António Pereira: “Espero que Gondomar se lembre dos atletas internacionais e que continue a promover a prática desportiva”

António Pereira - julho 2016

António Pereira, atleta olímpico português, reside em Gondomar / Foto: Direitos Reservados

António Pereira, 41 anos, natural de Alfena, reside em Gondomar e conquistou no final de maio o Campeonato da Europa de Masters de Estrada. O atleta olímpico fez um balanço da carreira ao nosso jornal.

Quando surgiu esta paixão pela marcha atlética?
Vem desde a escola primária. Comecei a praticar atletismo desde os oito anos com os amigos na escola. Comecei a correr no Alfenense e passei por muitos clubes: Boavista, Maia Atlético Clube, JOMA, Grupo Desportivo de Baguim do Monte e atualmente estou no SC Braga.

O que o levou a optar pela marcha em detrimento de outras modalidades?
Foi sobretudo o gosto pela modalidade. Também gosto de futebol mas o atletismo foi mais forte na altura.

Ao longo da carreira foi difícil conciliar a carreira desportiva com a sua vida pessoal e profissional?
Infelizmente estudei poucos anos e deixei a escola no 6.º ano. Fui trabalhar muito novo e foi sempre complicado conciliar o trabalho com o atletismo.

O esforço foi sendo recompensado?
Em certos momentos sim, mas o atletismo ainda é uma modalidade pobre quando comparada com o futebol.

Tem alguma referência pessoal?
Quem me inspirou a continuar na marcha atlética foi o José Magalhães, o meu primeiro treinador, atleta olímpico de Alfena. Ele acompanhou os meus primeiros passos na marcha e ajudou-me a concretizar o meu maior sonho, participar nos Jogos Olímpicos, em 2008.

Como avalia essa prestação em Pequim?
Foi muito boa porque tinha um tempo limitado para treinar mas consegui fazer uma boa preparação. Fiz dois estágios em altitude e cheguei aos Jogos na minha melhor forma. Fiquei em 11.º mas houve um atleta que foi apanhado no controlo antidoping e passei recentemente para o 10.º lugar.

Foi o momento mais especial da minha carreira, mas já participei em vários campeonatos da Europa e do mundo.

Que outros títulos considera especiais?
Já fui campeão nacional várias vezes e tenho muitos títulos regionais. Além disso, já representei por a seleção nacional.

A mais recente conquista é o título europeu de masters em estrada…
Este título foi uma mera brincadeira [risos]. Sou treinador de atletismo de um clube e fui desafiado por uma atleta a participar nesta prova que se realizou em Portugal [Vila Real de Santo António]. Felizmente correu muito bem e obtive o 1.º lugar nos 10 quilómetros.

Qual é o próximo objetivo?
Agora estou mais afastado dos treinos e das competições, marcho apenas para me divertir. O objetivo é pensar prova a prova porque há poucos apoios para competir. Fui apoiado pela União de Freguesias de Fânzeres e São Pedro da Cova e tenho que agradecer esse apoio.

Sente falta de reconhecimento em Gondomar?
Sinto e isso deixa-me muito triste. Resido em Gondomar e sinto falta de apoio da minha terra. Em 2008, quando fui aos Jogos Olímpicos, fui recebido em Baguim do Monte e o major Valentim Loureiro prometeu que ia oferecer-me 500 euros para apoiar a minha caminhada olímpica mas nunca vi esse dinheiro e nunca fui reconhecido no concelho.

No próximo ano Gondomar é Cidade Europeia do Desporto. Esta distinção poderá beneficiar o atletismo no concelho?
Espero que Gondomar se lembre dos atletas internacionais e que continue a promover a prática desportiva. Da minha parte estou sempre disponível para ajudar, como sempre estive.

Que futuro antevê para a delegação portuguesa nos Jogos Olímpicos 2016?
Penso que temos uma delegação muito competente e que nos poderá trazer uma ou duas medalhas nos Jogos Olímpicos. Acho que vamos fazer uma boa campanha.

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