“A qualidade do café em Portugal é altíssima”

Café português tem cada vez mais qualidade / Foto: Pedro Santos Ferreira

Café português tem cada vez mais qualidade / Foto: Pedro Santos Ferreira

Se pensa que Portugal é um dos maiores consumidores de café da Europa, desengane-se. O consumo per capita de café no nosso país é um dos mais baixos da Europa. Mas a qualidade, ninguém a tira, segundo os especialistas, e aí Portugal está entre os melhores do mundo, em cafés expresso. A tendência do consumo está a mudar e os portugueses consomem cada vez mais expressos de máquina em casa. Para perceber como se encontra o mercado do café nos dias de hoje, o Vivacidade visitou as instalações de uma das maiores empresas de café em Portugal, a Torrié, em Rio Tinto.

Alexandre Almeida, é o responsável pelo Departamento de Qualidade da marca de café Torrié, sediada e criada nos anos 80 pela mão de José Maria Vieira, em Rio Tinto. As instalações albergam todo o processo de produção, torrefação e embalamento do café e o técnico especializado certifica-se de que nada corre mal desde a receção dos sacos de café verde – provenientes dos vários produtores mundiais – até à torrefação propriamente dita e à prova do café.

A colheita do café e os ‘blends’

“O processo da colheita é-nos vedado. Tentamos ir o mais longe possível, até à origem, para tentar acompanhar todo o processo e garantir padrões de qualidade e regularidade”, explica Alexandre Almeida. “Mas para o consumidor isso passa quase tudo ao lado”, acrescenta.

Alexandre Almeida, departamento de qualidade da Torrié / Foto: Pedro Santos Ferreira

Alexandre Almeida, departamento de qualidade da Torrié / Foto: Pedro Santos Ferreira

O café da marca gondomarense é proveniente de vários países do mundo. Desde a América, com destaque para o Brasil, Colômbia, Guatemala, Nicarágua, Havai e México, passando por África, onde Angola assume agora um papel importante e acabando no segundo maior produtor de café do mundo, Vietname, no Sudeste Asiático, o café chega às portas do armazém de Rio Tinto em duas variedades mundialmente conhecidas, arábica e robusta. A primeira é responsável por 75% da produção mundial e a segunda, apenas por 24%, deixando o restante para outras espécies de café, mais residuais. As duas principais variedades complementam-se e por isso são criadas misturas, conhecidas, na gíria, como blends [termo inglês].

Na origem, os cafeeiros são processados normalmente, como numa vinha, e produzem uma baga, conhecida como semente do café, que vai ser depois processada já nas fábricas, em Gondomar.

“A diversidade da nossa matéria prima é muito elevada e jogamos com isso. A Torrié trabalha com blends de altíssima complexidade. Temos blends com sete, oito, nove, dez origens e isso significa que sob o ponto de vista sensorial conseguimos ter uma maior riqueza, sob o ponto de vista da segurança alimentar criamos aqui uma divisão e sob o ponto de vista da homogeneidade da qualidade também atingimos um patamar maior”, comenta Alexandre.

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