Bernardo Marinho: “Espero que esta época seja a minha grande apresentação ao futsal português”

Benny é canhoto, mas nem por isso deixa de treinar o seu pé direito até à exaustão / Foto: Tiago Santos Nogueira

Bernardo Marinho, mais conhecido por Benny, tem no seu pé esquerdo o sonho de uma vida. O atleta gondomarense, de apenas 19 anos, já se estreou no primeiro escalão do futsal português e quer, agora, demonstrar todo o seu valor pelo clube da terra que o viu crescer

Como surgiu a paixão pelo futsal?
A paixão pela bola surgiu mal comecei a dar os primeiros passos. Embora tenha começado pelo futebol de 11, fiz a minha formação no Gondomar futsal, Escolas de Gondomar e, mais tarde, joguei pelo Pinheirense nos juvenis e nos juniores, sendo que o meu último ano de juniores foi a defender as cores do Modicus.

Começaste pelo futebol de 11… Qual a origem dessa mudança?
Sou apaixonado pelo desporto em geral, em particular pelo futebol. Ainda assim, gosto mais de jogar futsal porque é um jogo mais intenso. Temos muito mais bola, podemos ser mais protagonistas e estamos mais vezes em jogo.

Quais as tuas maiores referências neste desporto?
O inevitável Ricardinho, Falcão, Bateria, atualmente no Cartagena, e o Rivillos, que joga no Barcelona, clube que tanto adoro. Identifico-me muito com estes quatro jogadores, é o estilo de jogo que eu aprecio e que quero para mim. Muito móveis, fortes no 1×1 e que não têm medo de assumir o jogo.

E porquê Benny?
Benny nasceu de forma curiosa [risos]. Quando o FC Porto foi campeão europeu, em 2003/2004, eu idolatrava o Benny McCarthy. A partir daí, os meus pais começaram a chamar-me Benny e foi ficando. Hoje já poucos me conhecem por Bernardo. 

Qual o treinador que mais te marcou ao longo da carreira?
O maior fator que me fez voltar ao Pinheirense foi exatamente o treinador, Paulo Vigário. Porque não me esqueço do que fez por mim. Quando eu era ainda juvenil, joguei pelos juniores e fomos campeões distritais, indo à final four no Alentejo, onde tive a oportunidade de jogar e onde alcançamos o segundo lugar. Contudo, o treinador que mais me marcou nunca foi realmente meu treinador, ou melhor, foi muito mais do que isso… O meu pai é treinador de futsal e é das pessoas mais perfeccionistas e atentas que alguma vez conheci, foi sempre com ele que aprendi mais.

Com a tua saída do Modicus, pretendes dar um passo atrás para depois dares dois à frente ou não consideras que tenha sido um passo atrás?
De certo modo não considero que esteja a dar um passo atrás. Estou a jogar na mesma Divisão e temos um grande plantel. Acima de tudo, eu quero estar num clube onde possa ser uma mais-valia. No Modicus tínhamos jogadores muito conceituados, como Joel Queirós, Coelho, Fábio Lima, entre outros, e aprendi bastante com eles, mas não me sentia tão necessário e valorizado como espero ser durante esta temporada. E as nossas ambições para a presente época são elevadas.

Quais são essas ambições?
Queremos atingir os play-offs, ou seja, ficar nos oito primeiros lugares do Campeonato.

E a nível individual, o que auguras?
Acumular minutos, começar a ter verdadeira experiência na primeira divisão nacional, que é o expoente máximo do futsal em Portugal. Poder, sobretudo, mostrar aquilo que eu realmente sou, espero que esta época seja a minha grande apresentação ao futsal português.

Qual o momento alto da tua ainda curta carreira?
Ter entrado, com apenas 18 anos, num jogo da primeira divisão nacional de futsal, contra o Aves. Foi um momento onde me apercebi que, apesar da idade, o meu valor estava a ser reconhecido.

Sei, também, que Kobe Bryant é uma grande inspiração para ti. Queres explicar?
Além de ser fascinado pelo seu jogo, sou também um adepto do seu psicológico, da sua vontade de vencer, seja onde for e contra quem for. Aprecio a sua “Mamba Mentality”, o alter-ego que ele criou para combater os seus problemas pessoais e se abstrair de tudo a partir do momento em que entra em campo. Toda a sua forma de ser me inspira a melhorar e a treinar sempre mais a cada dia que passa. 

E qual é o teu maior sonho?
Jogar pela seleção nacional A.

Como gondomarense, qual o sentimento de poder representar o Pinheirense?
Eu nasci e cresci em Gondomar. Poder representar o grande clube de futsal do nosso concelho é um orgulho enorme. O facto de o Ricardinho gostar tanto deste clube e de também o seguir é uma mais-valia para mim, tal é a admiração que tenho por ele. Decidi voltar ao Pinheirense, porque é um clube do qual gosto muito, sinto-me acarinhado e contamos sempre com um grande ambiente no nosso pavilhão. 

Julgas que poderia haver uma maior aposta nesta modalidade no nosso concelho?
Nem é só a nível do concelho, podes falar do distrito do Porto. Este é o distrito com mais jogadores de futsal inscritos em todo o país. E considero que não se dá a devida atenção nem o devido valor a quem pratica esta modalidade. O futsal é uma modalidade incrível e continua em crescimento.

Já há alguns anos que se diz que está em crescimento…
Sim, também é verdade, e o expoente máximo do crescimento desta modalidade em Portugal foi o nosso grande título europeu. Há que encarar o futsal de forma séria e responsável.

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