Até sempre PAULO F. SILVA

O dia 22 de março de 2020 será uma data que marcará todo o meio jornalístico. Morreu Paulo F. Silva. Atual assessor de Comunicação da Câmara Municipal de Gondomar, vítima de cancro, faleceu com 59 anos. Nasceu em Angola, em 1960 e aos 15 anos foi viver para o Porto, mais particularmente em Rio Tinto, Gondomar. No seu currículo ficam as diversas experiências profissionais que teve em vida. Enquanto Jornalista trabalhou para a “Autosport”, “O Jogo” e o “Jornal de Notícias”. Fundou e orientou o semanário “A Manhã”, em Gondomar e, agora chefiava a equipa de comunicação da Câmara Municipal de Gondomar. Para completar a sua paixão pelo Jornalismo, era ainda Vice-Presidente da Casa da Imprensa (uma associação mutualista dos profissionais da Comunicação). Conhecido e acarinhado por todos deste meio, deixou uma legião de amigos que hoje quiseram também fazer parte desta homenagem.

Trabalho, dedicação e competência foi sempre o lema a seguir. Um homem nobre em caráter. Um grande amigo. Um homem incrível, mas de coração simples. Um homem sensível, mas de fortes palavras. Sincero e de muito bom trato. Um homem sensato que sempre nos sorriu com o coração. Um amante do automobilismo. Cativou-me desde o primeiro dia. Grandes conversas tivemos a pretexto de um cigarro, tantos conselhos, tanto apoio que me deste. Foste meu confidente e conselheiro. Viveste comigo todas as dificuldades que passei e sempre acreditaste em mim. Por isso, meu amigo Paulo, como diz António Lobo Antunes: “Os amigos não morrem: andam por aí, entram por nós dentro quando menos se espera e então tudo muda: desarrumam o passado, desarrumam o presente, instalam-se com um sorriso num canto nosso e é como se nunca tivessem partido. É como, não: nunca partiram.” Obrigado pela desarrumação que me fizeste, e que ainda fazes,

José António Noverça

Paulo F. Silva é, digo-o no presente, um dos grandes companheiros da minha viagem pessoal e profissional, um dos que estão sempre à mão, mesmo sem conversas frequentes, predisposto a ajudar, a resolver, a dar pistas, a dar rédea livre, sem moralismo ou lições. Com uma capacidade de ouvir, incentivar e corrigir. Conheçemo-nos em finais dos anos oitenta, no jornal “AutoSport” entre o pó do auto cross, entrevistas a pilotos e prepadores. Estávamos a meio tempo, mas com o gozo de quem está com paixão. Foi aí que fiz um amigo. Seguimos caminhos separados até nos profissionalizar-mos e abraçar-mos em 1995 no “Jornal de Notícias”. No “Jornal de Notícias” conheci um Paulo de outras dimensões, que não acabaram no jornalismo, na ética e rigor deste, mas também nas inquietações de um mundo desigual e com preocupações laborais e cívicas, nos ideais da política e no mutualismo. Esteve em Timor e no Afeganistão, em situações onde os limites da condição humana são testados. Foi objetivo. Foi um repórter de guerra sem nunca perder o horizonte. O ano de 2009 mudará as nossas vidas. Não perdemos o contacto. Bastou-me um telefonema “tenho uma ideia, marca na agenda”. Só uma semana depois, numa reunião, soubemos: o semanário “A Manhã”. Nascia um semanário para Gondomar! Um desafio em que, com aquele sorriso e calma, fazia os possíveis para estabelecer pontes, ouvir, dissipar dúvidas, inventar soluções que esgotavam dias e noites, mas sempre dentro do rigor, ao pormenor, que roçava o fastio, disse-lhe uma vez. Falávamos em intervalos, de outros mundos, do orgulho dos seus filhos e do violoncelo da Laura, a filha, mas também, da poesia, os imensos amigos, outros trabalhos e aventuras em que me arrastou e em que viríamos a participar. Mudou de rumo, abraçou o Gabinete de Comunicação e Imprensa da Câmara Municipal de Gondomar, como sempre mante-se igual, arguto e coerente. Nem no fim me surpreendeu. Manteve-se decente, sem desistir. Um homem sereno, apaixonado pela música, pelas letras – foi em tempos diretor da Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto e fundou a editora Mãos de Ferro. Sempre com aquele raio de sorriso, entre o compreensivo e o irónico. Um bom gigante que adorava Peter Gabriel. Não há despedida, depois ligo-te!

