André Cardoso: “O grande objetivo é participar no Tour e ganhar uma etapa no Giro ou na Vuelta”

O ciclista gondomarense vai participar na Volta a Espanha / Foto: Pedro Santos Ferreira

O ciclista gondomarense vai participar na Volta a Espanha / Foto: Pedro Santos Ferreira

Aos 31 anos, André Cardoso, ciclista gondomarense, obteve o 3.º melhor resultado português na Volta a Itália. Em entrevista ao Vivacidade, o atleta da equipa norte-americana Cannondale traça os objetivos para as próximas Voltas e confirma a vontade de estar presente nos Jogos Olímpicos 2016.

Quando é que desperta a tua paixão pelo ciclismo?
Quando era criança, curiosamente no Centro Ciclista de Gondomar (CCG). Na altura a sede da associação era no Taralhão e já na altura o CCG realizava uma prova de ciclismo para os mais novos. Eu morava perto do CCG e do ciclista gondomarense Paulo Ferreira. Tudo isso despertou-me para a modalidade. Foi então que comecei a treinar com o Paulo Ferreira, o Pedro Barnabé, o Cândido Barbosa, entre outros, e aprendi muito com eles.

A curiosidade transformou-se em profissão…
Sim, acabou por acontecer isso. Fui para a Associação Desportiva Leões Cabanenses, em Jovim, passei ainda pela equipa de ciclismo do Gondomar e depois segui o meu percurso até à Cannondale.

Quando é que surge a tua alcunha, o “Xolas”?
Surgiu na escola, em Gondomar. A alcunha pegou e passou para o ciclismo, mas é mais conhecida em Portugal. Lá fora ainda não sabem disso [risos].

E a especialidade, trepador?
É a minha melhor arma e é de facto a minha especialidade.

A tua mais recente conquista foi o 14.º lugar no Giro d’Itália. Foi a tua melhor participação em provas World Tour e o 3.º melhor resultado português a nível mundial…
São dados importantes para a minha carreira. A equipa tinha um grande líder, mas surgiram alguns problemas de saúde e o meu papel era acompanhá-lo sempre. Contudo, no Giro o meu objetivo era disputar uma etapa e vencê-la.

Esse objetivo ficou por cumprir…
Infelizmente. No entanto, o resultado que consegui é muito bom, mas ganhar uma etapa é mais marcante.

Foste o único português em prova, ao longo da Volta a Itália foste recebendo apoio dos portugueses?
Recebo sempre mensagens de apoio, mas durante a competição nunca falei português. Ainda assim, nas partidas e nas chegadas das etapas ouvia sempre algumas pessoas gritarem por mim.

Quais são as próximas competições que vais disputar?
A próxima competição em que vou entrar é na Volta à Polónia, de 12 a 18 de julho. Depois realizam-se os Jogos Olímpicos e a Volta a Espanha.
Acredito que posso estar nos Jogos Olímpicos, mas o selecionador é que tomará essa opção. Vou dedicar-me ao máximo e espero participar na modalidade de ciclismo de estrada. Já participei nos Jogos Olímpicos de Pequim e gostaria de repetir a presença no Rio de Janeiro.

Na Volta a Espanha vais lutar por vencer uma etapa?
Vai ser difícil mas é o meu objetivo.

Em que patamar ficam a Volta a Portugal e a Volta a França?
Sempre disse que gostava de participar na Volta a França. É o ponto alto do ciclismo e todos querem chegar ao Tour. Já participei durante muitos anos na Volta a Portugal e tive perto de a vencer, mas não penso muito nisso. Ganhei a etapa rainha e em 2007 fui “rei da montanha”. Gostava de ganhar uma Volta a Portugal mas não vivo obcecado por isso. O grande objetivo é participar no Tour e ganhar uma etapa no Giro ou na Vuelta.

Acompanhas o ciclismo em Portugal?
Sem dúvida. Era importante que a modalidade crescesse em Portugal. Temos ciclistas jovens com talento e profissionalismo de grandes equipas. Julgo que a equipa do FC Porto pode mudar o paradigma do ciclismo nacional.

No final das grandes provas regressas sempre a Gondomar…
Sim, volto para casa e para a família. Passo muito tempo fora e é sempre importante regressar a casa. Gondomar é o meu refúgio. Gosto de treinar aqui e as pessoas são carinhosas e valorizam o meu trabalho.

No ano passado foste nomeado atleta do ano na Gala do Desporto da Câmara de Gondomar. Foi um reconhecimento do teu trabalho?
Sim, é sempre importante sermos reconhecidos. Ser homenageado pelo meu trabalho no ciclismo é bom e faço questão de levar Gondomar comigo. Não tive problema nenhum de perder para o Ricardinho porque admiro-o muito [risos].

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