvaguardada, porque contribui muito para a abertura e construção do mesmo, só peca por tardio. Eu sempre lutei por um Museu aqui em Gondomar, digno, que representasse a nossa Filigrana. Lá irão estar presentes várias peças minhas, muitas antigas até que, ofereci à Câmara. Sinto-me muito orgulhoso por fazer parte deste espólio. Estarei sempre dispo- nível para dar o meu contributo na preservação da filigrana na nossa história para as futuras gerações. É um gosto!

Arlindo Moura- Empresa Arlindo Moura Jewellery/Só Ouro

Na minha perspetiva, considero que este Museu é importantíssimo para perpetuar a nossa arte e a história da nossa gente. É necessário haver medidas como estas para que a nossa arte imortalize. Este museu é importante porque, normalmente as oficinas de ourives, até por uma questão de segurança são muito fechadas, não são de acesso ao público e o Museu vai ser fundamental para dar a conhecer a nossa arte a quem quiser conhecer a Filigrana e permitirá dignificar o nosso trabalho. Estou satisfeito e considero um projeto fundamental para o nosso concelho. Este Museu esta a ser reinventado e ao ser renovado está a dignificar a nossa arte. Isto é um orgulho para todos os gondomarenses, principalmente porque a Filigrana já ultrapassou as fronteiras gondomarenses e é reconhecida internacionalmente.

Curiosidades: Filigrana Portuguesa

● A Filigrana de Gondomar já conquistou o coração das celebridades internacionais. Recorde-se que em 2014, a atriz Sharon Stone foi fotografada a passear numa rua de Beverly Hills, nos EUA, a usar um coração de filigrana, proveniente da oficina do casal António e Rosa Cardoso.

● Ainda no Mundo dos Famosos, no entanto no nosso país vizinho -Espanha- Úrsula Córbero, atriz que ficou internacionalmente reconhecida pelo papel de Tóquio, na série da Netflix, Casa de Papel, recebeu uma homenagem da produção -Um coração de ouro, feito de Filigrana.

● Dado a importância deste setor e a necessidade de manter este legado, a continuidade de produção desta arte é assegurada pelo Centro de Formação Profissional da Indústria da Ourivesaria e Relojoaria (CINDOR), escola que aposta na formação e qualificação dos futuros ourives. Fundada em 1984, a CINDOR é o único centro de formação profissional do País, especificamente direcionado para o setor da ourivesaria.

● Recorde-se que, a maior e mais pesada peça de filigrana do mundo foi apresentada em Rio Tinto, em 2018, no decorrer da gala final do concurso Miss Portuguesa. A iniciativa da Câmara Municipal, contou com a participação de 12 artesãos – Alberto Moura de Oliveira & Filho, Lda.; António Oliveira Cardoso; Classic Silver Unipessoal; Conceição Neves-Filigree & Jewwelery; F. Ribeiro, Lda.; Flamingo; Goris, Indústria e Comércio de Ourivesaria, Lda.; Gradiz Unipessoal, Lda.; J. Monteiro de Sousa & Filhos, Lda.; José Alberto Castro Sousa; Só Ouro-Artigos de Ourivesaria, Lda.; e Topázio-Ferreira Marques & Irmão, SA –, sob coordenação técnica de Paulo Martinho, do CINDOR). No total, foram milhares de horas de trabalho, a partir de 13kg de prata, para um projeto com 120 centímetros de altura.

● A 12 de julho de 2018, foi realizado a certificação da Filigrana.

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