30 anos de Elevação a Vila de Fânzeres e de São Pedro da Cova

De modo a assinalar a simbólica data dos 30 anos de Elevação a Vila de Fânzeres e de São Pedro da Cova, o VivaCidade fez uma viagem no tempo e através dos testemunhos de quase todos os ex-presidentes, do atual presidente e do presidente do município ficou a conhecer ainda melhor os pontos históricos mais marcantes tanto de Fânzeres, como de São Pedro da Cova.

Constantino Loureiro:

 

 

 

 

 

“Estou a imaginar que agregação de Fânzeres e São Pedro termine em 30 dias”

(Presidente da Junta de Freguesia de São Pedro da Cova entre 1986 e 1997)

Em meados de 86, quando chega à Junta de São Pedro da Cova, como é que encontra a Junta?

Eramos um grupo, uma equipa em que trabalhávamos todos em comum. Cada um assumia a sua responsabilidade e de qualquer das maneiras havia um conjunto de pessoas que se dedicavam ao seu trabalho e não tínhamos problemas. Aliás, quero dizer que, na Junta que iniciamos nós fizemos imensas obras como trabalho voluntário. Nomeadamente, naquelas escadarias da Serra da Bela Vista, do ribeiro de Vila Verde para cima para a Serra, nós fizemos aquela escadaria tudo em betão armado e tudo em trabalho voluntário. Nós do executivo eramos os voluntários, o executivo e amigos da população, não havia funcionários praticamente.

Encontrou a Junta em bom estado financeiramente?

No mandato de 1986, que eu fazia parte em que eu era secretário e assumi a presidência, a situação era estável.

E em termos de carência principal da freguesia, quando chega qual foi a primeira medida que tomou em termos de dizer assim: “Esta Junta precisa obrigatoriamente desta obra ou desta medida?”

Nós tínhamos muitas carências. Os arruamentos que nós precisávamos, que nós necessitávamos, os arruamentos eram em terra batida. Praticamente não haviam estradas à exceção da estrada nacional. Não havia água ao domicílio ainda, a água só apareceu depois. Nós tínhamos a necessidade do museu, porque nós andámos com as peças do museu às costas a fugir com as peças porque haviam pessoas que as queriam vandalizar. Depois quando conseguimos adquirir a Casa da Malta, que foi comprado pela Junta, tudo se tornou mais fácil. Nós necessitávamos então de um edifício, a Casa da Malta, para instalar ali o museu, porque tínhamos as peças escondidas e necessitávamos de as colocar num lugar seguro.

Em 1997, volvidos 11 anos. Que legado deixou aos sãopedrenses? 

Em termos de arruamentos as coisas estavam muito melhores. Tinha meia dúzia de arruamentos, pequenas artérias por fazer, artérias curtas que não era uma coisa por aí além. O saneamento já se fez em alguns lados, ainda hoje continua, aliás está agora ainda a decorrer na zona da Bela Vista. Não deixei dívidas, deixei a Junta, com algum dinheiro. Das obras emblemáticas, que ficaram marcadas para a população, foi o autocarro o 10 que nasce da Ervedosa e que ia até à Cruz da Mó e depois conseguimos que ele fosse até Belói.

Como é que imagina a agregação de Fânzeres e São Pedro daqui a 30 anos?

Estou a imaginar que agregação de Fânzeres e São Pedro termine em 30 dias. Eu não me revejo na agregação. Não porque eu tenha alguma coisa contra a população, não tenho nada. Tenho contra as pessoas que fizeram as coisas sem consultar as autarquias, sem consultar a população. Veio um tipo por aí abaixo e chegou aí e disse “os livros são estes e agora vocês vão ter que se juntar a Fânzeres”. Era muito melhor para as duas freguesias que o Governo resolvesse este problema e que nos pusesse independentes. Cada povo tem a sua cultura, cada povo tem a sua maneira de viver, a justiça era feita assim.

 

José Martins:

 

 

 

 

 

“Hoje tenho o prazer de verificar que muito do que foi feito, foi do meu tempo”

(Presidente da Junta de Freguesia de Fânzeres entre 1990 e 2005)

Quando assumiu o seu mandato, como é que encontrou a Junta de Freguesia?

