Abílio Cunha: “Aprendemos imenso nestes 15 anos com as gentes de Gondomar”

Abílio Cunha - dezembro 2018

Abílio Cunha renovou o mandato na liderança da direção da APPC / Foto: Arquivo Vivacidade

Abílio Cunha foi recentemente reeleito presidente da direção da Associação do Porto de Paralisia Cerebral. Na primeira entrevista após a tomada de posse, o dirigente da APPC fala sobre o futuro da instituição, o acolhimento dos gondomarenses e os projetos para os próximos anos da “Villa Urbana” de Valbom.

A nova direção da APPC e o seu “regresso” à liderança da instituição é o retomar de um percurso ou, genericamente, será para dar continuidade ao que já estava estabelecido?
Sim, é sem dúvida o retomar de um percurso por uma APPC cada vez mais forte e solidária, em defesa das pessoas.

Relativamente à “Villa Urbana”, estrutura central da intervenção da APPC no Município de Gondomar, há algum grande projeto por concretizar? Alguma lacuna para suprir?
Gondomar desde sempre foi um território com muita responsabilidade na dimensão da APPC. Neste  momento a  nossa maior preocupação no que diz respeito à Villa Urbana é resolver a urgente necessidade de reabilitação do edificio. Com 15 anos, feitos muito recentemente, estamos a programar uma intervenção profunda ao nível das infiltrações, para que possamos continuar a garantir a qualidade de vida e de conforto dos residentes, mas também de todos os clientes dos restantes serviços que aqui estão a funcionar.  O  último levantamento que fizemos relativamente às necessidades de intervenção rondava os 500 mil euros.

Em 2019, a direção prevê investir um quarto deste valor em melhorias dos espaços.

O concelho de Gondomar continua a não dispor das melhores condições para pessoas com mobilidade reduzida. Acredita que o projeto municipal previsto na área da Reabilitação Urbana se concretizará? E, se sim, acha que serão corrigidos alguns lapsos?
Sim, é verdade que ainda há muitas situações que necessitam de ser corrigidas. Recordo que o Município de Gondomar sempre mostrou sensibilidade para auscultar e resolver estes problemas, e sim, acredito que as mudanças a partir do ARU serão fundamentais para corrigir os problemas de acessibilidades.

Da nossa parte poderão continuar a contar com uma postura interventiva, participativa e colaborativa para que o projeto municipal previsto na área da Reabilitação Urbana seja um sucesso e para que as pessoas de Gondomar sintam orgulho em viver num concelho inclusivo e com cada vez maior qualidade de vida.

A “Villa” continua a ser um espaço aberto à comunidade? É por isso que há abrangência de serviços?
Sim, é objetivo desta direção continuar a cultivar esta cultura de partilha. Aprendemos todos os dias as melhores estratégias para antecipar problemas individuais nas pessoas com deficiência através, por exemplo, da observação da dinâmica dos seniores que frequentam o Centro Comunitário. Sem esquecermos as crianças e famílias do Jardim de Infância ou do ATL, nos mesmos espaços de vivência das pessoas com deficiência.

Esta é a abrangência que queremos defender e que poderá passar também por acolher novos projetos ou programas, colaborando cada vez mais para o bem comum.

Qual foi o principal “contributo” que a “Villa Urbana” trouxe a Gondomar?
Julgo que trouxemos para o espaço comunitário a maior visibilidade das pessoas com deficiência, contribuindo para o aumento da sensibilidade e conhecimento de todos e todas, acerca da paralisia cerebral e das pessoas com deficiência. Aprendemos imenso nestes 15 anos com as gentes de Gondomar. Ficamos muito honrados com a forma como fomos e continuamos a ser acolhidos em Gondomar. No balanço que faço, estou convicto que a APPC está hoje mais viva e que muita desta vitalidade, resulta do que recebeu neste concelho.

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