Centro Social de Soutelo: Há 40 anos a cuidar de Rio Tinto

Apesar da falta de espaço o Centro de Convívio acolhe idosos diariamente/Foto: Ricardo Vieira Caldas

Apesar da falta de espaço o Centro de Convívio acolhe idosos diariamente/Foto: Ricardo Vieira Caldas

O Centro Social de Soutelo (CSS) inaugurou em maio as comemorações do 40.º aniversário da instituição fundada após o 25 de abril de 1974 por necessidade da freguesia. Ao longo dos anos, o que começou por ser um Centro Infantil passou a contar com as valências de creche, pré-escolar, ATL e centro de convívio, e auxilia diariamente cerca de 500 utentes. Ao Vivacidade, a direção do CSS revelou a importância do “apoio dos moradores” no início do projeto e os planos para o futuro da instituição.

O dia 3 de maio de 1975 é, provavelmente, o dia em que o Centro Social de Soutelo surgiu na freguesia de Rio Tinto, ainda como Centro Infantil de Soutelo. O caderno de pagamentos de quotas é pelo menos o único – e primeiro – registo que o atual Centro tem da fundação da instituição. ”O Centro Social de Soutelo (CSS) surgiu porque um sujeito que não era de Gondomar [Luiz Gonzaga] veio morar para aqui e, ao visitar uma Assembleia de Moradores na cave do Café Outeirinho, em que se discutia a necessidade de criar um espaço um espaço para acolher um apoio educativo para as crianças, que viria a ser o Centro Infantil de Soutelo”, explica José Ricardo, coordenador geral do CSS.

O primeiro edifício sede surgiu da vontade e trabalho voluntário dos fundadores da instituição em terreno público, entretanto adquirido pela Câmara de Gondomar. Foi neste edifício que começaram a ser desenvolvidos os primeiros serviços de apoio à comunidade, como a guarda e proteção das crianças, atividades culturais e desportivas, alfabetização de adultos, entre outros apoios.

Na segunda metade da década de 70, após a expansão das infraestruturas, a denominação é alterada para Centro Social de Soutelo e é reconhecido o estatuto de Pessoa Coletiva de Utilidade Pública pelo Ministério da Segurança Social.

“O estatuto garantiu sobretudo reconhecimento e credibilidade. O CSS teve desde o início uma dinâmica de intervenção social e por isso foi mais fácil demonstrar o nosso valor e garantir esse estatuto”, refere o coordenador.

Seguiu-se o estatuto de Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS), com efeitos a partir de 1987, que garantiu a assinatura dos acordos de cooperação com a Segurança Social para Jardim de Infância e Atividades de Tempos Livres (ATL).

Em 1995, começa a ser preparada a construção do novo edifício com a apresentação de uma candidatura ao Programa de Investimentos e Despesas do Desenvolvimento da Administração Central (PIDDAC) e, um ano mais tarde, é celebrado um Protocolo de Acordo com o Município que garante a cedência do “Campo de Soutelo” para habitação social. A valorização do terreno viria a ser utilizada como financiamento para a construção do novo edifício.

Na foto:José Ricardo, coordenador, e Sandra Felgueiras, presidente do Centro Social de Soutelo

Na foto:José Ricardo, coordenador, e Sandra Felgueiras, presidente do Centro Social de Soutel

“Atualmente estamos a tentar responder a uma ambição dos nossos sócios mais antigos”

Já no edifício da rua de Macau, inaugurado no ano 2000, o CSS presta atualmente os serviços de creche, pré-escolar, ATL e dispõe também de um Centro de Convívio para os idosos. “Atualmente estamos a tentar responder a uma ambição dos nossos sócios mais antigos. Quando houve a mudança de nome para CSS foi colocado no objeto social a creche, que ainda não tinha, jardim de infância, ATL e Centro de Dia. Foi a primeira referência aos idosos. No entanto, quase 30 anos depois nunca se deu esse passo para o Centro de Dia. Em 2009, a Câmara cedeu-nos um novo terreno para a construção do Centro de Dia, mas infelizmente coincidiu com a fase de contenção financeira. Agora é nossa esperança capitalizar a segunda metade do Programa 2020, com financiamento dirigido ao setor da construção”, revela Sandra Felgueiras, presidente da instituição desde 2014. José Ricardo também partilha o mesmo desejo. “Temos um Centro de Dia e Centro de Convívio provisório mas falta-nos um espaço digno porque não podemos crescer mais”, afirma. A falta de espaço não é, contudo, sinónimo de falta de pessoal. No CSS trabalham diariamente mais de uma centena de funcionários. “Talvez sejamos a maior IPSS de Rio Tinto e uma das maiores de Gondomar”, admite o coordenador geral.

José Ricardo não descarta a “mais valia do CSS para Rio Tinto”, um reconhecimento expresso pelas instituições, associações e pelos gondomarenses. “Estamos a funcionar em rede com as outras instituições solidárias e associações do concelho, esse é o nosso desígnio e é essa a resposta que queremos dar”, menciona o responsável.

Futuro poderá passar pela construção do Centro de Convívio

Para o Centro Social de Soutelo o futuro já está traçado. “Um dos desafios é a construção do Centro de Convívio e queremos estar muito atentos a esta perda das crianças e a estas mudanças das condições sociais das famílias. No entanto, temos e vamos continuar a ter uma atitude positiva com projetos que dão apoio às famílias. Queremos fazer das fraquezas, forças”, explica a presidente Sandra Felgueiras. José Ricardo admite ainda criar brevemente uma comissão de sócios antigos para passar a “organizar campanhas promocionais para angariar dinheiro.” “Será um processo transparente. Se abrir uma candidatura temos que garantir 30% do financiamento mas esse trabalho já pode começar a ser feito”, conclui.

Projeto para a construção do Centro de Dia do CSS / Direitos Reservados

Projeto para a construção do Centro de Dia do CSS / Direitos Reservados

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