António Braz: “Estamos em situação de rotura financeira”

António Braz - fevereiro 2018

António Braz, presidente da União das Freguesias de Gondomar (São Cosme), Valbom e Jovim / Foto: Pedro Santos Ferreira

O socialista António Braz assumiu, nas últimas eleições autárquicas, a presidência da União das Freguesias de Gondomar (São Cosme), Valbom e Jovim. Ao Vivacidade, fala na situação financeira que herdou, no que espera fazer e na relação que tem com o Município. 

Que cenário encontrou nesta União das Freguesias desde que tomou posse?
Encontrei um grupo de trabalhadores motivados. Algo preocupados com o que viria de novo, mas cheios de vontade de dar o seu melhor. Estou muito contente com o naipe de funcionários que encontrei aqui.

Diariamente, temos procurado resolver os pequenos problemas dos nossos cidadãos. Gostávamos de fazer mais, mas seria necessário aumentar o orçamento e ter mais verbas. O orçamento que aprovamos sem votos contra é de rigor e não nos permite fazer muito mais. Cortamos cerca de 30 mil euros em fornecimento e serviços de terceiros, porque achamos que era possível fazer essa gestão. Dirigimos esse dinheiro para equiparmos melhor o nosso pessoal.

Culpa do executivo anterior?
Não fazemos juízos de valor ao anterior executivo, mas encontramos uma tesouraria muito depauperada. Recebemos cerca de 130 mil euros de dívidas e estamos a procurar liquidar esse valor. Já reduzimos em cerca de 30 mil euros, desde que tomamos posse.

Estamos em situação de rotura financeira e tivemos que convocar uma Assembleia Extraordinária, onde vamos levar uma proposta de financiamento bancário para nos permitir pagar os compromissos e os salários de março.

No mandato anterior fez parte da oposição. Tinha noção desta situação financeira ou foi surpreendido?
Não vou mentir. Fui surpreendido com a situação de aperto financeiro que encontrei. Não tenho indício de nenhuma irregularidade, mas no ano passado havia um orçamento superior a um milhão e acabamos por cumprir essa previsão. Contudo, existiam diversos compromissos que não estavam cabimentados no orçamento e isso é que gerou esta situação.

O anterior executivo fez um acordo com a ADSE, que nos deixou para liquidarmos cerca de 50 mil euros em 36 meses. Estamos a pagar 1800 euros todos os meses.

Mesmo no que toca ao nosso pessoal, estamos a conversar com os funcionários e a ser transparentes com eles. Estamos também a renegociar alguns contratos da autarquia que nos vão permitir poupar e tomamos medidas de eficiência energética.

Estamos também a apostar nos incremento dos projetos a nível europeu. Vamos tentar também que o movimento associativo participe nesses projetos europeus.

Poderão haver rescisões de contratos ou despedimentos?
Queremos evitar isso a todo o custo, mas se algum funcionário pretender procurar mobilidade junto de outros serviços públicos, vamos facilitar essa procura.

A hipótese que será avançada na Assembleia de Freguesia Extraordinária foi a melhor solução encontrada pelo executivo?
Não temos outra. Não temos dinheiro para pagar os compromissos de março e tivemos que tomar esta decisão. Vamos pedir 40 mil euros, que é o valor que podemos pedir.

A Delegação de Competências estabelecida com a Câmara de Gondomar trouxe-lhe novas responsabilidades?
Trouxe desde já este largo próximo do edifício da Junta de Freguesia de Gondomar (São Cosme). Resolvemos também o caso dos Funcionários Judiciais.

Esta é uma autarquia conhecida pelos projetos europeus e intervenção na área social. Com a sua gestão mudou alguma coisa?
Procuramos dar continuidade ao trabalho que era feito. Na área social, estamos, em parceria com a Santa Casa da Misericórdia de Gondomar, a alimentar mais de 300 pessoas, semanalmente. A par disso, temos também um projeto semelhante com o Banco Alimentar contra a Fome.