Quando eu assumi o primeiro mandato, encontrei a freguesia na altura, há 30 anos, totalmente diferente. Só para lembrar que, na altura, para a limpeza dos arruamentos em Fânzeres havia um homem que lhe chamavam “o Carrela”. Veja lá, uma carrela para a limpeza da freguesia. Entretanto, logo no início metemos os pés ao caminho e adquirimos imediatamente um trator para facilitar a limpeza da freguesia. Tivemos apoio para a compra desse trator da população, foi a população que pagou esse trator e ainda deu para informatizar a junta. Na altura as finanças eram muito curtas, mas a partir daí as coisas começaram a andar. Hoje tenho o prazer de verificar que muito do que foi feito, foi do meu tempo. Fui eu que tratei da GNR para Fânzeres, trouxemos o Centro de Saúde para Fânzeres, fizemos o alargamento do cemitério, arruamentos, piscina, muita coisa. Hoje Fânzeres está completamente diferente do que era. O que era a Rua da Igreja há 25 anos e o que é hoje.

Qual era principal carência da freguesia?

Na altura do meu mandato as carências eram quase totais.

Qual é que foi a primeira medida que tomou?

Uma das primeiras medidas foi tentar equipar a Junta de Freguesia com os apetrechos necessários para que começasse de facto a limpeza a ser feita e os arruamentos a serem limpos em Fânzeres. A primeira grande aposta foi a compra do trator.

Que legado é que deixou aos fanzerenses?

Acho que deixei um bom legado aos fanzerenses, ainda hoje sinto o carinho da população, sinto carinho por aquilo que fiz, se calhar podia ter feito mais, mas fiz o que pude na altura. Mas ainda reconheço e verifico que a população ainda se lembra muito do José Martins. Sou muito acarinhado ainda em Fânzeres. Neste momento, sou um cidadão de Fânzeres, mas atento. A minha época já passou, mas o “bichinho” continua. Passei quase metade da minha vida, ligado à política e a Fânzeres.

Como é que imagina a agregação de Fânzeres e São Pedro daqui a 30 anos?

Sem efeito. Eu acho que durante as próximas eleições, daqui a dois anos e tal, já serão em separado, penso que é a promessa do Governo.

Eu queria relembrar que ainda sou do tempo em que se era presidente da Junta por gosto. Não havia tostão, eu sou do tempo em que os cinco elementos do executivo ganhavam 100 contos e eu dividia. Era um trabalho totalmente voluntário, andei dez anos e tal a ganhar 20 contos por mês, porque eu dividia e depois pagava os impostos como se ganhasse 40 contos. Sou desse tempo da “carolice” não vim agora por causa da massa.

 

Conceição Fontes:

 

 

 

 

 

“A experiência em si foi ótima, mas o enredo da política não foi muito agradável”

(Presidente da Junta de Freguesia de São Pedro da Cova entre 1997 e 2001)

Quando assumiu o seu mandato como é que encontrou a freguesia?

A freguesia, como era sabido por toda a gente, tinha grandes carências. Algumas delas foram-se resolvendo ao longo do tempo e neste momento não é exatamente a mesma freguesia. A Junta de Freguesia não tem grandes poderes, digamos assim, o que ia sendo feito não lida com muito dinheiro porque também não pode fazer obras grandiosas, só aquelas pequenas obras.

Quais eram as carências da freguesia de que fala?

As principais carências eram na altura a falta de habitação, de equipamentos socias, era muito importante na altura também um posto da polícia, também se lutou bastante por isso. Ainda é uma freguesia com algumas carências socioeconómicas.

Quais foram as suas principais obras?

