100 anos de qualidade de ensino

Escola Secundária de Gondomar - 2015

A ESG está a comemorar o centenário da instituição / Foto: DR

Estamos em 2016 e a ESG chegou a um centenário de existência. Este estabelecimento de ensino foi criado por um despacho em 1916, tendo começado a funcionar no ano letivo seguinte (1917/18). Passado um século, faz correr tinta na história de Gondomar.

“Facilidade” não é uma palavra digna da ESG, que sempre lutou para caminhar para o sucesso. Foi necessário evoluir para se adaptar às novas eras. Em 1916, Gondomar viu nascer um novo estabelecimento de ensino. Esta nova escola passou por vários locais antes de se estabelecer onde está hoje. Chegou a ser conhecida como Escola de Artes e Ofícios, Escola de Ourivesaria de Gondomar e Escola da Quinta da Igreja, entre outros nomes. Esteve em Valbom mas, nos anos 60, sentiu necessidade de mudar de local. Começou a chamar-se Escola Industrial e Comercial de Gondomar e migrou para as instalações atuais.

O tempo foi passando, mas este estabelecimento nunca parou e foi crescendo de acordo com as necessidades educativas, que também se tornavam mais exigentes. Com a democratização do ensino e após o 25 de abril, a escola voltou a destacar-se. Inicialmente projetada para 1500 alunos, viu a procura aumentar de tal forma que esteve perto de abrigar 3000 estudantes. Foram, então, construídas mais treze salas, distribuídas por pavilhões. Contudo, o progresso nunca parou e, em meados dos anos 90, a direção da ESG apresentou um projeto à Direção Regional da Educação do Norte (DREN). Com a sua aprovação, Gondomar voltou a ver a escola evoluir e os tais pavilhões a juntarem-se ao edifício base.

No ano letivo de 2011/12 manteve-se o objetivo de ser um estabelecimento de ensino de excelência, a Escola Secundária de Gondomar decidiu modernizar-se. Sofreu uma remodelação profunda, conseguindo assim dar resposta às novas exigências. A imagem exterior e interior foi radicalmente alterada pela empresa Parque Escolar, tornando-a mais contemporânea.

Contudo, a direção da escola jamais aceitou que o passado fosse esquecido. Lília Silva, atual diretora do Agrupamento de Escolas Número 1 de Gondomar – que integra a ESG – admite que não se pode permitir que o futuro abafe o passado. “É verdade que esta escola, em termos físicos, mudou muito. E poderíamos cair no perigo da imagem, da cultura e da tradição da escola, ser beliscada. Mas nós não deixamos, de maneira nenhuma. Por isso, em vários espaços da escola é possível encontrar, por exemplo, antigos móveis que pertenceram ao passado da ESG. Poucas são as escolas que mantiveram os móveis, a biblioteca antiga, entre muitos outros elementos. Aliás, esta escola é uma espécie de museu aberto”, revelou a diretora com orgulho, reforçando a ideia que não há futuro sem as honras do passado.

Equipa Centenário ESG

Equipa responsável pelas comemorações do centenário da ESG / Foto: DR

Comemoração para “todos os que vestem a camisola da ESG”

Uma vez que a escola só começou a funcionar no final de 1917, com o início do ano letivo, a direção da ESG decidiu honrar essa particularidade. “Primeiro houve a criação legislativa e no ano seguinte houve o funcionamento efetivo. Assim sendo, as comemorações dos cem anos quase que se prolongam por dois anos”, afirmou.

Para enaltecer a memória da escola, considerada um dos motores de desenvolvimento do concelho no que diz respeito ao ensino, estão preparadas diversas atividades e encontros. Estes eventos já começaram no dia 8 de janeiro com um Concerto de Reis, que contou com vários grupos corais. Lília Silva levantou um pouco o mistério e explicou ao Vivacidade o que irá acontecer nas futuras festividades. “Vamos contar com personalidades como, por exemplo, o Fernando Alvim, a Diana Bastos e o Dr. Castro Poças, nossos ex-alunos. Iremos colaborar com uma série de pessoas relevantes no seu meio, que vêm dar o seu testemunho a propósito do tema – A importância da ESG na minha vida”, explicou, enquanto admitia que esperava a participação de antigos alunos, professores e diretores durante as comemorações.

