Carlos Brás: “A Quinzena da Economia foi um sucesso”

Carlos Brás - maio 2019

Carlos Brás, vereador da Câmara Municipal de Gondomar / Foto: Pedro Santos Ferreira

Na semana em que termina a Quinzena da Economia, Carlos Brás, vereador do Desenvolvimento Económico do Município de Gondomar, traça um balanço das mais recentes edições da Expo Gondomar e Ourindústria, dois dos maiores eventos municipais, que se realizaram este mês, no Pavilhão Multiusos.

Qual o balanço que faz da mais recente Expo Gondomar?
Tendo sido a 4ª edição, verificamos que é um evento que já está num imaginário coletivo das pessoas, já é um dado adquirido para os gondomarenses que vai haver Expo.

Este ano, batemos o recorde de adesão, porque contamos, de uma forma rigorosa, com meios eletrónicos o número de pessoas que entrou na porta da frente e que rondou os 14.200 visitantes. O dia em que registamos o maior número de visitantes foi no sábado, 11 de maio.

Além disso, este ano tivemos a preocupação de juntar dois concertos, com artistas locais [José Malhoa e a dupla Nelo Silva & Cristiana]. Pretendemos privilegiar a economia local também numa perspetiva de produção artística.

Por tudo isto, o balanço que nós fazemos é positivo. O feedback que tenho dos expositores e dos visitantes é de que a feira estava bem organizada. Na minha opinião, penso que foi um sucesso. Não tenho indicação do contrário, nem por parte de visitantes, nem por parte de expositores.

No total, participaram mais de 150 empresas neste evento, representando vários setores de atividade do nosso concelho. A representatividade e as oportunidades de negócio são o principal motivo da aposta nesta iniciativa?
Obviamente que sim. O que pretendemos, antes demais, é que os gondomarenses conheçam a atividade empresarial que existe no seu território. Que se dê a conhecer ao público o que se faz. Para além disso, temos também como objetivo a criação de um momento e de um espaço amigável à realização de negócios, quer através da venda direta ao consumidor final, quer através das parcerias entre os próprios expositores. Este ano, tivemos vários exemplos de expositores que, entre eles, estavam a trocar contactos para fazer negócios durante o ano.

Também é importante para que algumas marcas se deem a conhecer e façam a ativação e a aceleração de negócio e que conquistem mais público, de maneira a ganharem mais notoriedade. São estes os objetivos, ou seja, criar sinergias, um clima amigável para a realização de negócios e de vendas diretas, como também um clima favorável para a divulgação/promoção de imagem e marcas novas.

Foi-nos relatado o exemplo de uma empresa que não compareceu este ano, porque o local escolhido no ano anterior não foi o ideal. É sempre difícil para a organização pôr todos os empresários nos locais de maior visibilidade? É uma das principais dificuldades?
Esse não é um dos grandes problemas, mas é um problema. Este ano até foi o ano em que menos reclamações tivemos. Curiosamente, uns dias antes da feira, o presidente [Marco Martins] perguntou-me se estava tudo bem com a Expo, porque este ano ainda não tinha tido nenhum telefonema a pedir para mudar os locais dos expositores. Houve algumas pessoas que não ficaram satisfeitas, algumas que foram sendo adaptadas, mas vamos ter sempre esse problema. Nós não conseguimos pôr as empresas todas em frente à porta da entrada. Portanto, temos sempre que distribuir as empresas pelo espaço que temos, correndo o risco de algumas ficarem em posições mais privilegiadas e outras menos privilegiadas.

Houve também uma forte aposta na animação, concertos ao ar livre, espaços de lazer, workshops, entre outras atividades. É importante desenvolver este tipo de iniciativas, em paralelo com o funcionamento da Expo?
Sim. Nós temos a preocupação de, paralelamente à Expo, ter uma oferta cultural, que se traduziu na animação, desde o momento da abertura até ao momento de encerramento.