As grandes obras não podiam ser a Junta de Freguesia a fazer, naturalmente. Tinha que insistir com a Câmara e muitas delas foram feitas. Nomeadamente os equipamentos sociais, as piscinas, os pavilhões gimnodesportivos, isso tudo foi feito, mas que era com insistência da Junta, mas era um trabalho sobretudo desenvolvido pela Câmara. O posto da polícia não foi possível, fizeram-se algumas tentativas, mas penso que era uma decisão a nível superior, portanto, não foi possível colocá-lo lá. Também era muito importante a construção do edifício da Junta de Freguesia que teve grande insistência da Junta, mas não foi feito nessa altura, foi feito muito mais tarde.

O que guarda desses 4 anos?

Uma boa experiência, com alguns momentos muito difíceis, sobretudo pela minha inexperiência e por demasiada boa fé da minha parte. Não é a política que é difícil, são as “politiquices” à volta disso tudo. E como eu não era uma pessoa considerada do meio, mantive a minha profissão e não era o meu futuro. A experiência em si foi ótima, mas o enredo da política não foi muito agradável.

Como é que imagina a agregação de Fânzeres e São Pedro daqui a 30 anos?

Daqui a 30 anos não estou cá para ver, mas espero que não seja tanto uma freguesia suburbana.

 

Fernanda Vieira:

 

 

 

 

 

“A minha principal obra foi o pagamento das dívidas que a Junta tinha”

(Presidente da Junta de Freguesia de Fânzeres entre 2009 e 2013)

Quando assumiu o seu mandato, como é que encontrou a Junta de Freguesia?

Com faturas que andavam a circular na ordem dos 120 mil euros.

Faturas por pagar?

Por pagar, com coisas que foram feitas ou não. As faturas andavam a circular, ainda não estava na Junta se quer e começaram a surgir. Jantares em restaurantes, faturas de restaurantes e outras coisas mais. Eu paguei essas faturas, porque depois os fornecedores vinham ter comigo porque queriam receber.

Nenhuma dessas faturas estavam cabimentadas?

Pois não e nós não tínhamos dinheiro, a Junta não tinha dinheiro e tinha essas dívidas. A carrinha não estava transitável, eu não tinha carrinha para levar o pessoal, nem mercadorias. Tive logo que partir para a compra de uma carrinha que fiquei a pagá-la todos os meses à Renault porque foi uma coisa necessária. A retroescavadora estava num canto qualquer avariada e teve uma reparação muito grande, não sei agora valores. Isto porque tinham sido concessionados lugares no cemitério a pessoas que pagaram e o cemitério estava por fazer no espaço que venderam. Era quase uma pedreira, é uma parte nova que está lá no cemitério, vendiam os terrenos e as pessoas começaram a ameaçar que se os familiares falecessem queriam lá sepultar os seus familiares. Eu tive imediatamente que arranjar o cemitério para que ele pudesse ser utlizado. Em 2009 encontrei um caos mesmo, um caos de deitar as mãos à cabeça que eu não fui avisada disso, não sabia que era assim a gravidade. Também teve que ser admitido pessoal do centro de emprego, as ruas na altura estavam como estão hoje, tudo cheio de ervas, sujas e eu meti pessoal do centro de emprego. Tive muita sorte e tenho que dizer sempre isto, o pessoal é que me ajudou a eu fazer o meu mandato. Pessoas fantásticas, trabalhadoras, foi muito bom para mim as pessoas que eu encontrei, ainda hoje só posso dizer bem dessas pessoas.

Volvidos esses quatro anos, que legado é que deixou aos fanzerenses em outubro de 2013?

Uma freguesia muito mais limpa, onde dava gosto viver. A melhoria de vida dos fanzerenses, a nível de emprego.

Que melhoria deixou aos fanzerenses em 2013? Quais foram as principais obras que fez ou produziu? Estes 120 mil euros, para começar, ficaram liquidados?

