Sandra Almeida: “O grande objetivo é que Gondomar tenha mais pessoas a praticar desporto no final do próximo ano”

Sandra Almeida, vereadora do Desporto da Câmara de Gondomar / Foto: Pedro Santos Ferreira

Sandra Almeida, vereadora do Desporto da Câmara de Gondomar / Foto: Pedro Santos Ferreira

Foi há um ano que Gondomar soube que iria ser Cidade Europeia do Desporto 2017. A escolha da Associação das Cidades Europeias do Desporto assentou nos mais de 73 mil membros de um clube ou organizações desportivas, sete mil atletas federados, 150 associações desportivas e nos diversos espaços desportivos do concelho. Ao Vivacidade, Sandra Almeida, vereadora do Desporto da Câmara Municipal de Gondomar, fala pela primeira vez na CED 2017. 

Como surge a candidatura de Gondomar a Cidade Europeia do Desporto?
Este desejo surge quase imediatamente à tomada de posse deste executivo. Cada pelouro tentou perceber o que poderia trazer de diferente e inovador ao concelho e assim que ouvimos falar das candidaturas a Cidade Europeia do Desporto, decidimos avançar.
Percebi que reuníamos as condições logísticas necessárias e foi nessa altura que apresentamos a nossa intenção de nos candidatarmos ao ACES Europe, organismo que tutela a atribuição desse título.
A carta de intenções do Município de Gondomar foi entregue a 10 de fevereiro de 2015 e indicava a nossa vontade de ser Cidade Europeia do Desporto (CED) em 2017. A resposta chegou um mês depois e foi nessa altura que iniciamos o nosso trabalho.

Podemos afirmar que o pelouro do Desporto foi o responsável inicial por esta intenção do Município?
Podemos dizer que sim. Apresentamos a sugestão ao presidente da Câmara de Gondomar, Marco Martins, que rapidamente deu o seu apoio à iniciativa.

Estavam reunidas as condições para Gondomar ser CED?
Apesar de parecer uma designação complicada, o mote do CED é simples e implica a promoção de atividade física, saúde e bem-estar. O grande objetivo é que Gondomar tenha mais pessoas a praticar desporto no final do próximo ano.
Gondomar tem um universo de 250 associações, 150 desportivas, um grande número de eventos e uma atividade desportiva regular. Face a estes números, rapidamente percebemos que poderíamos apoiar este movimento e dar-lhe força. Além disso, o Município dispõe de sete piscinas, 14 pavilhões e o Multiusos de Gondomar, que é considerado o segundo maior do País.
Desta forma, caso tivéssemos os gondomarenses connosco sabíamos que tínhamos grandes hipóteses e todos abraçaram este projeto.

Contaram com o apoio das instituições, do movimento associativo e dos gondomarenses desde o início?
Sem dúvida. O desporto tem grande importância no concelho. Temos 73 mil pessoas que pertencem a um clube ou associação desportiva, num universo de 170 mil habitantes. Sabemos que esta conquista só foi possível graças ao trabalho que o movimento associativo já vinha desenvolvendo há muitos anos.

Gondomar é a quinta CED portuguesa. No entanto, a luta pelo título foi disputada com Coimbra, situação inédita na Associação Portuguesa das Cidades Europeias do Desporto Portugal…
É verdade que protagonizamos uma situação inédita com a disputa deste título com Coimbra. Nos anos anteriores existiu apenas uma candidatura a CED, contudo, há cada vez mais candidatos.
Inicialmente, Viseu também entrou na corrida, mas acabou por afastar-se. Coimbra já tinha desistido da candidatura a CED, em 2016, e decidiram avançar para a candidatura a 2017.

A disputa desta distinção com Coimbra foi um estímulo extra para Gondomar?
Sim, acabou por ser. O ACES Portugal confessou desconhecer Gondomar, enquanto Coimbra já era mais conhecida. No entanto, esta competição saudável só serviu para nos trazer mais ânimo.

Houve efetivamente essa competição…
Não negamos isso. Sublinho que houve sempre cordialidade entre os dois municípios. Durante este processo nunca disse que Coimbra perdeu, procurei sempre afirmar que Gondomar saiu vencedor.

A visita da ACES a Gondomar foi decisiva para garantir este título?
Foi um momento importantíssimo. Preparamos a visita da delegação ao pormenor e procuramos demonstrar toda a atividade desportiva e a riqueza do nosso concelho.
Pelo que percebi, a decisão final foi tomada nesse momento. Desde o vídeo que preparamos ao nosso dossiê de candidatura, todos os elementos foram importantes para a nossa vitória.

Quais foram os argumentos de Gondomar para vencer Coimbra?
O que foi dito à autarquia é que a nossa vontade de ser CED foi maior. No entanto, a relação com Coimbra não ficou afetada e continuamos com excelentes relações.

O que podem esperar os gondomarenses em 2017?
Queremos acima de tudo que a CED seja sustentável, ou seja, que não se esgote após o próximo ano. Para isso criamos uma Comissão Executiva que será responsável por delinear eixos estratégicos para a CED. Queremos também trazer a nossa identidade própria a estes eixos estratégicos e esperamos atingir esse objetivo através de três elementos: o rio, a filigrana e o ouro.

O que representam esses três elementos?
O rio está obviamente associado ao rio Douro. A filigrana representa a arte e a sua associação ao desporto. O ouro representa a riqueza que a CED deixará em Gondomar.

