António Braz: “Espero que os cidadãos fiquem convencidos que valeu a pena apostar em nós”

António Braz - outubro 2017

António Braz é o presidente da União das Freguesias de Gondomar (São Cosme), Valbom e Jovim / Foto: Pedro Santos Ferreira

O socialista António Braz foi o escolhido para governar a União das Freguesias de Gondomar (São Cosme), Valbom e Jovim, nas últimas eleições autárquicas. Na primeira entrevista após a eleição e tomada de posse, o autarca assume querer honrar o “voto de confiança” e espera fazer melhor que a gestão social-democrata.

Obteve 32,73% dos votos dos habitantes de Gondomar (São Cosme), Valbom e Jovim. Este resultado correspondeu à expectativa da sua candidatura?
A nossa expectativa foi sempre de alcançar a vitória. Tínhamos condições para isso, até pelo resultado obtido em 2013. Ficamos também com a sensação que o anterior presidente não tinha aumentado a sua notoriedade – pelo menos em Valbom e Jovim – e os números provaram isso mesmo. Sabíamos que tínhamos que fazer melhor em Gondomar (São Cosme) e aguentar o resultado obtido em 2013, em Valbom e Jovim. Felizmente, subimos em todos as variantes.

Conseguimos isso através de uma lista com mais qualidade, com uma campanha mais ativa e com personalidades de todos os quadrantes políticos.

Sente que foi favorecido pela candidatura independente do Movimento Valentim Loureiro?
Penso que os números demonstram que mesmo sem essa candidatura conseguiríamos vencer.

Acredita que o trabalho desenvolvido na oposição ao longo do último mandato também teve impacto nestas eleições autárquicas?
Certamente que sim. Fomos protagonistas de algumas das decisões mais influentes nesta União das Freguesias. Logo na primeira Assembleia de Freguesia em que participamos, fizemos seis propostas que foram concretizadas durante o mandato. Refiro-me, por exemplo, à instalação de um ATM em Jovim, a instalação de um posto CTT em Jovim, a criação de um Orçamento Participativo, entre outras medidas. Tivemos a bancada mais ativa nas Assembleias de Freguesia.

Sente que esta é uma vitória maioritariamente sua ou há um descontentamento com a ação governativa do anterior presidente, José António Macedo?
Em primeiro lugar, quero prestar homenagem ao Dr. José António Macedo, que é uma pessoa com uma postura de serviço público e que sempre ajudou as pessoas. Deu 15 anos da sua vida a esta comunidade e fez coisas boas.

Contudo, julgo que fomos arrojados nas nossas propostas e talvez a equipa liderada pelo José António Macedo estivesse “gasta”, apesar das remodelações efetuadas.

Tomou posse esta terça-feira, com um executivo inteiramente socialista, bem como a Assembleia de Freguesia, liderada por Carla Ferreira. Quais serão as primeiras medidas do seu mandato?
Primeiro, terei que analisar a situação financeira da autarquia, porque não tenho conhecimento desses dados. Não estou a pensar pedir uma auditoria às contas, porque acredito nas pessoas.

A minha gestão será transparente e divulgada. Publicarei todas as grandes decisões, além das atas das Assembleias, em tempo útil. Não abdico disto.

Além disso, vamos dar especial atenção ao Ambiente, nomeadamente, à limpeza do rio Torto. Na Mobilidade, comprometi-me a fazer 10 quilómetros de passeio por ano, em todo o território, e alargar a rede Andante até Jovim.

Temos seis partidos representados na Assembleia de Freguesia. Tive oportunidade de conversar com todos e disse-lhes claramente que os meus aliados preferenciais serão sempre os partidos à esquerda do PS [CDU e BE]. Negociaremos com eles, preferencialmente, os orçamentos e as grandes medidas da União das Freguesias.

O executivo anterior tinha também uma visão política assente em diversas medidas e apoios sociais. Esse rumo será para manter?
No aspeto social, vamos manter o que temos e, se possível, melhorar. Queremos continuar a manter o apoio diário ao nível da Cantina Social e da Casa Abrigo. Também queremos assegurar protocolos com as IPSS do concelho, sobretudo as religiosas, que têm uma importância vital para nós.

No que diz respeito à Universidade Sénior, irá manter a mesma dinâmica ou renovar?
Sabemos que temos hoje um “concorrente”, a Universidade Sénior de Rio Tinto. Por isso, vamos apoiar o projeto, dialogando mais com alunos e professores. Temos neste momento 350 alunos e 50 professores. Farei uma reunião com eles e vou garantir a continuidade deste projeto.

Espero ainda poder levar algumas disciplinas a Valbom e, eventualmente, a Jovim.

O facto de ser militante do Partido Socialista e de ter um Município governado pelo PS, será facilitador da sua gestão?
Não tenho dúvida nenhuma sobre isso. Quem me conhece sabe que sou uma pessoa de diálogo, mas também de firmeza nas minhas convicções.

Em 2021, o que espera dizer sobre o seu mandato?
Espero cumprir grande parte daquilo a que me comprometo. Este mundo anda muito depressa e tudo pode mudar, mas quero ter uma União das Freguesias com mais qualidade e melhores acessos.

Não digo que vamos ter o metro no centro do concelho daqui a quatro anos, mas espero que seja uma possibilidade. Espero também que os cidadãos fiquem convencidos que valeu a pena apostar em nós.

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