João Paulo Coutinho

É fácil elogiar um amigo, recordar as partilhas,
as ajudas mútuas, as confidências, inconfidências e, acima de tudo, as asneiras. Prometeste-me um poema. Ficaste de escrever o meu antecipado epitáfio. Eras um tipo chato, algo insuportável (de tão pacificador) e casmurro. Frontal, solidário, crítico e atento. Talvez por isso gostasse de ti. Sempre foste como um dia me descreveste: amigo, desinteressado, pronto a abrir as portas de sua casa… Alguém que nunca pediu nada em troca. Estima e consideração, Paulo F. Silva. Usando as tuas palavras. Agora que tenhas alguma paz e, principalmente, que já não sintas o teu corpo ultrapassado pelo teu cérebro. Os teus amigos vão marcar a “patuscada” há meses adiada. E voltarás a estar connosco.

Rui Barbosa

O Paulo… Conheci o Paulo (F.) Silva em 2013, em plena campanha eleitoral autárquica. Já não me recordo qual terá sido a nossa primeira conversa, mas sei que num ápice o ar introspetivo, deu lugar ao tão característico (e único) sorriso dele: aquele que só dedicava aos amigos. Mal sabia eu, na altura com 21 anos, que estava perante aquela que viria a ser uma das principais referências na minha vida. Rapidamente tornamo-nos amigos e durante vários anos, num registo semanal e quase diário, partilhamos confidências, ideias, críticas, elogios e a (tão) necessária conversa da treta, que não nos levava a lado nenhum, mas que não conseguíamos dispensar. Dele guardo os valores, o pensamento, o rigor, a seriedade (de um tipo danado para a brincadeira), a infinita disponibilidade, a calma olímpica (irra, como é que conseguias?!) e o feitio tramado que alguns descrevem, mas que raramente me reservou. Dizer que nunca uma chamada ficou por atender/devolver, nunca um café ficou por tomar
e que nunca uma conversa ficou por acabar, é dizer muito sobre o Paulo (!), até porque, recorde-se, eu era apenas o “puto” que acabara de aparecer. E esta lição, levo-a para a vida. Torno pública a promessa que um dia lhe fiz: “no que depender de mim, o teu nome chegará sempre onde eu chegar”. Foi bom, pá! Obrigado, Do teu amigo (e eterno discípulo),

Pedro Santos Ferreira

Eu que, ainda pequeno, te conheci de vista já como homem feito que morava lá mais ao fundo na Rua, a caminho da estação. Eu que mais tarde como leitor te conheci como jornalista. Eu que como político te conheci como adversário quando concorreste contra mim em 2009. Eu que, como cidadão, como político, tive o prazer de passar a conhecer como amigo. Cada vez mais amigo, e como um dos mais próximos. Aquele a quem ligava para desabafar, para pedir conselhos… a quem ligava só porque sim! A tua astúcia, a tua visão, mas, sobretudo a tua forma de ser sempre positiva e com um grande coração, sempre pronto a ajudar tudo e todos, o teu olhar de acolhimento e o teu sorriso entre traquina e o complacente. Serás recordado como um Senhor na genuína aceção da palavra, um homem e Amigo de pensamento maturado que nos encantava e deixava rendido.

Marco Martins

Muito, mesmo muito fácil elogiar o amigo Paulo F. Silva. Homem de palavra, perguntei um dia – não achas um risco acabares sempre o e-mail com a frase “sempre disponível e contatável” – respondeste de imediato, “não tenhas dúvidas que será assim, faz por favor o mesmo comigo”. A chamada poderia ficar por atender, mas sempre foi devolvida. Homem de consensos, estivemos sempre de acordo? Claro que não, mas sempre respeitamos a opinião do outro. Vou sempre recordar, as longas conversas, os nossos cafés no Giardino, os nossos almoços sobre coisas importantes e as outras (sem importância nenhuma), mas que nos faziam bem. Homem justo, equilibrado e na maioria das vezes com a solução para o problema. Conhecemo-nos algures em finais de 2008, poucos meses depois fundaste o semanário “A Manhã”, mas foi sobretudo com a tua chegada à Câmara de Gondomar, que de uma forma muito mais próxima conseguimos cimentar a nossa relação. Obrigado pelos conselhos, pela disponibilidade e sobretudo pela tua amizade. Já acordastes? Era assim que atendíamos o telefone, será desta mesma forma que um dia te voltarei a perguntar, já acordaste? Até um destes dias na nossa “patuscada”. O Rui ficou de tratar do assunto, ele nestas coisas não falha.

Miguel Almeida

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