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Quinta-feira, Dezembro 1, 2022

“O meu maior sonho é chegar aos Jogos Olímpicos”

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A canoagem é uma modalidade que tem vindo a conquistar os jovens gondomarenses. A cada dia que passa são muitos os que procuram o rio Douro e a sua beleza para a prática desportiva. Hoje, Gondomar conta com vários campeões que sairam destas margens, exemplo disso é Martim Azevedo, que com 18 anos já é uma potencial promessa do futuro do desporto Português.

Natural de Melres, recentemente subiu ao pódio no Campeonato do Mundo que decorreu na Hungria, na prova C2. Mas, na sua carreira já conquistou diversas vezes o titulo de Campeão Nacional. Agora, ambiciona o topo, dos topos, os Jogos Olímpicos.

Como é que começou esta paixão pela modalidade? Sempre estiveste ligado ao desporto?

Eu estava no 6º ano quando a canoagem entrou na minha vida. Nas férias de verão estava em casa sem fazer nada e muitas vezes ficava a ver televisão ou a jogar. Certo dia, o meu pai decidiu falar com alguns conhecidos e propôs-me experimentar treinar a modalidade. Foi nesse momento que tudo começou.

Apesar de ter sido uma decisão dos teus pais no início, porque é que decidiste continuar?

Uma das vantagens da canoagem é que no verão como está muito calor, é ideal para estar no rio, na água e treinar. Decidi continuar porque depois começaram a entrar muitos amigos e comecei a ganhar o gosto pela canoagem e não consegui parar. Comecei a treinar com 12\13 anos e hoje, tenho 18 anos, por isso, posso dizer que já lá vão alguns anos de treino. Atualmente, faço provas de velocidade, que podem ir até aos 1000 metros.

Sempre treinaste no mesmo clube?

Comecei a treinar em Melres, na Liga-Dura e agora, represento o Clube Náutico de Marecos, que está situado em Jovim. Diria que, o meu primeiro treinador fazia um ótimo trabalho, tanto que, quando ele foi para o Náutico, eu fui com ele.

Trabalho esse que foi bom tendo em conta o que já alcançaste…

Sim, é verdade, é verdade…

O que é que sentiste quando recebeste o comunicado da Federação, onde referia que ias representar o teu país, o que é que passou pela tua cabeça, já estavas à espera?

Eu diria que o comunicado que mais impacto teve foi o primeiro, quando fui chamado para fazer estágio. Foi uma alegria enorme tanto para mim, como para o meu treinador. Depois, quando fui para o novo clube, tinha mais treinadores e pessoas que gostavam muito de mim e por isso, foi uma grande alegria para todos.

Este foi o teu primeiro Campeonato do Mundo?

O meu primeiro Campeonato do Mundo, foi no ano passado, que aconteceu aqui em Portugal. E, ainda no ano transato cheguei a participar no Campeonato da Europa, que aconteceu na Polónia e este ano, tive ainda outro Campeonato Europeu na Sérvia. E, agora, tive o Campeonato do Mundo na Hungria.

Foi esse que te marcou mais?

Sim, sem dúvida nenhuma, porque consegui ganhar uma medalha, para não falar que o ambiente vivido lá é diferente. Na Hungria é incrível, as pessoas gostam muita da canoagem e vibram muito. Inclusivamente, tivemos muitos portugueses a assistir.

Esperavas trazer esta medalha para Portugal?

Sim. A minha parceira é uma excelente atleta e posso dizer que tínhamos uma embarcação forte. Sabia que, se não conseguíssemos uma medalha, iríamos estar perto de a conquistar, porque os treinos estavam a correr muito bem.

Já que tocaste no ponto dos treinos, como é a tua rotina de um atleta de alta competição?

Treinamos muito. Fazemos mais de três treinos por dia. Claro que, a nossa rotina depende muito da altura do ano, como ainda estudo, tenho que treinar antes de ir para a escola, depois das aulas tenho que treinar e ainda temos que complementar os nossos treinos aquáticos, com os treinos de ginásio, de natação e corrida. Não é só canoagem. Hoje, passo a maior parte do tempo a treinar em Montemor, no Centro de Estágio de alto rendimento, da Federação.