Ficaram. Comecei a pagar pelas faturas mais antigas, dei primazia a pagar essas faturas mais antigas, ficamos com uma carrinha nova que serviu durante esses quatro e deixei-a ficar para a Junta futura. Havia um terreno, já do tempo do José Martins, onde a GNR coloca as suas viaturas, houve um contrato promessa de compra e venda do terreno, nunca o pagaram. Eu quando cheguei em novembro, nesse mesmo mês recebi uma notificação do tribunal para pagar o terreno, no valor de 30 mil euros, o juiz obrigou a liquidar, pagamos esse terreno e também fiz um acordo com o proprietário para pagar um tanto por mês, que eu não posso precisar agora, todos os meses dava um tanto para pagar o terreno e pagou-se. O terreno hoje é da Junta de Freguesia. Deixei mais esse terreno, deixei a carrinha nova, fiz muitas atividades para as pessoas se distraírem. No Largo Júlio Dinis, fazia atividades ao sábado à noite, a noite de fado.

Qual foi a principal obra do seu mandato?

A minha principal obra foi o pagamento das dívidas que a Junta tinha. Quando eu deixei a Junta bem e que pensei que ia estar no mandato seguinte a fazer mais alguma coisa e deixar a obra feita, puseram-me de lá de fora porque a Junta estava bem. Ainda deixei 7 mil euros para a gestão seguinte, ao menos não deixei dívidas e ainda deixei 7 mil euros.

Como é que imagina a união de freguesias de Fânzeres e São Pedro da Cova, daqui a 30 anos?

Para servir melhor os fanzerenses talvez seja melhor, estar como estava antigamente, duas freguesias distintas. Porque assim se pode fazer muito mais, porque é muito difícil para um presidente estar em duas freguesias ao mesmo tempo e nunca se está a 100%. Lutei por isso enquanto estive na Junta, para que nunca fosse agregada a São Pedro da Cova porque eu dedicava-me todos os dias à freguesia e, portanto, sei muito bem que é necessária a comparência do presidente sempre na freguesia e assim, nestes moldes, não é muito fácil dar o seu tempo a 100%.

 

Daniel Vieira:

 

 

 

 

 

“Desejo que a união de freguesias acabe para o bem das populações de Fânzeres e de São Pedro da Cova”

(Presidente da Junta de São Pedro da Cova de 2009 a 2013 e Presidente da União de Freguesias de Fânzeres e São Pedro da Cova de 2013 a 2017)

Quando assumiu o seu mandato, como é que encontrou a Junta de Freguesia?

Eu nunca fiz nenhuma crítica pública aos meus antecessores e tenciono continuar a não o fazer. Para ser verdadeiro, quando cheguei à Junta de Freguesia, naturalmente que havia coisas nas quais eu não concordava, formas de funcionamento ou gestão. Mas confesso que eu, quer em 2009 quer em 2013, não encontrei nenhuma situação que me impedisse de fazer uma gestão da Junta de acordo com os objetivos e compromissos que assumi com a população. Em nenhuns dos mandatos eu encontrei uma Junta de Freguesia do ponto de vista financeiro, num estado calamitoso ou de dificuldade. Estavam com condições e foi isso que eu procurei deixar a quem me sucedeu, portanto não tenho nenhuma crítica.

Em 2009, qual é que era a principal carência de São Pedro da Cova quando assumiu o seu mandato?

São Pedro da Cova é uma freguesia com muitas necessidades. É uma freguesia que herda 170 anos da exploração do carvão e que quando as minas se encerraram isso deixou um lastro de desemprego muito profundo porque a maioria da população daquela freguesia trabalhava nas minas de carvão e criou um problema sério do ponto de vista da identidade e do ponto de vista de trabalho. Foi uma freguesia que ao longo da década de 80/90 e já neste século, lidou com alguns problemas de trabalho muito profundos. Isto são problemas estruturais às quais a Junta de Freguesia tem dificuldades em dar resposta e depois haviam problemas do ponto de vista de equipamentos. No mandato de 2009 a 2013 foi construída a Junta de Freguesia, fizemos obras de requalificação do museu mineiro, recuperamos a casa mortuária, também foi inaugurado o centro de saúde. Mas, há uma coisa muito importante que tenho que dizer. Seria injusto eu assumir exclusivamente como obras do meu mandato porque nenhum destes projetos, nenhuma destas ideias foi de facto iniciada pelo meu mandato, nem sequer do mandato anterior. Algumas têm 20 anos, 30 anos e no meu mandato foram concretizadas. Eu seria muito injusto se não reconhecesse, por exemplo a Junta de Freguesia, que foi construída no meu mandato, não tivesse tido um papel muito importante do meu antecessor, do José Vieira Alves, do Constantino, da Conceição Fontes, que eu tenho a certeza que procuraram dar um contributo sério para que o projeto fosse concretizado. No meu mandato procurei dar um contributo para a concretização de alguns desses projetos que estavam em andamento, a Junta de Freguesia um deles, a requalificação do museu mineiro é outro, mas procuramos essencialmente imprimir uma dinâmica cultural, desportiva, uma vida na freguesia.

