“A população quer que eu continue e há uma lei que me impede de continuar”

Nuno Coelho / Foto: Ricardo Vieira Caldas

Nuno Coelho / Foto: Ricardo Vieira Caldas

Há dez anos à frente da Junta de Freguesia de Baguim do Monte, Nuno Coelho não quer pensar no dia em que vai ter que abandonar o cargo. Apesar de ser a favor da rotatividade dos cargos políticos, o autarca não esconde que “acha injusta” a lei que impede a população de querer manter alguém a comandar os destinos da freguesia. O Vivacidade acompanhou um dia na rotina de Nuno Coelho.

Por Ricardo Vieira Caldas e Pedro Santos Ferreira

O relógio marca 8h50 quando Nuno Coelho, presidente da Junta de Freguesia de Baguim do Monte, chega a uma confeitaria situada em frente ao edifício da Junta para tomar o pequeno-almoço. Enquanto se vai atualizando com as notícias publicadas pela imprensa diária, tem já na mente a agenda para o dia. “Vou ao cemitério quase todos os dias, passo pela Cruz Vermelha e dou prioridade a ir aos locais perceber os problemas das pessoas”, começa por dizer.

O atual mandato – o último de Nuno Coelho – é um assunto que o presidente da Junta de Baguim prefere não abordar. O autarca considera “injusta” a lei que impede um presidente candidatar-se a mais de dois mandatos – de quatro anos – consecutivos. “Ou continuo na política ou tenho que entrar noutra área”, lamenta ao Vivacidade. Arquiteto de profissão, Nuno Coelho crê que ainda é cedo para abandonar a política, apesar de achar que o seu cargo enquanto autarca exige muito trabalho. “Não é fácil ser presidente de Junta. Tem que ter capacidade crítica, não pode ser um indivíduo demasiado distante e tem que ter empatia suficiente para sentir os problemas dos cidadãos”, adianta sem se querer alongar muito sobre o tema.

Na Junta há cinema para os alunos da Centro Escolar de Baguim. A iniciativa semanal impulsionada pelo presidente, que prefere ver “o auditório ocupado”, é o “primeiro contacto de muitas crianças” com a sétima arte.

Já no gabinete do executivo, Nuno Coelho, despacha requisições, documentos e processos da autarquia. Entre os pedidos mais urgentes destacam-se os casos de “desemprego, procura de habitações e apoios sociais”. Os aspetos sociais são, de resto, uma constante preocupação do autarca socialista. Na Junta de Freguesia de Baguim do Monte há, por exemplo, formação conjunta para a população e a abertura da época balnear para crianças e idosos, com viagem e monitorização a cargo da autarquia. Ainda na área social, o mais recente projeto da Junta de Baguim, a delegação gondomarense da Cruz Vermelha Portuguesa (CVP), instalada na antiga Escola Básica de Torregim, merece a atenção diária de Nuno Coelho que tem acompanhado de perto a evolução das obras no edifício sede e o apoio prestado à população.

Ao nosso jornal o presidente revela a próxima valência a ser inaugurada na CVP. “A Casa Abrigo de Emergência Social vai ter uma tipologia T3 para situações de emergência, ou seja, vítimas de violência doméstica que vão ficar protegidas durante uma ou duas semanas, no máximo. A casa terá as condições mínimas de habitação: três quartos, uma sala, uma cozinha e uma casa-de-banho”, explica o autarca.

Durante a manhã, Nuno Coelho aproveita ainda para visitar o cemitério da freguesia onde estão a decorrer obras de remodelação. “Vamos criar um espaço para as cinzas com várias roseiras e uma oliveira plantada”, afirma. O equipamento é uma das principais fontes de rendimento da Junta e já sofreu várias intervenções na sua estrutura. Uma das próximas poderá ser a criação de uma zona verde com relvado semelhante aos memoriais americanos.

Duas obras “obrigatórias” antes de acabar o mandato

À data desta reportagem ainda não tinha sido lançado o concurso para a construção do Centro de Saúde de Baguim do Monte, no entanto, Nuno Coelho apontou a obra como uma das lutas que gostaria de ver conquistadas antes de abandonar o cargo. “Só fico descansado quando tiver a primeira pedra lançada mas sei que o Centro de Saúde vai começar a ser construído antes de eu sair”, deixa escapar ao Vivacidade. A segunda empreitada que o autarca quer ver concluída prende-se com a construção de uma cobertura para o Polidesportivo do Crasto, equipamento que serviria ainda para a instalação de hortas comunitárias.

Já em construção está a desejada rotunda de Vale de Ferreiros, após vários anos de reivindicação baguinense. “É uma obra fundamental à fluidez do trânsito que deve demorar cerca de um mês a ficar pronta”, explica o presidente.

Para a concretização da obra a Junta conta com o apoio da Câmara de Gondomar e Nuno Coelho admite uma “melhoria” na relação com o executivo liderado por Marco Martins. “O executivo do Município de Gondomar partilha a nossa forma de pensar”, conclui o autarca.

, , ,