Joel Oliveira: “Para já não tenho como objetivo voltar para Portugal, mas quem sabe um dia mais tarde…”

Com apenas 29 anos, Joel Oliveira conta já no seu currículo com inúmeras experiências de trabalho. Saiu de Portugal com 21 anos onde era técnico de redes de informática e telecomunicações, mas já na Suíça trabalhou numa pizzaria, abriu uma loja de reparações de telemóveis, abriu uma empresa de criação de sites internet, redes de informática e telecomunicações (Wondercom) e, após um ano a viver em Portugal, regressou à Suíça onde trabalha na Pro Débouchage, uma empresa de desentupimentos de canalizações, em que tenciona recomeçar a sua vida com alguns projetos futuros em mente.

Que formação académica tiveste em Portugal?

Em Portugal, completei o 10.º  ano no Colégio Paulo VI, depois integrei um curso técnico profissional de Técnico de Informática, na Escola Profissional Bento de Jesus Caraça (EPBJC), no Porto, o qual terminei e me deu equivalência ao 12.º ano. Entretanto surgiu um curso CET, no ISMAI, o qual eu também integrei, mas só concluí o primeiro ano, pois recebi uma proposta de trabalho para instalações de redes na Vodafone.

O que te levou a emigrar para a Suíça?

Em Portugal, conheci, por mero acaso, uma rapariga de Felgueiras que vivia com o pai na Suíça. Começamos a falar pelo Facebook e ela acabou por vir ter comigo a Portugal e veio viver para casa da mãe. Eu ia ter com ela a Felgueiras todos os fins de semana, até que decidimo-nos juntar e, como eu tinha um bom emprego no Porto (estava a trabalhar na Viatel, grupo Visabeira), ela veio viver comigo para o Porto na esperança de encontrar um trabalho. Ao fim de 3 meses, desistiu, e propôs-me voltar para Felgueiras com ela. Estivemos meio ano em Felgueiras, e começou a haver algumas dificuldades para pagar as contas de casa, porque eu recebia o salário mínimo e ela não conseguiu encontrar trabalho. Comecei a dizer-lhe para falar com o pai dela, que ainda estava na Suíça, para nos levar para lá com ele porque estava a ser insustentável vivermos os 2, estando apenas eu a trabalhar e assim foi. No final desse meio ano que estivemos em Felgueiras, o pai dela pagou-nos dois bilhetes de avião para irmos até à beira dele.

Como é que foi a adaptação a um país novo?

O difícil foi mesmo aprender a língua. Na escola sempre tive preferência pelo Inglês, andei num instituto a aprender inglês, mas cheguei à Suíça e na região onde estava, o inglês não me ajudava em nada. Só sabia dizer os números em francês, “bonjour”, “merci” e pouco mais. O básico dos básicos mesmo. Claro que sabia perfeitamente para onde vinha e que teria que contar com tudo, mas adaptei-me bem e 3 meses depois de chegar, já tinha encontrado um emprego a entregar pizzas, que foi uma grande ajuda em tudo, até mesmo na língua.

Tens alguma história caricata ou curiosa destes anos que viveste e trabalhaste aí?

Em todos estes anos, muitas histórias curiosas e caricatas se foram passando, mas a mais caricata de todas foi mesmo quando fui perseguido por uma carrinha da polícia, à paisana e quando dei por mim, tinha uns 5 ou 6 carros da polícia à minha volta. Apareceram muito rápido, parecia mesmo uma cena de um filme de Hollywood. Isto tudo porque a carrinha que vinha atrás de mim, à paisana, confundiu o meu carro com um outro carro que tinha fugido a uma operação STOP no dia anterior à noite. Ainda fui alvo de um enorme questionário e inevitavelmente cheguei atrasado ao trabalho nesse dia.

O que te fez regressar 1 ano para Portugal e voltar outra vez para a Suíça?

A minha vida deu uma volta enorme desde que a nossa filha nasceu, a Lexie, então decidimos voltar, de vez, ao nosso país. O nosso objetivo foi abrir uma hamburgueria gourmet em Portugal e escolhemos abrir na Lixa, Felgueiras. Passado 3 meses de chegarmos a Portugal, inauguramos a hamburgueria e demos-lhe o nome da nossa filha. A nossa relação entretanto degradou-se e acabamos por nos separar. Então, depois de pensar muito bem, decidi voltar para a Suíça, porque é o país que sempre me acolheu, o país onde criei grandes amizades, e certamente onde poderei dar um melhor futuro à minha filha, se bem que ainda hoje sou apontado de ter deixado a minha filha, mas tento estar sempre presente por videochamada. Cheguei aqui sem qualquer trabalho e, acolhido em casa de um amigo, consegui de novo seguir a minha vida e, neste momento, já tenho um trabalho para me ir organizando e tenho a minha independência de novo.

Continuas a seguir as notícias em Portugal?

Sim, continuo a seguir as notícias em Portugal e mesmo no Mundo. Diariamente consulto um site noticioso que me informa das notícias de Portugal e do Mundo.

Tencionas um dia voltar de vez para Portugal?

Para já não tenho como objetivo voltar para Portugal, mas quem sabe um dia mais tarde, se surgir uma boa oportunidade de investimento em Portugal, que me dê sustentabilidade com certeza que voltarei. Até lá, no pior das hipóteses, vou quando me reformar.

Tens saudades de Portugal? Do que é que sentes mais falta?

De Portugal, em si, não tenho saudades. Aqui consigo ter uma tranquilidade diferente da que tenho em Portugal. O que me falta aqui é, sem dúvida, a minha filha principalmente, os meus familiares mais próximos e os novos amigos que criei em Gondomar, quando aí estive este ano. ■