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Terça-feira, Setembro 27, 2022

Pacote de ajudas: Prova de intuição ou esperteza?

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1 – O pacote de ajuda às famílias contra a caristia de vida que o Governo aprovou e anunciou no último conselho de ministros foi um exercício político que veio uma vez mais espicaçar comentadores e analistas sobre a forma de fazer política de António Costa. Para uns, o Primeiro-Ministro levou ao extremo a sua natural habilidade ou intituição política. Para outros mostrou como nunca a sua esperteza ou dotes de malabarista.

Seja como for, e para quem segue a máxima das ciências da comunicação segundo a qual o “valor das notícias mede-se pelos seus efeitos”, está ainda por demonstrar se António Costa ganhou ou perdeu credibilidade com a gestão deste programa. Até porque em política uma determinada ação pode num primeiro tempo ter resultados positivos, e noutro negativos. É cedo, portanto, para saber quais os efeitos políticos destas medidas. 

2 – De tudo o que foi anunciado, a matéria mais sensível é a questão das pensões de reforma. Porque se numa primeira fase o meio mês pago a partir de outubro pareceu uma verdadeira dádiva, poucas horas depois a medida gerou uma enorme controvércia pelos seus efeitos nas pensões de 2023 e anos seguintes. Porque os aumentos do próximo ano foram fixados em baixa, e, pior ainda, induzem negativamente as atualizações dos anos seguintes.

No meio do incêndio mediático que o truque de números que a medida gerou, António Costa colocou no terreno os seus sapadores, sacando do poiol o papão da falência da segurança social, e abrindo caminho a uma alteração da lei das atualizações anuais, em nome da sustentabilidade do sistema. Mais uma vez Costa demonstrou que sabe como ninguém combinar os ingredientes das receitas da gestão de medos. E aí ele ganha sempre.  

3 – Neste quadro, fica por demonstrar se as denúncias das oposições e a pimenta dos críticos e comentadores conseguem ferir politicamente a credibilidade do governo socialista. Para já, Costa tentou congelar o debate para daqui a um ano, quando forem debatidas as atualizações das reformas para 2024. Porque sabemos bem que a maioria esmagadora dos nossos pensionistas, infelizmente, só pode viver um dia de cada vez…

Independentemente do que vier a acontecer, a única certeza que todos temos é que o nosso futuro próximo não pode ser mais incerto. E a incerteza é a mãe de todas as angústias. De uma forma ou de outra estamos confrontados com uma enorme perda do poder de compra, seja nas pensões ou nos salários. A inflação senta-se à mesa connosco, sem pedir licença e sem cerimónias. Por longos meses, a vida de todos nós vai ser muito dura e exigente.  

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