Associação Juventus da Triana: “Câmara, junta e patrocinadores são o nosso suporte”

>José Monteiro, Presidente da Juventus da Triana.

O Vivacidade esteve à conversa com José Monteiro, atual Presidente da Juventus da Triana, que revelou um pouco da história e dos princípios deste clube Gondomarense, situado em Rio Tinto.

Como surgiu a Juventus da Triana? Conte-nos um pouco a história da associação.

A associação foi fundada a 21 de setembro de 1974, numa brincadeira com seis amigos, Manuel Azevedo, Leonel Cruz, José Costa, Francisco Jesus e Jaime Mirancos, numa sede que tínhamos por baixo da nossa atual sede, mas não é do meu tempo, os antigos dizem que a sede foi durante um ano no café Vilar, e depois é que houve uma pequena sede noutro sítio, na Triana. Foi assim que começou, com uma brincadeira destes sócios, alguns já falecidos, temos o “Manelito”, que desde que assumimos esta direção, há 8 anos, fazemos um torneio em homenagem a esse fundador. Neste momento temos inscritos na associação cerca de 100 atletas.

Desde o início foi futsal?

Começou com o futebol de 11, tanto feminino como masculino e, atualmente, é só futsal.

Houve algum motivo para a transição de futebol para futsal?

Não, foi uma opção mesmo.

Quais foram as dificuldades iniciais?

Hoje em dia, acho que é mais complicado do que era antigamente. Estou aqui há 8 anos como diretor e vai fazer 3 anos que sou presidente e denoto uma diferença muito grande de há 3/4 anos atrás, por exemplo, nesta casa é tudo gratuito, temos treinadores que estão cá e não são remunerados, a direção igualmente, os jogadores pagam uma cota de 12,5 € para cobrir lanches, equipamentos, vamos buscá-los a casa para os treinos e para os jogos, levámo-los a casa também e tentamos dar aquilo que podemos. Penso que neste momento é muito complicado montar uma equipa de futsal porque alguns jogadores e mesmo algumas equipas técnicas já exigem valores, os miúdos não, mas acho que antigamente jogava-se com mais amor à camisola, hoje em dia já não se nota tanto isso, os pais deveriam se envolver mais no desporto, apoiando os filhos durante os jogos e fazendo com que tenham mais amor e respeito pelo outro, tendo sempre em conta que são crianças em ambas as equipas e que precisam de muito apoio e desportivismo por parte dos pais.

Considera que o futsal em Portugal tem o devido reconhecimento?

Em questões de apoios, e falo por experiência, são bons, tanto da Câmara, como da Junta e mesmo dos patrocinadores, acho que não ajudam mais porque não podem, isto é o que eu sei. Em relação a assistências deveria haver mais respeito por todas as equipas de futsal.

Considera que o futsal é fundamental para a vida destas crianças e jovens?

Sem dúvida alguma. Esta zona tem muitos bairros sociais, muitos miúdos andam nas ruas, normalmente temos até olheiros que os trazem para aqui e, hoje em dia, em vez de andarem pelas ruas, estão aqui connosco, vamos buscá-los e levámo-los a casa, temos um, o Igor, que já foi campeão de rua e já foi homenageado pela Câmara Municipal de Gondomar, tem agora 19 anos e começou aqui na Triana. Apoiamos estes miúdos naquilo que podemos e acho que eles também conseguem distinguir aquilo e aqueles que lhes fazem bem dos que fazem mal e o futsal é muito essencial para eles, faz-lhes muito bem.

Acredita que no seu clube tem jovens promessas, quem sabe, no futuro, façam parte da seleção?

Sim.

As equipas são mistas, femininas, masculinas, como estão organizados?

Neste momento temos feminino e masculino, mas, há um ano atrás, tínhamos misto, porque os infantis iniciados podem ser mistos. A partir daí tem de ser separado em feminino e masculino. Temos uma academia que montamos este ano, Juventus da Triana Arpa, já temos a volta de 20 meninos. Depois temos os juvenis femininos, temos os juniores femininos e temos os seniores femininos. Temos juniores masculinos e seniores masculinos. Neste momento são os escalões disponíveis.

Como funciona as inscrições?

Após terminar a época, começamos em agosto a recolher jogadores. São inscritos na Associação do Futsal do Porto, através dumas fichas que temos, eles chegam cá e dizem que querem jogar, costumamos ter um treino, a chamada “pré-época”, o treinador normalmente não manda nenhum miúdo embora, quer jogue bem ou não, ficam sempre aqui, porque hoje podem não saber jogar, mas com o tempo vão melhorando. Levamos as fichas de inscrição até a associação do futebol do Porto e ficam inscritos.

Quais são as dificuldades que estão atualmente a enfrentar?

Temos sempre dificuldades, gerir uma coletividade com 100 atletas, mais equipas técnicas, temos a nossa sede, carrinhas que todos os dias fazem muitos quilómetros o que não é fácil, as dificuldades são sempre muitas, mas temos quem nos ajude, vamos sobrevivendo.

Neste momento têm algum projeto futuro?

Neste momento apostamos na academia de futsal, estamos com meninos dos 4 anos até aos 10 anos porque depois passam para os infantis. Esta academia está aberta a quem quiser entrar, para mais tarde, temos lá os nossos treinadores, sacá-los para os infantis da Juventus, ou, quem sabe, para outro lado. Gostávamos de umas instalações novas, de ter um pavilhão nosso.

Têm alguma coisa que gostaria de acrescentar?

Eu gostaria de deixar um agradecimento à direção e às nossas mulheres, que são incansáveis no apoio que nos dão. Temos aqui uma pessoa que, para mim, é o pilar da associação, que é o nosso tesoureiro, Manuel Pinto, é uma pessoa excecional, é tesoureiro, mas faz de tudo! ■

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