É importante percebermos isso, porque apesar de praticarem canoagem, vocês tem outros treinos complementares, que são igualmente importantes…

Sim, porque a canoagem exige muito dos nossos músculos. Apesar do treino na água ser muito importante, para conhecer as técnicas, o ginásio é igualmente essencial, para que consigamos compensar todos os músculos do corpo. A corrida e a natação são essenciais para ganharmos resistência. Depois temos que ter alguns cuidados com a alimentação, mas não ando em dietas especificas.

Sou sincero, estava até mais nervoso por subir ao pódio do que fazer a prova em si

Voltando um pouco atrás, como é que foi para ti, estar num pódio de um Campeonato do Mundo?

Foi um momento muito bonito. Sou sincero, estava até mais nervoso por subir ao pódio do que fazer a prova em si. Para mim, a magia do momento esteve, quando os portugueses bateram palmas e gritavam por nós… Quando subi, a minha única vontade era de agradecer a todas as pessoas que me ajudaram a chegar onde cheguei… os meus treinadores, os meus familiares e como é óbvio, os meus pais. Diria que eles são o meu pilar, porque apesar de por vezes ficarem apreensivos, sempre me deixaram seguir o meu sonho. E, para mim, isso é importante. Assim como a minha parceira, porque não teria conseguido sem ela. Também tenho de agradecer ao Clube de Náutico de Marecos e aos meus treinadores, o Hugo Rocha e o Ramiro Moreira, bem como o Jaroslav Radon.

Gostas de sentir essa vibração?

Muito. Gosto de sentir o apoio, de sentir que as pessoas estão a gostar de ver aquele espetáculo.

Consideras que há esse apoio no nosso país?

De certa forma há. Mas não é a mesma coisa, é diferente. Aqui em Melres, é organizado o Campeonato de Fundo e nota-se que as pessoas gostavam de ver as provas. Também temos em Montemor o Campeonato Nacional de Pista, onde as pessoas também vão ver, mas não é igual como as outras modalidades. Eu sinto isso. Claro que, se compararmos com o futebol, diria que é impossível comparar, porque é a loucura total, mas modalidades mais parecidos, têm mais visibilidade. Eu sinto que, se tivéssemos mais público a assistir, evoluíamos mais e era muito melhor…

E isso leva-nos a outra questão, que é o futuro. Como é que vês o teu futuro na modalidade, pretendes continuar a treinar?

Claro que pretendo continuar a estudar e tenho vontade de ingressar na Faculdade. Mas treinar, neste momento, é o que me faz sentir vivo, por isso, enquanto conseguir, continuarei aqui.

Tens algum ídolo dentro ou fora da modalidade?

Tenho vários. Posso dar exemplos dentro e fora da modalidade. Em Portugal, dentro da modalidade, como é óbvio temos o Pimenta, mas na minha vertente, tenho exemplos de atletas de outros países, como o Sebastian Brendel, Isaquias Queiroz, Martin Fuksa. Mesmo o meu próprio treinador, o Jaroslav Radon, tinha uma técnica perfeita. Depois, fora da canoagem, tenho como referência o Ronaldo, admiro a ambição que ele tem e a sua ética de trabalho.

Consideras que o trabalho é a chave do sucesso, ou o talento é o mais importante?

O talento influência, mas o trabalho é muito mais importante. Principalmente o mental. Há muitas pessoas que têm talento, mas se não tem uma mentalidade preparada, nem disciplina, ficam pelo caminho.

O que dirias ao Martim de seis anos, quando começou na modalidade?

Se calhar dizia para treinar mais um pouco (risos). Porque no início levava tudo mais na brincadeira, mas também não sei, porque a brincadeira é igualmente importante.

Alguma vez, imaginaste que chegarias a onde estas hoje?

Acho que não. O Martim de seis anos pensava que ia só dar uns mergulhos e depois no inverno ficar em casa, no quentinho.

Qual é o teu maior sonho?

O meu maior sonho é chegar aos Jogos Olímpicos e um dia, quem sabe, conseguir colocar a bandeira de Portugal, no primeiro lugar do pódio. ■

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