Temos ainda a preocupação de criar alguma oferta na área do conhecimento, do saber. Tivemos uma conferência, na sexta-feira de manhã, com um primeiro painel institucional, depois tivemos um segundo painel com empresas de referência de Gondomar, como por exemplo, a Boca do Lobo, o Covet Group, a Ricardo e Barbosa e a Bicafé, que visou dar testemunhos interessantes nos processos de internacionalização e nos processos de acrescentar valor aos produtos. Pretendíamos que os empresários da Expo adquirissem estes conhecimentos.

Realizamos um Meeting de Turismo que correu muito bem. Participaram cerca de 50 operadores de turismo de Gondomar, com representatividade nas mais diversas áreas, desde a animação turística até ao alojamento. Neste meeting esteve presente o diretor executivo da Associação de Turismo do Porto, que também veio dar o seu contributo e alguns esclarecimentos.

O Multiusos continua a ser o espaço ideal para este tipo de eventos?
Claro, não temos nenhum local melhor que este. Não é um espaço que esteja vocacionado para este tipo de eventos, mas serve perfeitamente. Penso que tem ótimos acessos e uma boa área envolvente, portanto, é um bom local para fazer a Expo.

Finda esta edição, o que podemos esperar da próxima?
Podemos esperar, acima de tudo, que haverá próxima. É um dado adquirido que esta é uma iniciativa para continuar. Iremos manter esta linha de orientação convidando sempre, em primeiro lugar, as empresas do Município e depois abrindo também portas às empresas de fora.

O formato dos três dias é para manter?
Sim.

É uma aposta ganha?
É, nitidamente, não tenho a menor dúvida. Tivemos até alguns desafios que servem para ponderarmos, no futuro, aumentar o número de dias. Houve alguns expositores que, face ao sucesso e à logística que têm que fazer para se deslocar para o Multiusos, sugeriram-me que valeria a pena ponderar um alargamento do número de dias.

Precisamentesobre a Ourindústria, quesofreu este ano várias alterações, tendo sido integrada na Quinzena da Economia e tendo-se focado em mais um dia exclusivo a profissionais. Estas alterações traduzem o feedback dos expositores, ao longo dos últimos anos?
Sim. A questão da data foi uma vontade manifestada, expressamente, pelos ourives em duas reuniões que tivemos com eles. Queriam alterar a data de março para maio, isto porque, pelos vistos, colidia, em março, com uma feira que há em Itália, onde os revendedores se iriam reabastecer e, consequentemente, teriam menos interesse neste evento.

A questão de aumentar os dias exclusivos para profissionais foi uma ideia manifestada por eles, porque gostariam de ter mais tempo fechados ao público para realizarem os negócios com os seus clientes e parceiros.

Esta é a primeira edição após o processo de certificação da filigrana. O que é que mudou? Que impacto é que teve no setor?
Ainda não temos uma medição exata do impacto dessa medida. O que nós temos é uma medição do impacto da certificação na Rota da Filigrana e posso adiantar que tem sido muito positivo.

Temos tido muitas dificuldades em conseguir responder a todos os grupos que nos procuram e esta procura é resultado do trabalho que fizemos nas feiras de turismo internacionais ao mostrar o produto aos operadores turísticos, que agora, aos bocadinhos, começam a integrá-lo nos seus circuitos.

Quantos expositores aderiram a esta edição da Ourindústria?
Temos 51 expositores e 65 stands.

A internacionalização ainda é uma ambição deste certame ou é já uma realidade?
Continua a ser uma ambição. Penso que Gondomar, sendo um centro de produção, tem que apostar muito forte na sua internacionalização, porque o mercado interno não tem escala suficiente para absorver a produção que existe. Portanto, temos que, obrigatoriamente, apostar na internacionalização. Nunca será uma aposta totalmente ganha, porque este é um processo dinâmico e é preciso, constantemente, investir. Até porque quem não aparece nem aposta nesta questão, é esquecido.

, , , , , ,