Mas o centenário não será apenas celebrado com estes colóquios. Lília Silva explicou que se trata de uma operação que toca a todos os que “vestem a camisola da ESG”. Durante o ano letivo, vários setores da escola juntar-se-ão com os alunos para honrar esta efeméride. “Até setembro e em cada mês, cada um dos departamentos curriculares da escola irá dinamizar algumas atividades, que têm a ver com o departamento curricular. Por exemplo, em janeiro, o departamento curricular que está encarregue das comemorações é o Departamento das Ciências Sociais e Humanas. Já organizaram o Concerto de Reis, em parceria com o Conselho Geral, para além de duas exposições temporárias e uma que se tornará permanente”, esclareceu a diretora, eleita no último verão. Este departamento dinamizou, ainda, uma Galeria de Retratos que lembra todos os diretores da escola. Este trabalho ficará imortalizado na sala de visitas, para que as gerações futuras se lembrem das glórias dos que por aqui passaram.

Todavia, um gigante da cidade merece sempre mais. E o aspeto físico do estabelecimento, que chegou a ser conhecido como “Universidade de Gondomar”, também vai sentir a passagem dos cem anos. Lília Silva desvendou as ideias e os planos para os meses que se seguem. “Por exemplo, para fevereiro, as atividades vão ser dinamizadas pelo departamento de Língua Materna. Vão criar um painel de azulejos muito interessante, que representa as diferentes personalidades que passaram pela ESG. Também vai tornar-se uma exposição permanente. A ideia é que, ao longo destes meses, cada departamento dinamize atividades memoráveis. Daqui a 50 anos ainda serão parte da escola. Por exemplo, vamos colocar um painel de azulejos comemorativo no espaço exterior da escola”, confessou ao Vivacidade.

Lília Silva orgulha-se ainda de uma singularidade da ESG. “O que é que esta escola tem de diferente? Nem consigo identificar muito bem mas posso dar um exemplo. Comecei por fazer estágio na Régua e depois fui colocada aqui. Sou natural de Gondomar mas esta não tinha sido a minha primeira escolha. Quando cheguei ao final do primeiro período havia a possibilidade de concorrer e eu acabei por o fazer. Quando saiu o primeiro momento dos concursos, era possível desistir e eu estava cá há cerca de mês e meio. E desisti do concurso. Chegou um mês e meio para fazer com que não quisesse ir para mais lado nenhum, era mesmo aqui que queria ficar”.

As celebrações começaram no início do ano e a escola foi recebendo vários ex-estudantes. Enquanto se reuniram para prestar homenagem ao estabelecimento que os formou, não deixaram de elogiar e relembrar momentos marcantes. As ideias partilhadas acabam por ser similares. Para antigos alunos como Diana Basto (cantora), Hugo Gilberto (jornalista), Ricardo Pereira (investigador na FCT) e Maria de Sousa (enfermeira aposentada), a ESG foi como uma segunda casa, onde “ao entrar nos portões” todos eram iguais. A escola serviu como um trampolim, como um incentivo a ir mais longe, à criatividade e foi uma forma de se destacarem dos demais e ser único. Ninguém deixou de ressalvar a importância de um estabelecimento que, para além de ensinar, preparou milhares de jovens para o mundo.

Monografias Escola Secundária de Gondomar

Monografias da ESG recordam momentos mais relevantes do centenário / Foto: DR

“Ficamos muito contentes com o que já conseguimos”

O sucesso da Escola Secundária de Gondomar baseia-se em vários fatores, mas em primeiro estão “as pessoas que vivem a ESG”. Este marco é importante e Lília Silva não deixa de agradecer a todos os que vestem a camisola deste estabelecimento. “Os professores que cá trabalham são extremamente exigentes. Ficamos muito contentes com o que já conseguimos mas temos a certeza que vamos mais além e faremos ainda melhor. Isso percebe-se em todos os momentos e notou-se com o centenário da ESG”, destacou a diretora.

Desde muito cedo que a Escola Secundária de Gondomar marcou o concelho. As expectativas em relação ao futuro da escola são grandes. Para não as defraudar, Lília Silva promete nunca cruzar os braços. “Temos um passado forte que nos permite encarar muito bem o futuro”.

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