Somos parceiros da Sociedade Portuense de Drogas, que faz um donativo de refeições confecionadas na sua cantina. Estamos muito satisfeitos com todos estes apoios que podemos dar.

Temos ainda quatro pessoas desalojadas que continuamos a ajudar. Gostaríamos de aumentar essa oferta, mas não tem sido possível.

A Universidade Sénior também poderá ter outra dinâmica?
Sabemos que temos à nossa responsabilidade essa grande instituição. Contudo, também temos presente que passou a existir “concorrência” dentro do próprio concelho, por isso vamos modificar algumas questões.

Entre elas, mudamos o corpo diretivo da USG, que continuará a ser presidida pelo presidente da União das Freguesias. Convidamos o Vítor Barão, que fez parte do anterior executivo, para diretor da instituição. O repto foi aceite.

No próximo ano letivo já vamos introduzir algumas alterações. Entretanto, já estabelecemos um protocolo com a Escola Dramática de Valbom, que vai receber algumas disciplinas.

Queremos respeitar o passado, procurando dar um novo contributo. No dia 15 de março [aniversário da USG] vamos anunciar algumas novidades.

No que diz respeito a Jovim, o que tem pensado para esse território?
Em relação a Jovim, dedicamos uma atenção forte, sobretudo nos pequenos arranjos que temos feito. Grande parte deles têm sido em Jovim e temos uma força maior da nossa equipa naquele território.

Vamos, com grande certeza, começar as obras do edifício da antiga Junta de Freguesia de Jovim. Temos uma reunião agendada com os Leões Cabanenses e vamos respeitar um protocolo que estava assumido com essa coletividade.

Estamos também em diálogo com a paróquia local para perceber se podemos explorar melhor os espaços do Centro Paroquial.

Celebramos também o 1.º aniversário dos CTT de Jovim e estamos a procurar alargar os serviços que são prestados. Queremos que se prestem todos os serviços naquele posto.

Está também previsto pelo Município a instalação de um Espaço Cidadão em Jovim. Aguardamos a aprovação do Estado, mas acreditamos que até ao fim de abril possa ser resolvido.

Estamos também a desenvolver contactos com duas entidades bancárias para repor aquele multibanco que deixou de existir no campo de Atães. Tudo nos leva a crer que existe boa vontade da parte das instituições.

Como tem dividido o seu tempo entre as três freguesias?
Procuro sempre ir ao terreno e receber as pessoas nas três freguesias, mas não há dúvida que passo a maior parte do tempo em Gondomar (São Cosme).

Há sempre problemas por resolver. Veja-se o caso dos cemitérios. Em São Cosme, o cemitério está lotado e tivemos que parar com a venda de terrenos. Estamos a fazer um levantamento de vários casos porque existe falta de terreno. Temos a necessidade de criar ossários neste cemitério.

Durante a campanha eleitoral o BE denunciou casos de precariedade laboral nesta autarquia. Confirma a existência desses casos?
Eu também sou contra essa precariedade laboral, mas neste momento não temos condições de intregar funcionários no quadro. Contudo, fico admirado porque alguns deles preferem continuar a trabalhar aqui. Já tive oportunidade de dizer isso aos eleitos do Bloco de Esquerda.

Que relação tem tido com o Município de Gondomar? A mudança desta autarquia para uma gestão do PS facilitou o entendimento?
Facilitou e é uma relação profícua. No entanto, não deixamos de alertar para alguns problemas, nomeadamente o da ETAR de Valbom, em Gramido. É necessário intervir naquele equipamento. As pessoas que vivem ali necessitam de ter um ambiente mais agradável do que aquele que têm tido. Temos tido muitas queixas de moradores daquela zona.

De resto, a autarquia tem respondido sempre aos nossos apelos. Brevemente, vamos fazer uma reafirmação de um dos nossos projetos eleitorais, que é a limpeza do rio Torto.

Em 2021, o que espera dizer sobre este mandato?
Gostava que dissessem que foi um mandato transparente, onde as pessoas viram os seus problemas atenuados ou resolvidos. Gostava que vivêssemos numa União das Freguesias mais limpa e com melhores acessibilidades.

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