Baixo Soldado: “O português é a nossa língua e gostamos da sonoridade que conseguimos obter”

Luís Dinis, vocalista, Luís Leitão, baterista, e Tiago Fonseca, baixista, compõem os Baixo Soldado / Foto: Pedro Santos Ferreira

Luís Dinis, vocalista, Luís Leitão, baterista, e Tiago Fonseca, baixista, compõem os Baixo Soldado / Foto: Pedro Santos Ferreira

“Esse” é o mais recente disco dos Baixo Soldado, banda gondomarense composta por Luís Leitão, Tiago Fonseca e Luís Dinis. Em entrevista ao Vivacidade, a propósito do novo trabalho, o grupo mostra-se confiante nos próximos tempos mas confessa-se “triste” pela falta de reconhecimento de Gondomar. 

O que vos trouxe o primeiro single “Por Aqueles”, lançado em março de 2015?
Luís Dinis (LD) – Acabou por servir como cartão de identidade da banda.
Tiago Fonseca (TF) – Trouxe-nos o conhecimento do trabalho de estúdio. Depois acabamos por gravar o “Nag Champa”, em janeiro de 2015, que só foi lançado em fevereiro de 2016, e isso permitiu-nos chegar a festivais e concursos.

Em 2015 a banda passou pela Festa do Avante, Indie Music Fest, Queima das Fitas de Coimbra, entre outros palcos. Esses concertos foram consequência do “Nag Champa”?
Luís Leitão (LL) – Não foi só o “Nag Champa”, foi consequência do nosso trabalho. Podemos dizer que foi a nossa primeira experiência de estúdio, apesar de ter sido feito com os nossos próprios recursos. Acabou por ser uma experiência mais fechada e intimista. No entanto, acabou por não correr tão bem no que diz respeito à data de lançamento [risos].

Entretanto o António Correia, teclista e harmonicista, saiu da banda. O que mudou desde a saída desse elemento?
LL – Foi um momento de rutura para a banda porque coincidiu com o nosso regresso ao estúdio para gravarmos o novo EP.
TF – Estávamos a pensar o que iríamos fazer em 2016 e o António decidiu sair da banda. Avançamos na mesma com a gravação do EP e correu tudo bem.

Há novos membros para colmatar essa ausência?
LL – Vamos apostar numa lógica de músicos convidados. A base criativa da banda continua a ser da nossa responsabilidade mas vamos tentar alargar o projeto a outros músicos.
TF – O Tomás Álvaro foi a nossa primeira grande aquisição [risos].

A banda teve que reformular o seu estilo com a saída do António?
TF – É impossível preencher esse espaço da mesma forma, mas queremos que seja preenchido de uma forma idêntica, por outra pessoa. Contudo, o António sabia trabalhar connosco e será sempre um membro fundador da banda.

O novo EP está em pós-produção. O que podem adiantar sobre este disco?
LL – O EP será lançado até ao início do verão. O álbum foi gravado nas Caldas da Rainha e estamos muito contentes com o resultado final. O disco vai ter quatro faixas e vai chamar-se “Esse”.
TF – O que aí vem pouco importa. Conseguimos gravar o que tínhamos pensado e agora podemos ouvir o que fizemos com boa qualidade. Essa é a parte porreira deste disco.

Expliquem a escolha do título…
LL – Foi mais um momento de epifania [risos]. Tínhamos que dar um nome ao disco e ficou “Esse”. Esse que saiu (António Correia), esse que acabamos de gravar (EP) e esse que vamos tocar.

Os vossos concertos têm merecido nota positiva dos críticos. O que vos distingue em palco?
TF – Sem sermos arrogantes podemos dizer que estamos seguros do que fazemos em cima do palco. Porém, preferimos as críticas construtivas e queremos sempre melhorar.

A componente lírica da banda e a aposta no língua portuguesa é bastante elogiada. Vão continuar a cantar em português?
TF – O português é a nossa língua e gostamos da sonoridade que conseguimos obter. A lírica é uma das componentes da nossa música e faz todo o sentido que seja em português. 

Já têm datas para os próximos concertos?
LL – Temos vários concertos de apresentação do EP. Vamos tocar nas Caldas da Rainha, dia 9 de junho, e no Palácio do Bolhão, dia 11 de junho.
TF – O concerto do dia 9 vai ser especial porque vamos ter a oportunidade de lançar o nosso novo trabalho no local onde o gravamos.

Apesar dos vossos concertos em diversos palcos e da gravação do EP nas Caldas da Rainha, Gondomar continua a ser a vossa casa?
LL – Continua, mas Gondomar nunca foi um porto seguro ou um braço amigo para nós. Confesso que sinto-me triste por a minha cidade não ter capacidade para acolher o nosso trabalho, enquanto outras cidades recebem-nos de braços abertos.
LD – É e vai ser sempre. Todos vivemos em Gondomar, ensaiámos lá e já demos concertos no concelho, mas Gondomar nunca vai estar muito presente no nosso percurso porque já tentamos apelar a alguns apoios e nem sequer tivemos resposta. 

, , ,