André Azevedo: «Uma passagem que culminou com a conquista do decacampeonato, foi realmente mágico»

André Azevedo voltou a assinar recentemente pela Juventude de Viana / Foto: Direitos Reservados

André Azevedo, hoquista gondomarense de 41 anos, cedo piscou o olho aos patins e desde então nunca mais os largou. A importância de valorizar o desporto no nosso concelho, os anos de ouro da sua carreira e o que ainda falta fazer. André fala-nos sobre isto e muito mais.

O que está por trás da sua paixão pelo Hóquei em Patins?

A minha paixão pelo hóquei em patins surgiu através do meu pai, que foi também jogador. Com seis anos ia com ele ver vários jogos a Fânzeres e criei logo uma empatia enorme com o desporto. Os patins e os sticks tornam este desporto um pouco radical, algo que cativa muito as crianças. Apesar de ter praticado outros desportos, como futebol e karaté, o hóquei foi o que mais me interessou.

E tudo começou em Fânzeres…

É verdade, foi onde tudo isto começou. Admiro muito aquele clube, ainda hoje falo várias vezes com o presidente de forma a tentar melhorar algumas coisas. Penso que todos os gondomarenses deviam apoiar aquela instituição, é o clube da nossa terra e possui uma grande tradição.

Assinou recentemente pela Juventude de Viana por mais um ano. O que significa representar esse clube?

A Juventude de Viana é um clube que me marcou muito. Uma segunda casa. Possibilitou-me a ida para o FC Porto e acolheu-me sempre de forma fantástica. O FC Porto deu-me títulos, mas a nível pessoal a Juventude diz-me mesmo muito. Tenho um relacionamento com a equipa técnica e com a direção quase familiar. E agora pediram-me para jogar por mais um ano e eu tive que aceitar.

Depois dos anos de dragão ao peito, o balanço é positivo?

Muito positivo! Foram anos de ouro. Eu comecei em Fânzeres, mas fiz toda a minha formação no FC Porto, até aos juniores. Depois foi hora de representar clubes como Valongo, Infante Sagres, Juventude de Viana. Sendo que fui parar de novo ao FC Porto com 30 anos. Houve sempre uma enorme empatia, é o meu clube do coração e fui campeão em todas as épocas que lá joguei, na formação e como sénior. Uma passagem que culminou com a conquista do decacampeonato, foi realmente mágico.

Consegue apontar o momento alto da sua carreira?

Não é fácil dizer um. Felizmente, foi uma carreira muito boa, repleta de grandes momentos. Ou melhor, ainda é [risos]. Mas a ida à seleção nacional foi o melhor momento de todos. Representar o nosso país é único. É inesquecível.

E atingiu a sua primeira internacionalização com 34 anos. Considera que chegou tarde?

Estamos sempre na esperança de sermos chamados para representar o nosso país. Mas eu também apanhei um período muito positivo do hóquei nacional. Pedro Alves, Paulo Alves, Paulo Almeida, entre outros, fizeram uma década fantástica. Colhemos frutos, mas depois também tivemos alguns dissabores. E porquê? Porque não existiu uma fase de transição. Mas a minha chamada aconteceu aos 34 anos. Como costumo dizer, é bem melhor do que não aparecer. A idade no hóquei não me diz muito. Deve-se analisar os atletas pelo seu valor e não pela idade.

Teve que abdicar de muita coisa em prol da sua carreira como hoquista?

Abdicamos sempre de algumas coisas. A vida social fica um pouco afetada. Perdemos férias, não estamos tanto tempo com os nossos amigos quanto desejávamos, mas a minha família é fabulosa e sempre me apoiou e acompanhou. Ainda assim, eu sempre quis e consegui conciliar o hóquei com o trabalho. Sempre pensei na minha segunda carreira, tendo, por isso, uma outra atividade profissional. A Sónia, a minha esposa, tem um papel fulcral na minha carreira como hoquista. Sempre me incentivou a continuar.

Qual o companheiro de equipa que mais o marcou?

É muito difícil, marcaram-me vários. Mas não posso deixar de mencionar o Pedro Neto, foi o meu primeiro grande capitão. No Infante Sagres. Voltei a encontrá-lo mais tarde, na Juventude de Viana. Sendo que depois também tive outros, ao longo de tantos anos de carreira é normal. Filipe Santos e Reinaldo Ventura são dois exemplos.

E o treinador?

Costumo dizer que nós aprendemos até com os piores treinadores. Quanto mais não seja pelas coisas que não devemos fazer. Eu neste momento vejo um treinador de uma maneira diferente do que via com 20 anos e encaro as decisões dele de maneira diferente, isso chama-se experiência. Posto isto, devo dizer-te que há três treinadores que me ensinaram muito. O Franklin Pais, no FC Porto, o Paulo Baptista, na Juventude de Viana que também já foi selecionador nacional, e o Fernando Falé.

Qual a sua principal mais-valia enquanto hoquista?

Diria que sou um jogador tecnicista e com visão de jogo. Neste desporto, existe um avançado, um pivô ofensivo – um avançado que joga mais por fora -, um médio ofensivo e um defesa. Joguei como pivô ofensivo, criativo, durante vários anos. Neste momento carrego um bocadinho mais o jogo, jogando como médio ofensivo. Como em tudo, tens que te ir adaptando.

Como embaixador da CED, o que faria para dinamizar esta modalidade no concelho?

Já tivemos aqui uma final da Taça de Portugal. Criar estes eventos e aproveitar o nosso Multiusos são medidas fundamentais. O hóquei é a modalidade que mais cativa as pessoas a assistirem ao vivo, depois do futebol. Os próprios canais dos clubes grandes têm feito várias transmissões televisivas, mediatizando este belo desporto. É esse o caminho!

André, o que falta fazer na sua carreira?

Ganhar uma Liga Europeia. Ou melhor, uma competição europeia por clubes. Porque na seleção ainda ganhei uma Taça das Nações. Vamos ver, nunca se sabe. Pode ser para o ano em Viana. Estamos na Taça CERES. Neste momento é mais fácil conquistar uma Taça CERES do que, por exemplo, a Taça de Portugal, dado que nenhuma equipa que lá está se equivale a FC Porto, Benfica ou Oliveirense.

 

 

 

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