Coronavírus: A Pandemia que marca o início do Século

Ao longo da história há relatos de várias epidemias que marcaram civilizações inteiras. Só houve apenas uma vez na história em que uma epidemia assustou milhares de pessoas ao redor do mundo que foi a Peste Negra. Hoje, a história repete-se e para marcar o início desta nova década o mundo tremeu com a pandemia do Coronavírus. O mundo está atento, as nações estão a sofrer com as perdas humanas, por isso, os apelos são constantes faça a sua parte e fique em casa. Para explicar-nos melhor esta epidemia, o VivaCidade esteve à conversa com o Daniel Pereira, especialista em Medicina Interna e Coordenador da Comissão de Controlo de Infeção do Hospital Escola da UFP.

1. Por breves palavras, explique o que é um vírus e quais as consequências que possui no corpo humano quando infetado?

R. Um vírus é uma partícula que desencadeia uma resposta imunitária. Essa resposta é variada e a intensidade da mesma determina a gravidade do quadro. Diferentes vírus provocam diferentes respostas.

2. Como é que surgiu este novo Coronavírus?

R. Acredita-se que o vírus tenha surgido por contacto e transmissão de animal para homem, num processo chamado de Spillover, mas ainda não está definido o mecanismo exato nem o animal.

3. Qual é a particularidade deste novo vírus Covid-19?

R. Tem múltiplas particularidades, entre as quais a gravidade do quadro clínico e a velocidade de disseminação.

4. Quais são os principais sintomas quando somos contagiados?

R. Os principais sintomas são os mesmos de uma infeção respiratória comum: febre, tosse, dor de garganta, rinorreia e congestão nasal, dores no corpo. Os doentes podem ainda apresentar-se com sintomas atípicos, como cefaleia isolada, dor abdominal, diarreia e vómitos.

5. Quais são os principais grupos de risco? As grávidas fazem parte deste grupo? E os doentes oncológicos que já tenham realizado o tratamento e que se encontram estáveis, tem que ter cuidado com este vírus?

R. Os grupos de riscos são as faixas etárias mais avançadas, particularmente o idoso com mais de 80 anos (mortalidade de cerca de 15%), os imunocomprometidos, doentes oncológicos (ainda que estáveis). As grávidas representam sempre grupo de risco porque é boa prática a proteção inerente, mas a expressão clínica em grávidas, salvo raras exceções, é ligeira.

6. Como é que contraímos este novo vírus? É verdade que é perigoso sair à rua?

R. A transmissão ocorrerá essencialmente por via respiratória, tornando-se perigoso o contacto próximo com qualquer pessoa. Outras formas de transmissão não estão ainda excluídas.

7. Os animais podem ser infetados?

R. Não está ainda documentado em estudos.

8. Qual é o período de incubação deste vírus?

R. Até 21 dias.

9. Depois de curados é possível contrair novamente o vírus ou ficamos imunes?

R. Estão documentados casos de reinfeção e ainda se desconhece a verdadeira imunidade que a infeção confere, pois, a epidemia é ainda muito recente.

10. Como é que nos podemos prevenir? O álcool em gel é suficiente?

R. Evição de contactos inferiores a 1 metro com todos, uma vez que hoje sabemos que a infeção está na comunidade e que os assintomáticos também poderão transmitir o vírus, lavar frequentemente as mãos e o uso de máscara (se por todos) também poderá quebrar a cadeia de transmissão. As soluções alcoólicas, se tiverem uma concentração superior a 60%, inativarão o vírus.

11. O Covid-19 pode ser transmitido através de alimentos?

R. Desconhecendo como foi feito o spillover para a nossa espécie, temos de presumir que sim. Ainda, se um indivíduo infetado confecionar uma refeição para mim, poderá transmitir para o meu alimento partículas víricas caso não tenha o máximo cuidado.

12. Qual a resistência deste vírus nas superfícies e nos materiais?

R. O vírus pode sobreviver, nas condições ideias, até 9 dias em determinadas superfícies.

13. Qual é o tratamento possível?

R. Neste momento o tratamento é de suporte dos órgãos em falência e dos sintomas, ainda não foi aprovado nenhum tratamento específico e que module a evolução ou o resultado final.

14. Os antibióticos são eficazes? Quais os medicamentos que podemos tomar para combater os primeiros estados gripais?

R. Não, pois os antibióticos não atuam diretamente sobre o vírus. Na fase inicial o tratamento é o habitual para os quadros víricos semelhantes: paracetamol, anti-inflamatórios.

15. Se formos detetados com o vírus, quais os procedimentos que devemos adotar?

R. Isolamento social imediato e tratamento de sintomas no domicílio nas formas ligeiras e hospitalização nas formas graves.

16. O Fernando Pessoa faz testes para detetar o vírus? Tem algum custo para a população?

R. Não.

17. Existe algum caso no Hospital Fernando Pessoa?

R. Internado não. Mas já foram assistidos casos positivos no Serviço de Urgência, Consulta e Serviço de Radiologia.

18. O Fernando Pessoa tem capacidade para combater este vírus caso tenham algum infetado?

R. Neste momento não.

19. Quais as medidas de prevenção que adotaram? Tem equipamento suficiente para o combate? 

R. Todo o funcionamento e circuitos da instituição foram adaptados para proteger os profissionais, utentes que recorrem à instituição e utentes internados de eventual transmissão. Neste momento existe uma restrição importante de equipamentos de proteção individual em todo o mundo e o uso da existente deve ser adequado para não suprir ainda mais esta carência.

20. Têm ou tencionam ter alguma parceria com hospitais públicos aqui do norte, por exemplo na colaboração de equipas médicas, caso está situação fique mais grave?

R. Neste momento, com a declaração do estado de emergência, ainda não sabemos como vai ser implementada a organização e a parceria com instituições públicas. Quando a situação agravar, que se prevê nos próximos 30 dias, o que se prevê pela saturação dos serviços de saúde nos hospitais públicos e dificuldade da população geral em cumprir com a contenção social, é provável que esta articulação aconteça, de forma semelhante ao que acontece neste momento em Itália. ▪

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