Capuchinhos celebram 60 anos de presença em Gondomar

O Frei Vítor Arantes está em Gondomar desde a implementação dos Capuchinhos neste concelho / Foto: Pedro Santos Ferreira

Os Franciscanos Capuchinhos estão a assinalar os 60 anos de presença no concelho de Gondomar. Foi nesse âmbito que o nosso jornal esteve à conversa com frei Vítor Arantes, ex-superior provincial da Ordem Capuchinha em Portugal e residente na casa-solar da antiga Quinta da Bouça-Cova.

Este ano, a presença dos Capuchinhos em Gondomar completa 60 anos. A data foi assinalada no mês passado através de uma iniciativa que se realizou na Cripta da Igreja, tendo contado com uma partilha de experiências entre os frades Capuchinhos e os fiéis.

A aventura teve início em 1958, com a aquisição da casa-solar da antiga Quinta da Bouça-Cova (do século XVIII/XIX), adaptada para nela se instalar o Seminário Menor, já sem condições em Vila Nova de Poiares (Coimbra).

“Fui o primeiro frade a entrar no antigo solar, no dia 19 de julho de 1958. Contudo, prefiro apontar o dia 15 de agosto de 1958, porque foi nesse dia que reabrimos a capela antiga da Nossa Senhora Mãe dos Homens e foi lá celebrada a primeira missa para o povo gondomarense. É uma data que me diz muito”, recorda-nos o frei Vítor Arantes, um dos frades Capuchinhos residentes em Gondomar.

Aos 85 anos, são muitas as memórias que guarda, dos Capuchinhos e de Gondomar. Pelo meio, uma ausência de dez anos em missão, com passagens por França e Angola, tendo regressado de vez em 1993.

“Gondomar foi para nós a água que matou a sede. Viemos de Coimbra para aqui porque não tínhamos as condições necessárias para vivermos lá. Por exemplo, não tínhamos água suficiente para abastecer um seminário com mais de 100 residentes. Procuramos um novo local e encontramos este Solar que reunia todas as condições. Instalamo-nos e começamos a nossa atividade com 87 seminaristas”, recorda-nos o ex-Superior Provincial da Ordem Capuchinha em Portugal. O desenvolvimento, dos Capuchinhos e de Gondomar, surge depois como uma consequência natural e em vários campos: educação, formação religiosa e social.

“Na educação, criamos o Externato Paulo VI, em 1964, que é hoje uma das maiores referências educativas a nível nacional, motivo de orgulho para nós; a nível religioso, a história é vasta, mas a surpresa maior foi o grande acolhimento dos gondomarenses e a nossa necessidade de crescer rapidamente para dar resposta a essa procura; a nível social, implementamos diversas iniciativas, desde as colónias balneares, aos diversos grupos corais, sem esquecer as várias atividades solidárias que organizamos”, aponta o frei Vítor Arantes, sem esquecer a criação da Urbanização dos Capuchinhos, criada nos antigos terrenos da Quinta da Bouça-Cova.

Mas afinal, o que diferencia os Capuchinhos? “Temos um espírito de acolhimento muito forte e creio que isso tem criado uma certa sedução junto daqueles que nos descobrem. Torna-se complicado prever o futuro, mas temos que continuar a ser capazes de pensar o mundo com esta abertura ao pós-moderno e às várias tentações que hoje existem. A igreja tem que saber olhar para a frente, em vez de olhar só para trás”, refere.

Na memória coletiva estão também as três feiras regionais, os sete cortejos e outras formas de angariação de verbas promovidas pelo Grupo dos “Amigos de São Francisco” para a construção da cripta da futura igreja, que seria inaugurada em 1966 e por várias vezes modernizada até à versão atual, inaugurada em 2001.

Entretanto, o seminário deixou de funcionar, mas os espaços da Casa-Solar são agora ocupados pela catequese e pelos sete grupos corais com sede naquele edifício, dos quais se destacam, entre outros, o Grupo Chama, Grupo Coral Kyrios e o Grupo Psallite.

“Temos, atualmente, uma grande iniciativa, que se realiza em novembro, intitulada Semana Bíblica. É um momento aberto à comunidade em que debatemos a importância deste texto sagrado, junto de vários oradores convidados. Já tivemos, inclusivamente, a presença do atual Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa. Este ano, a iniciativa vai realizar-se entre 5 e 10 de novembro”, faz notar o frei Vítor Arantes.

A par dos 60 anos da presença dos Capuchinhos em Gondomar estão também a ser assinalados os 50 anos de sacerdócio de frei António Pojeira e frei Acílio Mendes.

Cedência de terreno vai dar origem a lar de idosos
A mais recente iniciativa de responsabilidade social da Ordem dos Capuchinhos em Gondomar, prende-se com a cedência a título gratuito de um terreno situado entre o Solar da Quinta da Bouça-Cova e o Colégio Paulo VI. Nesse espaço vai nascer um lar de idosos da Associação Dignidade e Futuro de Gondomar.

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