Consegue destacar a sua principal obra em São Pedro da Cova?

Foi um mandato marcado pela construção do edifício da Junta e pela luta pela remoção dos resíduos perigosos. Foi nesse mandato que conseguimos provar a perigosidade dos resíduos perigosos de São Pedro da Cova. Uma luta que vinha de trás e naturalmente que do ponto de vista da freguesia essa comprovação da perigosidade foi um elemento muito importante para que avançasse a primeira fase da remoção e para que agora se exija a segunda fase da remoção dos resíduos. É uma luta que vem de trás também.

Foi o primeiro presidente da União de Freguesias. Pode falar um pouco sobre esse processo. Tendo em conta que ainda hoje a população está dividida em relação à agregação, foi um processo difícil ainda por cima para você como primeiro presidente?

Um dos cidadãos que não concorda com a agregação sou eu próprio. Bati-me muito contra a agregação das freguesias. Isto parece uma contradição porque acabei por ser candidato à União das Freguesias com um compromisso. Eu e o executivo da Junta de Freguesia, procuramos sempre manter as características de cada uma das  freguesias, procuramos nunca alterar formas de funcionamento.

Que legado é que deixou tanto aos sãopedrenses como aos fânzerenses?

Nós procuramos deixar a Junta e foi sempre esse o nosso objetivo, procuramos deixá-la um bocado melhor do que aquilo que encontramos. Eu tenho uma visão do exercício dos cargos públicos um bocadinho se calhar diferente daquilo que normalmente a malta tem, do género “eu encontrei dívidas e deixei obras”. Eu não vejo assim as coisas. Houve projetos que foram concretizados no meu mandato que foram iniciados em mandatos anteriores. Há projetos que hoje estão a ser concretizados que foram iniciados durante o mandato em que eu exerci funções, projetos culturais, do movimento sénior, por exemplo.

Como é que imagina a agregação das freguesias daqui a 30 anos?

Não imagino, o que eu desejo é que ela acabe para o bem das populações de Fânzeres e de São Pedro da Cova. Ás vezes as pessoas confundem, mesmo quem exerce funções, a questão da opinião sobre a agregação em função de quem está a exercer funções. Porque naquele momento está um presidente ou executivo mais dinâmico ou menos dinâmico, eu olho para a agregação de uma outra forma. A agregação na minha opinião é negativa, contribui para a perda da identidade das freguesias mesmo que haja um esforço para contrariar isso. A população quer de Fânzeres, quer de São Pedro da Cova ganhará se esta agregação acabar.

Você era contra a agregação ainda antes da assumir o mandato e quando assumiu serviu para confirmar a sua posição?

Sim, a minha opinião não alterou com o exercício do mandato, antes pelo contrário. Tenho a opinião convicta de que essa agregação forçada não faz sentido de existir.

 

Pedro Vieira:

“Esperamos que daqui a dois anos já não haja agregação e é esse o objetivo que se está a trabalhar”

(Presidente da União de Freguesias de Fânzeres e de São Pedro da Cova de 2017 até agora)

Quando veio para a União de Freguesias, em que estado é que encontrou quer Fânzeres, quer São Pedro da Cova? Neste caso a nível financeiro.

Eu já fazia parte do executivo anterior, por isso posso ser um bocado suspeito a falar sobre isto. Já na altura havia um controlo financeiro rigoroso e o que fizemos nestes dois anos foi continuar com esse rigor financeiro com um equilíbrio das contas muito grande por parte da Junta que nos leva a ter alguma autonomia e folgo, que nos dá espaço para trabalharmos as questões que achamos primordiais. Uma delas é a cultura e o investimento que é feito diariamente pela freguesia nesta área concreta.