Do programa oficial, o que pode adiantar-nos?
Posso revelar que temos vários eventos internacionais, nacionais, regionais e locais que estão confirmados. Neste processo de planeamento todas as associações tiveram oportunidade de apresentar propostas à programação da CED e tivemos excelentes candidaturas.
Além disso, já confirmamos a realização do Europeu de “Masters” de Andebol [8 a 11 de junho de 2017] e posso garantir que a Volta a Portugal em Bicicleta vai regressar a Gondomar, com a partida de uma etapa.

Todas as modalidades vão estar representadas no programa oficial da CED?
Procuramos garantir a maior diversidade desportiva possível. Paralelamente a isso, queremos também garantir uma aposta em conferências, formações, workshops, entre outras iniciativas.
O plano de atividades será apresentado publicamente no dia 7 de dezembro. Nesse dia vamos divulgar todos os eventos confirmados, contudo, o plano de atividades será dinâmico e irá manter-se aberto durante o próximo ano.

Todas as freguesias do concelho vão receber eventos desportivos?
Essa foi uma das nossas maiores preocupações. Queremos que todas as freguesias tenham atividade desportiva. A freguesia que nos desperta mais preocupação é a Lomba, mas tudo faremos para garantir que exista atividade desportiva nessa freguesia. Estamos a preparar a organização de um trail que irá marcar a atividade desportiva na Lomba.

Como é que o Município vai resolver o problema do alojamento?
Reconhecemos que esse é um problema do concelho e estamos a trabalhar em parcerias para o resolver. Por norma, as Federações já nos indicam um hotel preferencial, mas o alojamento será decidido caso a caso.
Contudo, o executivo lamenta que não seja garantido o alojamento em Gondomar, mas não temos essas condições.

Vai existir uma interligação com os outros pelouros da autarquia?
Sim. O pelouro do Desporto está a promover essa interligação com os restantes pelouros da autarquia. Já temos programas desenvolvidos que irão dar a conhecer outras vertentes do concelho a quem nos visita.
Queremos relacionar o Desporto com a Educação, a Cultura, o Turismo, etc…

Quantas pessoas vão estar envolvidas na CED?
Uma das primeiras questões que procuramos resolver foi a do Banco Local de Voluntariado. Avançamos com um recrutamento alargado que está a dar frutos e temos tido uma grande adesão. Neste momento estamos com mais de 100 voluntários para a CED e continuamos a recrutar.

No que diz respeito aos espaços concelhios, o Pavilhão Municipal de Fânzeres, por exemplo, está neste momento a sofrer uma intervenção de fundo. Ficará concluída a tempo da CED?
O Pavilhão Municipal de Fânzeres tinha uma série de não conformidades no último jogo do hóquei em patins disputado naquele espaço. A vistoria detetou problemas de circulação dentro do pavilhão e nos balneários. A intervenção que está a decorrer procura colmatar essas falhas, porque é tem um espaço desportivo muito importante para nós.
O compromisso que temos é que fique pronto em fevereiro de 2017, mas quisemos salvaguardar um eventual atraso e agendamos os primeiros eventos desportivos naquele espaço para março de 2017.

Todos os outros espaços desportivos do concelho estão operacionais?
Neste momento estão. Temos uma equipa exclusivamente dedicada a visitar os equipamentos e a detetar eventuais falhas na gestão diária.
Os pavilhões de Valbom, Baguim do Monte e Jovim são os que nos causam maior preocupação, mas já estão em concursos públicos para remodelações e queremos que fiquem operacionais o mais depressa possível.

Quem são os embaixadores da CED 2017?
Neste momento temos 42 embaixadores da CED 2017. Todos eles foram escolhidos pela sua ligação a Gondomar. Temos o Ricardinho, o Fernando Gomes, o Reinaldo Ventura, entre outros, mas é injusto destacar algum porque estão todos ao mesmo nível. Procuramos representar as diversas modalidades praticadas em Gondomar.

Fale-nos do logótipo. Qual é a ligação da mascote com o concelho?
Queríamos um logótipo que aliasse os três elementos decisivos [rio, filigrana e ouro] ao desporto, representado através da sensação de movimento. Queremos que os gondomarenses saibam que Gondomar é Cidade Europeia do Desporto e acreditamos que o logótipo desenvolvido, que dará origem a uma mascote, pode ser importante para reforçar essa ligação.
A par disso, estamos a criar uma plataforma atualizada que vai disponibilizar a programação anual do CED, sendo que essa programação será atualizada trimestralmente.

Qual foi o maior obstáculo com que lidou durante esta caminhada?
Felizmente posso orgulhar-me de ter tido toda a colaboração possível, quer das Federações quer das instituições e associações desportivas.

Quem foi o seu maior apoio durante este percurso?
O presidente da Câmara de Gondomar, Marco Martins. Mas quero destacar também o importante apoio de Melchior Moreira, presidente do Turismo do Porto e Norte de Portugal, que acreditou sempre nesta vitória dos gondomarenses.

Qual é o orçamento para a CED 2017?
Existe um orçamento, mas ainda não estou em condições de adiantar o valor final.

O que podemos do momento inaugural da CED, no dia 14 de janeiro de 2017, no Multiusos de Gondomar?
Posso garantir que será um momento marcante na história das aberturas das Cidades Europeias do Desporto, em Portugal. Queremos deixar os gondomarenses orgulhosos desse momento inaugural.

Que desafio lança aos gondomarenses para 2017?

Espero que continuem a abraçar o desporto como têm feito até aqui. Gondomar é Desporto e temos que fazer valer o nosso lema. Queremos elevar Gondomar ao próximo patamar e a Cidade Europeia do Desporto é uma excelente oportunidade.

 

 

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