Autárquicas 2017: candidatos debateram turismo, economia, emprego e mobilidade de Gondomar

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Marco Martins, Rui Nóvoa, Rafael Amorim e Daniel Vieira no debate do Vivacidade

O Vivacidade promoveu, no dia 24 de setembro, o último debate antes das Eleições Autárquicas 2017. A iniciativa visou debater temas que até aqui não tinham sido abordados na presença dos gondomarenses que lotaram o Auditório Municipal de Gondomar.

 Que futuro terá Gondomar nos próximos quatro anos? Foi esta a premissa que levou o Vivacidade a organizar a última disputa entre candidatos à presidência da Câmara de Gondomar. O desafio contou com as presenças de Marco Martins (PS), Rui Nóvoa (BE), Rafael Amorim (PSD/CDS-PP) e Daniel Vieira (CDU), tendo sido notada a ausência do Valentim Loureiro (Independente), que alegou “motivos de agenda” para não comparecer.

O jornalista Francisco Ferreira moderou o debate e colocou em discussão diversos temas até então pouco aprofundados pelos candidatos como, por exemplo, o turismo, a economia, a empregabilidade, a mobilidade, entre outros temas de interesse para os gondomarenses.

“O que está em causa para os gondomarenses é avaliar o trabalho feito por este executivo. Está em causa saber se queremos continuar a andar para a frente ou se queremos regressar ao passado”, começou por dizer Marco Martins, que se recandidata ao cargo.

Para Rui Nóvoa, a candidatura do Bloco de Esquerda surge com o objetivo de “eleger um representante para o executivo municipal”, que, a acontecer, seria um resultado inédito para os bloquistas.

Rafael Amorim, da coligação “Gondomar no Coração”, disse ser necessário “recuperar o orgulho em ser gondomarense” através de uma candidatura “diferente das outras”.

Por sua vez, Daniel Vieira, da CDU, apontou a necessidade de pensar Gondomar “para lá dos ciclos eleitorais” de forma a evitar “decisões ruinosas como os contratos de concessão de saneamento e recolha de lixo”.

Empregabilidade e expansão da linha do metro não geraram consenso

O primeiro tema em debate foi a aposta no turismo. Marco Martins recordou o trabalho realizado durante este mandato e reforçou a necessidade de “aproveitar a contiguidade geográfica ao Porto”, reconhecendo que “ainda há muito por fazer”. De acordo com o socialista, é preciso “potenciar os projetos iniciados [Rota da Filigrana, Cais da Lixa, Parque das Serras do Porto]”.

O social-democrata Rafael Amorim criticou a subserviência de Gondomar face ao Porto e Gaia, mas concordou com a importância do turismo para o concelho, tendo criticado a “falta de afirmação” do concelho neste setor.

Daniel Vieira considerou que é preciso pensar o desenvolvimento turístico “para os que residem em Gondomar” e apontou “o território e o património material e imaterial como principais atrativos”.

No que diz respeito à elevada taxa de desemprego registada neste concelho, o bloquista Rui Nóvoa reforçou a “gravidade” deste indicador. “A Câmara procura dizer que não existe precariedade no Município, mas isso não é verdade. Há também um conjunto de funcionários da autarquia que ainda não viram regularizada a situação das 35 horas de trabalho”, apontou o candidato do BE.

Neste tema, Daniel Vieira criticou a recente revisão do Plano Diretor Municipal. Segundo o candidato da CDU, “foi uma oportunidade perdida e falhou a consideração de um alargamento das zonas industriais, bem como a criação de uma nova zona industrial no Alto do Concelho”.

Segundo Rafael Amorim, para atrair a criação de emprego é premente “trabalhar em rede com uma série de instituições e a Câmara pode ser um elemento facilitador”.

Nesta questão, Marco Martins apontou o endividamento excessivo como um fator impeditivo da contratação de novos colaboradores e prometeu a criação de novas zonas industriais.

No capítulo da mobilidade, a expansão da rede de metro que serve o concelho voltou a ser discutida. Daniel Vieira sublinhou que “Marco Martins não cumpriu a promessa de trazer o metro para Gondomar (São Cosme) e a iniciativa de apresentar uma proposta alternativa, sem auscultar os órgãos autárquicos, foi uma decisão errada e subserviente perante o Governo”. Rui Nóvoa defendeu a luta pela isenção de portagens na CREP e admitiu que não se pode discutir a mobilidade no concelho “quando as pessoas pagam portagens dentro do nosso território”. O bloquista defendeu ainda a necessidade de colocar autocarros a fazer transbordo de passageiros do metro de Fânzeres até à Carvalha. Medida que Rafael Amorim discordou. “Devemos exigir o metro de Fânzeres a São Cosme, já! Temos que intensificar a mobilidade interna e não podemos ter as pessoas constantemente a fugir para Gaia ou para o Porto”.

O socialista Marco Martins rebateu as críticas dos adversários ao lembrar que a exigência do prolongamento do metro contou com “uma proposta realista, mais barata e mais rápida, apoiada pela Câmara Municipal do Porto”.

Candidatos concordaram exigir mais das concessionárias

Saneamento e recolha do lixo foram o tópico que reuniu mais consenso entre os candidatos. Para o comunista Daniel Vieira, estes são “dois exemplos de decisões desastrosas com impacto diário na vida dos gondomarenses, tendo sido feita uma gestão com preços escandalosos e em confronto com as populações”. Para a CDU, o Município deve “preparar-se para a reversão dos contratos por incumprimento das concessionárias”.

Rafael Amorim questionou o aumento do preço médio da água em Gondomar e a implementação da Tarifa Social da Água. Em resposta, Marco Martins reforçou a importância da criação de um escalão social e o “aumento da fiscalização do funcionamento das Águas de Gondomar e da Rede Ambiente”.

No final, salientou-se a elevação do debate, o esclarecimento prestado aos gondomarenses que assistiram ‘in loco’ ou através da internet ao debate e lamentou-se novamente a ausência de Valentim Loureiro.

(Caixa) Declarações finais dos candidatos

Marco Martins, Partido Socialista

“Os gondomarenses conhecem-nos e sabem bem o que fizemos em Gondomar. Queremos concluir o saneamento, remover os restantes resíduos de São Pedro da Cova, criar cinco parques urbanos, recuperar o caminho Midões-Monte Crasto, requalificar as escolas que não tiveram obras, queremos qualificar os gondomarenses. Queremos um Gondomar do século XXI”

 Rui Nóvoa, Bloco de Esquerda

“Desde que temos representações nos órgãos autárquicos fomos sempre consistentes e nunca tivemos dúvidas do lado que escolhíamos. Estivemos sempre com as pessoas. Julgo que desta vez vamos fazer a diferença e, caso sejamos eleitos, o executivo da Câmara será muito diferente do que tem sido até aqui”

 Rafael Amorim, coligação PSD/CDS-PP

“Somos a única candidatura verdadeiramente alternativa, com ideias sustentáveis e com uma visão de futuro que vai colocar Gondomar no mapa. Apelo a que vejam os nossos programas e que vejam quem quer algo diferente para Gondomar. Só nós conseguimos fazer isso, mais nenhuma. Temos a oportunidade de colocar Gondomar no futuro”

 Daniel Vieira, coligação CDU

“O que está em causa não é uma decisão entre o passado e o futuro, mas sim que tipo de futuro queremos. O que propomos é a eleição de uma Câmara que promova os direitos sociais e a inclusão, que retome um projeto educativo concelhio, que tenha um projeto desportivo sério. Queremos olhar para o território como um todo, queremos uma Câmara que pense nas próximas gerações e não nas próximas eleições”

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