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Quinta-feira, Dezembro 1, 2022

Gondomarenses solidários com povo Ucraniano

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A tensão entre a Ucrânia e a Russia tem originado consequências graves para a população ucraniana. Perante a situação, a comunidade internacional sensibilizou-se com os civis que têm perdido tudo o que construíram nestes ataques. 

Portugal e em concreto Gondomar, não ficou indiferente ao apelo realizado. Já foram muitos os cidadãos gondomarenses, bem como entidades que demonstraram que juntos, somos mais fortes e não têm poupado esforços na hora de colocar as mãos à obra.

Fomos até Rio Tinto. No local, à chegada podíamos presenciar o som do empacotar as caixas, das sacolas e das vozes daqueles que, sensibilizados pela situação, davam uma palavra solidária aos envolvidos na recolha dos bens essenciais.

Eram tantas as doações que não havia mãos a medir, e mesmo com o local repleto de caixas e sacos, enquanto a nossa equipa esteve no local, não paravam de chegar pessoas com bens destinados à fronteira entre a Polónia e a Ucrânia.

Nataliya Khmil

Nataliya Khmil é responsável pela Associação Amizade – Associação de imigrantes de Gondomar. Ucraniana, é Portugal que tem vivido os últimos anos. Emocionada, Nataliya falou-nos com a dor na voz de quem vê o seu povo a sofrer. 

Apesar de estar a quilómetros de distância da sua terra mãe, refere que, perante a situação de guerra, não conseguia ficar de braços cruzados enquanto observava o sofrimento que os seus amigos, familiares e compatriotas estão a passar. 

Em colaboração com a Junta de Freguesia de Rio Tinto, reuniu esforços e no dia 26 de fevereiro, sábado, colocaram mãos à obra nesta recolha. Logo no sábado à noite, as doações começaram a chegar, mas intensificaram-se durante todo o dia de domingo, segunda e terça. 

Nesse sentido, refere em primeiro lugar que antes de falar ao nosso jornal, faz questão de endereçar um agradecimento aos portugueses que têm vindo a demonstrar “a sua solidariedade” para com os seus irmãos.

Como a associação que preside, existe desde 2004, a rede de contactos que possuem é grande. Tanto que, a própria Universidade do Porto, encontra-se a colaborar nesta recolha: “Todos entram em contacto connosco e divulgam o que nós fazemos”.

Sobre as pessoas que se disponibilizaram para estar ao seu lado nesta recolha, explica que não tem números exatos, porque “Disponibilizaram-se muitos portugueses, a própria Junta de Rio Tinto disponibilizou-se com carrinhas e tudo o que foi necessário, porque não é possível trabalharmos sozinhos. Não consigo contar as pessoas, não tenho possibilidade para fazer essa contagem, mas são centenas”.

Questionada sobre o destino destes bens, Nataliya explica-nos todo o processo. O transporte realizado é em colaboração com uma Rede Internacional de Voluntários que trabalham na fronteira entre a Ucrânia e a Polónia. Após os produtos estarem devidamente identificados e empacotados, são carregados para um camião que segue com o destino para estes voluntários. 

Ao nosso jornal, conta-nos que a primeira carrinha que saiu de Portugal chegou em boas condições à fronteira: “Sobre o transporte, já temos o resultado de que o primeiro carregamento chegou em boas condições à fronteira. Todos os voluntários já estavam à espera para o descarregar”.

“Sobre o transporte já temos o resultado de que o primeiro carregamento chegou em boas condições à fronteira onde, através desta Rede, os voluntários já estavam à espera para o descarregar”

A responsável adianta ainda que, na terça feira, dia 1 de março, saiu mais um carregamento, desta vez de 28 toneladas, “Estamos novamente com esta rede de voluntários e hoje (quarta feira, dia 2 de março), vai sair um camião mais pequeno de nove toneladas, onde também vamos colaborar com esta equipa”.

Neste momento, Nataliya apela à doação de mais enlatados, medicamentos, kits de primeiros socorros e material de campismo, tais como sacos de cama, mantas térmicas e roupa térmica. 

Perante toda a situação a sua mensagem é curta. Emocionada, apela à paz no mundo. “Quero que a minha terra fique livre e independente”. E, é com dor na voz que confessa a sua maior preocupação: “Preocupo-me muito com as nossas crianças que agora estão envolvidas e que vão ficar como testemunhas desta guerra. Espero que fiquem bem depois desta situação. Sei que nunca a vão esquecer. É uma tristeza. Uma imagem para toda a vida, uma imagem terrível. Isto preocupa-me, porque estas crianças vão-se lembrar para o resto das suas vidas deste terror”.

“Espero que fiquem bem depois desta situação. Sei que nunca a vão esquecer. É uma tristeza. Uma imagem para toda a vida, uma imagem terrível. Isto preocupa-me, porque estas crianças vão-se lembrar para o resto das suas vidas deste terror”

Mais para sul, fomos até ao Alto Concelho, mais concretamente à União de Freguesias de Melres e Medas que, já no início da semana tinham colocado mãos à obra na recolha de bens essenciais. 

À conversa com a nossa equipa, esteve o Presidente de Melres e Medas, José Paiva, que nos explicou como tudo começou. A recolha está a ser realizada com o destino final, o Seminário Redentorista Cristo Rei, situado no concelho de Vila Nova de Gaia e a proposta chegou através de um residente de Melres. 

Para o Presidente, após ter recebido o telefonema, prestou todo o seu apoio à causa e começou de imediato a publicitar a recolha. “Criamos nas duas Juntas, pontos de recolha e houve muitos voluntários que se disponibilizaram para as realizar, assim como instituições e empresas”, explica.

“A adesão foi grande. Mas já estávamos à espera, porque sabemos que nós somos assim, somos um povo muito solidário e, portanto esperávamos que de facto tivéssemos muita adesão. A ajuda não foi apenas de alimentos ou bens, tivemos pessoas que até nos ofereceram colaboração com transportes. Em Medas, tivemos uma pessoa que se disponibilizou de ir porta a porta realizar esta recolha”, o Presidente refere que, todas as providências foram tomadas para ajudar nesta causa e é nessa linha que explica que, caso seja necessário, a Junta vai à casa das pessoas buscar doações: “Para nós é agradável saber que as pessoas estão envolvidas neste processo”.

O Autarca refere que, em ambas as freguesias verificaram que as doações que chegam é mais direcionado para as crianças, quer em roupa, como em medicamentos ou fraldas: “Temos notado que essa parte tem sido a que mais sensibiliza as pessoas, porque são os bens que mais temos recebido”.

José Paiva, diz que todo o carregamento será levado durante o dia de sábado para o Seminário, mas garante que a recolha continuará a ser realizada, no entanto, desta vez, será entregue à Câmara Municipal, que também iniciou uma iniciativa de recolha por todas as juntas de freguesias do concelho, em parceria com a Associação Amizade – Associação de imigrantes de Gondomar.

“Elas precisam de muito apoio e de tudo o que possamos fazer, e mesmo assim, será muito pouco em comparação ao que eles estão a passar”

Sobre a situação o Presidente afirma que não há como ficar indiferente a esta causa: “Basta vermos as imagens que todos os dias passam na televisão. Por muito que façamos, não conseguiremos fazer tudo o que aquelas pessoas precisam. E de facto, elas precisam de muito apoio e de tudo o que possamos fazer, e mesmo assim, será muito pouco em comparação ao que eles estão a passar”. 

Em baixo, disponibilizámos três álbuns, com registos fotográficos da recolha destes bens. 

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