Os homens por detrás do paraíso natural de Gondomar

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> Na foto: Albino Sousa, Paulo Campos, Manuel Sousa, Fernando Sousa e António Gonçalves

Situado em Gondomar, mais precisamente na Freguesia de Foz de Sousa, existe um paraíso com mais de 200 anos de história, os Moinhos de Jancido, escondidos no meio de uma vasta riqueza natural de Fauna e Flora, é um dos ex-libris da Freguesia. O VivaCidade acompanhou um dia de trabalho dos homens por detrás deste feito.

A iniciativa surgiu no final de 2017 e dedica-se à preservação do ambiente e da história do local, mais propriamente dos Moinhos. O grupo é intitulado por “Moinhos de Jancido” que, atualmente, é composto por Albino Sousa, Paulo Campos, Fernando Sousa, António Gonçalves e Manuel Sousa. É graças a estes cinco homens, com a colaboração das suas esposas e outros colaboradores que pontualmente ajudam, que a memória dos que já por aqui trabalharam renasceu.

Este trilho é composto por oito moinhos e encontra-se situado ao longo do Ribeiro de Cai águas em Jancido. Hoje, vemos o esqueleto dos moinhos restaurado que outrora eram utilizados para a transformação do milho e outros cereais em farinha para o fabrico de pão. Cada moinho possui diferentes proprietários, tendo herdado o nome das suas respetivas famílias, assim sendo temos o Moinho do Quintas, o Moinho do Oliveira, o Moinho do Capela, o Moinho Alves, o Moinho do Caralhitos, o Moinho do Almeida, o Moinho do Crestina e o Moinho do Garrido (da ordem da nascente para a foz).

“A amabilidade e a paixão pela natureza são características visíveis nestes homens, que todos os sábados à tarde, enquanto trabalham estão disponíveis para tirar todas as dúvidas pelos que aqui passam”

Desde 2017 que todos os Sábados (parte da tarde) destes homens têm sido dedicados à limpeza e reflorestação, bem como a preservação de todo o espaço envolvente, uma iniciativa que já contabiliza mais de 2150 horas de trabalho voluntário. Para António Gonçalves, este projeto é como uma terapia para todos os envolvidos, por- que torna-se apaixonante o aroma e os sons da natureza que transformam este local num paraíso perfeito para fugir à cidade.

A união deste grupo é notável e as histórias contabilizadas já são imensas, António Gonçalves revela-nos uma entre tantas, que remete-nos às “Quedas do Sousa”, que é uma queda de água que foi apelidada carinhosamente porque “o nosso colega Albino Sousa é o mais aventureiro do grupo e já caiu lá diversas vezes daí o seu nome”.

A amabilidade e a paixão pela natureza são características visíveis nestes homens, que todos os sábados à tarde, enquanto trabalham estão disponíveis para tirar todas as dúvidas pelos que aqui passam.

“De Inverno limpamos e no Verão construímos” refere António Gonçalves quando explica a dinâmica de trabalho do grupo. O nosso guia apela ainda às entidades que este trabalho de limpeza dos terrenos seja feito de inverno devido à fase de nidificação das aves e não nos meses de março a junho.

António Gonçalves, continua a explicar que desde o início deste projeto o trabalho é constante, seja na limpeza do mato das encostas, na desobstrução dos trilhos, na eliminação de infestantes utilizando métodos naturais ou a replantação de árvores e arbustos nativos que até à data contabilizam-se cerca de 430 plantações, construíram reservas naturais (charcos) para alguns animais como os anfíbios, construíram parques de merendas, bancos, pontes, passadiços e muitas vezes dedicam-se à limpeza das margens do Ribeiro de Cai águas e do Rio Sousa.

O local torna-se apetecível para os amantes da natureza pela vasta composição existente de Fauna e Flora, é nessa linha que o grupo decidiu colocar identificadores nas plantas para ser mais facilmente reconhecidos pelos curiosos.

Algumas das espécies de árvores que podemos encontrar são: o Salgueiro, o Carvalho, o Sobreiro, o Sabugueiro, o Choupo Negro e Branco, a Tília, o Pinheiro, o Azevinho, a Figueira, entre muitos outros que dão um total de 19 espécimes.

Quanto às Plantas e os Arbustos nativos conseguimos identificar 25 espécies e damos como exemplo as seguintes: o Feto Cabelinho, o Alecrim, a Alfazema, a Urze Branca e a Vermelha, o Feto-Real, o Feto- dos-Montes e a Lavanda, entre outros.

No que diz respeito ao mundo animal é possível deliciar-nos neste espaço com um concerto gratuito que as inúmeras espécies de animais nos proporcionam, é no meio deste concerto que identificamos algumas espécimes de aves tais como: o Melro, a Águia asa Redonda, o Pombo Torcaz, o Chapim-azul, o Pisco Peito Ruivo, o Pardal-do- Telhado, o Rouxinol-Bravo, o Pica-Pau-malhado, entre outras espécies que estimamos em 44 aves.

Além das aves, podemos identificar anfíbios (Salamandra Lusitânica, Salamandra de pintas amarelas, rã verde, rã ibérica, Tritões, entre outros animais). Em simultâneo é possível encontrar alguns répteis como a cobra da água, o lagarto da água e o licranço.

No que diz respeito aos Mamíferos, descobrimos que neste local é possível visualizar Coelhos, Toupeiras, Raposas, Lontras, Esquilos e o Rato do Campo. Na categoria de Anisóptera destaca-mos a Libelinha Imperador Azul, a Libelinha Tira Olhos, a Libelinha Anaz Green e a Libelinha Escalarte.

Quanto aos apoios, António Gonçalves agradeceu em nome do Grupo dos Moinhos de Jancido a todos os cidadãos, bem como entidades, que os apoiaram desde o início do projeto com a doação de materiais.

“Nós gostamos de ser nós a fazer, porque quando assim não o for, não contem connosco, porque o prazer não será o mesmo”

Quanto ao futuro, António Gonçalves refere que “nós sabíamos de onde partíamos, mas não sabemos ainda onde vamos chegar, temos isso bem presente, se nos projetávamos, ao fim de três anos estarmos onde estamos? Não. Considero que superamos as nossas expectativas que tínhamos desde o início desta iniciativa”.

O grupo Moinho de Jancido apela ainda a todos os visitantes que “da natureza apenas tire fotos e deixe somente pegadas”, não perturbe os animais, nem deixe lixo ou danifique as espécies florestais. Este santuário da natureza tem que ser preservado por todos nós.

> Na foto, os visitantes: Miriam Garcês, Joel Reis e Hugo Saraiva

Ao longo do percurso, encontramos Miriam Garcês, Joel Reis e Hugo Saraiva que nos contaram um pouco da experiência e de como descobriram este paraíso natural situado em Foz de Sousa.

Joel Reis e Miriam Garcês são um casal que descobriram este trilho por puro acaso enquanto realizavam uma caminhada e encontraram um Senhor que passeava o seu cão, no meio da conversa, este homem recomendou o local e desde então ambos ficaram rendidos à beleza natural do espaço. “Já não é a primeira vez que fazemos este trilho, nós agora já estamos é a apresentar o local aos nossos amigos” e desta vez, a visita foi realizada ao amigo Hugo Saraiva que partilha da mesma opinião quanto à riqueza natural do sítio, “nós gostamos do início do trilho, mais precisamente a parte onde estão as indicações, consideramos que está muito original e também a magnífica queda de água e sempre que voltamos cá fazemos um caminho diferente para explorar a natureza do local”. ▪

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