800 Gondomar: “Vamos iniciar uma tour europeia, mas para nós era importante tocar em Gondomar”

800 Gondomar - outubro 2017

Os 800 Gondomar lançaram recentemente o seu primeiro disco, “Linhas de Baixo” / Foto: Direitos Reservados

Rui Bandeira, baterista, e Alô Farooq, baixista, são dois dos três membros dos 800 Gondomar, projeto musical de Rio Tinto que tem dado cartas no panorama nacional do garage rock. O primeiro disco de estúdio, intitulado “Linhas de Baixo”, já está à venda e traz consigo a primeira tour europeia da banda.

A nossa última conversa foi em 2015. Na altura, os 800 Gondomar tinham quatro músicos e acabavam de lançar o primeiro EP. Comecemos por aí, o que levou à saída do Diogo Nascimento [guitarra solo]?
Rui Bandeira (RB) – O Diogo era catequista, sempre deu grande importância à família e tinha outras ocupações e acabou por não ter tempo para a banda. Em vez de o substituirmos resolvemos modificar as poucas músicas que tínhamos na altura para o formato de trio. O nosso reportório ainda era curto, por isso foi um processo pacífico.

Na altura já tinham vendido todos os exemplares do vosso primeiro EP. Entretanto surgiu o segundo disco, intitulado “Circunvalação”…
RB – Exatamente. Foi esse segundo EP que nos levou a palcos fora do Porto.

Alô Farooq (AF) – Desde que editamos esse trabalho demos mais de 60 concertos. Até ao segundo EP não tocávamos tanto ao vivo. Essa foi a nossa rampa para os palcos e levou-nos a pensar que este projeto poderia tornar-se uma coisa séria.

Foram esses concertos que definiram que os 800 Gondomar tinham vindo para ficar?
AF – Não quer dizer que não sentíssemos isso antes do “Circunvalação”, mas passamos a ter a legitimidade para sair da garagem, além do apoio incondicional da nossa família e amigos.

Hoje, dois anos depois da vossa primeira entrevista ao nosso jornal, o que vos motiva a continuar?
RB – Continuamos com a mentalidade de falarmos sobre nós, das nossas histórias.

AF – Gostamos de ser simples e verdadeiros à mesma, sem lirismos excessivos nas letras da música. Fazemos as nossas vidas em Gondomar e no Porto, por isso falamos disso também, mas o disco não é exclusivamente sobre isso. Falamos de nós mas não queremos que seja só sobre nós.

Este é o vosso primeiro trabalho de estúdio. Porquê o nome “Linhas de Baixo”?
AF – A escolha do título foi complicada. Não tínhamos nenhuma ideia inicial e acabou por surgir em conversas entre a banda. Soa bem, fica no ouvido e reflete o imaginário melancólico, triste e deprimente que existe ao longo do disco.

RB – São histórias de quem bateu no fundo. Podemos estar a falar de uma depressão ou de dificuldades financeiras. São histórias de quem se sente em baixo.

Quantos exemplares foram editados?
AF – Editamos 120 cassetes e 250 cd’s. Apostamos na cassete pelo revivalismo que estamos a viver e porque pode tornar-se uma peça de colecionador. Além disso, quem compra a cassete tem um código para descarregar as versões digitais das músicas. Também podem ouvir as nossas músicas nas principais plataformas de streaming.

O “Linhas de Baixo” está a ser promovido com o videoclipe do tema “Sou Cidadão”. Que feedback estão a ter?
AF – Está a superar as nossas expectativas. O último vídeo que tínhamos era da música “O Cabeçudo” e queríamos que este “Sou Cidadão” continuasse essa história. Foi feito por nós porque sentimo-nos capazes de fazer a nossa própria divulgação.

Alguma vez se sentiram condicionados pelo nome 800 Gondomar?
RB – Pelo contrário, temos sido muito bem recebidos em todos os palcos. Levamos no nome a nossa identidade e todos acabam por conhecer Gondomar, sobretudo no Norte do país. Curiosamente ainda não tocamos em Gondomar, mas esperamos que isso aconteça.

Vamos iniciar uma tour europeia, mas para nós era importante tocar em Gondomar.

O que esperam da vossa primeira tour europeia?
AF – Queremos fazer chegar a nossa música ao maior número de pessoas. Estamos a tornar-nos mais profissionais e queremos ser ainda melhores. Ao tocarmos todos os dias ao vivo durante um mês só pode ser positivo para nós.

RB – Vai acontecer-nos um pouco de tudo. Vamos fazer um roteiro entre Portugal e Suécia, passando por Espanha, sul de França, Itália, Suíça, Alemanha, Dinamarca e Suécia. Tudo isto em mês e meio. São mais de 30 concertos. Vamos andar na estrada com os The Sunflowers.

Ainda é cedo para falar num sucessor do “Linhas de Baixo”?
AF – Sabemos que queremos começar a compor temas novos quando regressarmos da tour europeia, mas ainda é cedo para falar.

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