André Lázaro: “Seria um orgulho que os mais jovens me vissem como um exemplo a seguir”

André Lázaro - dezembro 2016

André Lázaro, atleta da equipa de voleibol do Leixões / Foto: Direitos Reservados

O voleibol sempre foi a grande paixão e permitir o melhor ataque aos seus companheiros o maior talento. André Lázaro, atleta gondomarense de 19 anos, recusa virar a cara à luta sempre que veste a camisola do Leixões e, dia após dia, vai em busca de um futuro bastante risonho dentro da sua modalidade de eleição.

Como surgiu a tua paixão pelo voleibol?
Na minha família sempre houve uma grande tradição no que toca ao desporto. Graças a isto, o desporto sempre esteve presente na minha vida. Comecei por jogar futebol nos “Panterinhas” do Boavista Futebol Clube, mas como ficava longe de casa tive de deixar de praticar futebol e fui jogar basquetebol para o FC Porto. Como os treinos eram na Faculdade de Desporto da Universidade do Porto e o meu pai dava lá aulas, facilitava a minha prática desportiva. Estive no basquetebol cerca de dois anos, mas depois os treinos mudaram de sítio e ficava, mais uma vez, longe de casa e, portanto, tive de deixar de jogar. Como o meu pai pretendia que tivesse uma vivência desportiva alargada, depois do futebol e do basquetebol, aos 10 anos entrei para o voleibol. Ao contrário do que aconteceu nos outros desportos, o voleibol chegou à minha vida e nunca mais saiu. Praticamente durante 10 anos tem sido uma rotina, este desporto, sem dúvida alguma, cativou-me de uma maneira especial.

Quais foram as maiores dificuldades que enfrentaste ao longo da tua carreira?
Felizmente, ao longo da minha ainda curta carreira nunca tive lesões e, por isso, nunca tive nenhuma dificuldade a nível físico. No entanto, já tive de lidar com outro tipo de dificuldades, sendo uma delas a conciliação dos estudos com a parte desportiva. Sempre tive como objetivo entrar no curso que queria e não no que podia e, por isso, tinha de ter os objetivos bem definidos e tirar boas notas. Conciliar tudo com qualidade nem sempre é fácil.

Atualmente, o Leixões está mal classificado na Divisão A1. Quais são as tuas perspetivas para o futuro tendo em conta o vosso grupo de trabalho?
A equipa, neste momento, está a passar por algumas dificuldades. Ainda não conseguimos estabilizar o nosso jogo, no entanto, temos um plantel forte e coeso e, com certeza, vamos passar esta fase menos boa e alcançar os objetivos que traçamos no início da temporada. Ainda faltam muitas jornadas para o fim do campeonato e o plantel tem a perfeita noção do seu valor. Iremos fazer os possíveis e os impossíveis para dignificar o Leixões e toda a sua massa adepta.

Ser distribuidor sempre foi o teu maior foco neste desporto?
Quando comecei a praticar este desporto nunca tive uma posição que gostasse mais, desde o início sempre fui um jogador polivalente, capaz de fazer todas as posições. No entanto, com o passar dos anos, comecei a ganhar um gosto especial por ser distribuidor. É uma posição diferente de todas as outras, fascina-me imenso e não me imagino a atuar em nenhuma outra posição neste momento.

Quais são os teus grandes objetivos no que toca ao voleibol? Até onde esperas chegar?
Em relação ao voleibol pretendo, principalmente, ser um ídolo para os praticantes da modalidade. Seria um orgulho que os mais jovens me vissem como um exemplo a seguir. Gostaria também de poder conquistar todas as competições existentes em Portugal e, quem sabe, um dia ter uma experiência no estrangeiro, apesar de ser bastante difícil, tenho consciência disso.

Sei que já representaste a seleção portuguesa nos escalões mais jovens. Qual foi a sensação?
Sem margem para dúvidas, representar a seleção portuguesa foi algo indescritível. Não é possível dizer por palavras o orgulho que é vestir a camisola da seleção. Para além de se estar a representar um país, está-se a representar uma nação, é uma enorme responsabilidade e, sobretudo, um motivo de orgulho, pois é a confirmação de que o trabalho árduo ao longo dos anos foi recompensado.

Na tua opinião, o que se poderia fazer para potencializar o voleibol em Portugal?
Em primeiro lugar, penso que seria bastante importante promover mais a modalidade. Tanto a Federação como os clubes deveriam fazer campanhas de promoção à modalidade, apesar de isto já estar a ser feito, deveria ser feito com mais frequência. Em segundo lugar, as seleções das camadas jovens deveriam treinar mais, uma vez que o nível internacional está a melhorar cada vez mais e, da forma como está estruturado o voleibol português, é impossível competir contra as maiores potências mundiais. Os jogadores das seleções deveriam estar “concentrados” durante todo o ano e treinar como atletas de alto rendimento para ser possível alcançar as outras seleções, mas para isso é preciso também haver bem mais apoios por parte do Estado…

Quais são os teus maiores ídolos dentro desta modalidade?
É uma pergunta bastante difícil de responder… Acho que não tenho nenhum ídolo neste momento, mas sim referências, jogadores que são um exemplo para mim. Sendo provavelmente o Fábio Milhazes a minha principal referência. Ele é da mesma equipa do que eu e ajuda-me bastante ao longo dos treinos e dos jogos. Inevitavelmente, como para todos os jogadores portugueses de voleibol, o Miguel Maia também é para mim uma enorme referência. É o melhor jogador português de todos os tempos e é com um enorme orgulho que posso afirmar que já joguei contra ele.

Dado que Gondomar será Cidade Europeia do Desporto em 2017, gostarias de ver uma maior aposta no voleibol?
Sendo Gondomar a Cidade Europeia do Desporto em 2017, seria muito importante que houvesse uma forte aposta na dinamização do desporto em geral na cidade de Gondomar. Ainda assim, ficaria bastante feliz que houvesse uma aposta no desenvolvimento do voleibol na nossa cidade, tendo esta já alguma tradição na modalidade. Pessoalmente, ficaria bastante agradado se o clube onde comecei a jogar voleibol voltasse a ser uma referência nacional. Seria importante e um motivo de orgulho para todos os gondomarenses.

E qual foi esse clube?
Foi a Associação Nun’Álvares de Gondomar (Ala) e foi, neste mesmo clube, que fiz a maior parte da minha formação. Joguei cerca de seis anos na Ala de Gondomar.

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