Em termos de carências, qual era a principal carência de há dois anos atrás e que hoje já não existe, ou ainda existe?

Estamos a falar de 41 mil habitantes e há carências que são visíveis e que estão alertadas pela Junta de Freguesia, principalmente no plano rodoviário, as estradas ainda estão com muitas carências. Por exemplo a zona da Bela Vista na zona de Fânzeres, zonas densamente povoadas, que estão degradadas. Vias que são estruturantes de entradas da freguesia, estamos a falar em São Pedro da Cova e Fânzeres, estamos a falar da Rua das Rocas em São Pedro, da rua Tardariz, ruas estruturantes tanto na entrada como na saída da freguesia, como em Fânzeres estamos a falar de entradas na freguesia. Por exemplo, a rua de Cabanas já foi requalificada, mas temos aqui ainda a rua da Felga que é uma entrada norte para quem vem de Baguim e Valongo, e que continua ainda muito degradada. Reconhecemos o investimento que tem sido feito por parte da Câmara, mas também dizemos que é insuficiente perante as carências que as freguesias ainda têm. É neste quadro que, passando dois anos, apesar da requalificação que houve na rua de Cabanas, na zona de Belói, do Ramalho, portanto zonas muito carenciadas, muito antigas e degradadas, consideramos que ainda existem muitas zonas da freguesia com carências.

Em política, dois anos é um período manifestamente curto. Já há uma marca do Pedro Vieira na agregação das freguesias?

Neste momento podemos dizer que ainda não. É um período curto para marcar a diferença. O que temos feito é apostar no nosso património, na nossa identidade, nas nossas coletividades, nas nossas instituições e a partir daí fazer o que tem sido feito, que é um investimento concreto e objetivo na cultura, no desporto e com as escolas. Temos procurado estar presentes nesse sentido, sabendo as dificuldades que temos neste momento.

Nunca foi presidente Fânzeres ou São Pedro da Cova, foi sempre presidente da União das Freguesias. Uma pergunta concreta e direta, é a favor desta agregação?

Não, porque efetivamente está-se a comprovar aquilo que já tínhamos previsto há 6 anos atrás que é o pior serviço prestado pela Junta à população. Perdem as duas freguesias em toda a linha porque primeiro o presidente está mais afastado das suas populações, segundo ao estar mais afastado está mais ausente da realidade e dos problemas que essas pessoas têm no dia a dia e terceiro é a questão financeira. A Junta de Freguesia dobrou o seu tamanho e o dinheiro não dobrou. A freguesia de Fânzeres ao longo destes 6 anos comprovou que com menos se conseguiu fazer mais, agora consideramos que o serviço não é o melhor ou o mais adequado para fazer algo concreto e diferente. Estamos neste limbo, porque cada vez que os anos passam, cada vez se torna mais difícil fazer esse trabalho junto das populações. A agregação, desde há 6 anos a esta parte, que foi feita esta proposta, que consideramos que as populações irão ser piores servidas.

Daqui a dois anos, que legado pode deixar aos fanzerenses e sãopedrenses?

Um legado de proximidade, essencialmente. Um presidente que teve sempre do lado da população, que esteve sempre na defesa dos serviços públicos, seja nos transportes, seja na Junta de Freguesia. Um presidente e um executivo que deram tudo em prol da população, que acompanharam de perto a evolução das freguesias, a evolução cultural, desportiva e das suas gentes e, portanto, é este legado que queremos deixar. A Junta de Freguesia, neste contexto não tem grandes responsabilidades na construção de grandes estruturas, de estradas, mas naquilo que foi chamada a servir, serviu as populações. Seja na reparação de ruas, de passeios, reparação de escolas e nesse sentido aquilo que foi feito pela Junta pode-se dizer que está a ser cumprido e até ao final do mandato irá ser cumprido. Coisas mais estruturantes da freguesia, aí teremos mais dificuldades. Temos o projeto da ampliação do cemitério da Mó que está a ser feito neste momento, temos ainda o projeto da renovação de parte do cemitério que ainda falta em São Pedro da Cova que irá ser feito no próximo ano e isso assumimos que irá ser feita a parte que ainda falta. Em Fânzeres, está a ser feita a renovação da Capela mortuária, mas não depende só da Junta de Freguesia, depende também da Câmara. A Capela Mortuária está adjacente à rua da Coelheira e essa rua necessita de obras urgentes.

Como é que imagina esta agregação daqui a 30 anos?

Esperamos que daqui a dois anos já não haja agregação e é esse o objetivo que se está a trabalhar. Na freguesia de São Pedro da Cova já deveriam ter sido tirados os resíduos. É uma promessa do Governo que não está a ser cumprida e que já falou em 2017, falou em 2018 e estamos a acabar o 2019 e não há resultados práticos na retirada dos resíduos. Quero dizer que não iremos baixar a guarda e que enquanto tivermos condições, vamos fazer de tudo para que esta situação não morra no esquecimento e a Junta irá fazer tudo com a sua população, e todas as instituições da freguesia no sentido de que esta questão dos resíduos se resolva. Podemos considerar que era a maior vitória da população essa retirada dos resíduos. Era um peso retirado da cabeça e das costas das pessoas de São Pedro da Cova e de Fânzeres também, porque os resíduos são depositados em São Pedro da Cova, mas não sabemos o grau de contaminação que as terras e as águas possam ter ainda. A Junta e a população não irão descansar enquanto isto não tiver resolvido e que iremos usar todas as nossas armas.

 

Marco Martins:

O projeto foi aprovado pela Câmara Municipal - março 2019

 

 

 

 

 

“Estamos a investir muito nestes dois territórios”

(Presidente da Câmara Municipal de Gondomar de 2013 até agora) 

Nestes últimos 6 anos, enquanto Presidente da Câmara, qual o contributo que o município deu de maior destaque quer para Fânzeres quer para S. Pedro da Cova?

Para Fânzeres foi feita uma grande intervenção na rede viária, foi a freguesia onde mais se investiu na rede viária. Foram mais de 15 ruas que foram reformuladas. Estavam muitas em paralelo, uma rede viária degradada. Os projetos âncora foram, o Parque Urbano de Fânzeres/S. Cosme a par da reformulação da avenida de conduta, que está em curso para Fânzeres. Para S. Pedro da Cova, os projetos âncora são os 2 milhões de euros que se estão a investir em  saneamento para toda a encosta da Bela Vista servindo mais de 600 famílias, é um processo que está em curso.  Depois a quantidade de escolas que que se reabilitam naquele território. Ainda em S. Pedro da Cova a Câmara deu passos muito importantes naquilo que foi o avanço da remoção dos resíduos e paralelamente estamos a fazer um processo que é lento, é demorado, de adquirir várias parcelas do antigo complexo industrial do Cavalete. Já o adquirimos e a faculdade de engenharia já fez um estudo que está na fase das conclusões sobre o que se deve fazer para a sua requalificação. Estamos a investir muito nestes dois territórios e ainda vamos até ao final deste mandato como é compromisso, iniciar a obra, não sei se será concluída, do Parque Urbano de S. Pedro da Cova no antigo campo de futebol que demolimos há um ano e meio porque estava com falta de condições de segurança. Portanto temos feito um investimento muito grande nesse território. A União de Freguesias de Fânzeres e S. Pedro da Cova é o terceiro maior território de Gondomar, onde tratamos de forma igual tudo o que se passa e tenho um ótima relação com a Junta de Freguesia independentemente de ser a única que não é do partido socialista. O Pedro Vieira tem uma relação comigo tão boa ou melhor que os outros presidentes de Junta.

Daqui a 30 anos vê estas duas freguesias ainda agregadas?

Isso é uma questão que eu não me vou pronunciar se quer. Há uma lei para isso, há regras para isso. É uma decisão dos órgãos locais de acordo com aquilo que a lei prevê. ■

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