Crise nas IPSS de Gondomar

Fernando Duarte, presidente da A.S.R.C.B. Vai Avante / Foto: Pedro Santos Ferreira

Fernando Duarte preside atualmente a Associação Vai Avante, em S. Pedro da Cova / Foto: Pedro Santos Ferreira

“Estamos com 190 famílias com Rendimento Social de Inserção”, acrescenta. A associação não está em “rutura financeira mas teve alguns problemas”. A diminuição do número de utentes, muitos “devido ao desemprego, por exemplo, levou à diminuição da comparticipação” e Fernando Duarte tenta agora gerir as contas com cerca de 100 euros mensais por cada utente que a Segurança Social comparticipa. Para além da Segurança Social, a IPSS tem ainda outros acordos e recebe também uma verba anual da autarquia. “A autarquia atribui uma verba anual relacionada com o número de utentes, através de um protocolo por volta de 4.000 mil euros por ano”, explica. Mas os apoios têm que “aumentar muito mais”, diz o presidente. Caso contrário a IPSS poderá ficar comprometida e “não conseguir sustentar os seus 83 funcionários”, adverte.

“Houve sempre alguma ciumeira de algumas pessoas da Câmara relativamente à Santa Casa”

A Irmandade da Santa Casa da Misericórdia de Vera Cruz de Gondomar abriu a primeira resposta social protocolada com a Segurança Social, em 1996. A Associação de Fiéis, constituída na Ordem Jurídica Canónica, disponibiliza à comunidade serviços de Apoio Domiciliário, um Centro de Dia, um Centro de Convívio, um Centro Comunitário, um Centro de Acolhimento Temporário, creches e outros Programas de Intervenção Comunitária. Para o provedor José Luís Oliveira, outrora vice-presidente da autarquia, esta IPSS é uma “grande empresa” de Gondomar que “nos últimos anos foi descriminada negativamente pela autarquia.” “Não sabemos as razões mas fizemos três ou quatro pedidos e nem resposta às cartas tivemos”, explica o provedor, referindo-se aos pedidos feitos à Câmara para financiamento para o Centro de Apoio à Família e também para a construção do Centro Social de Fânzeres. Na altura, José Luís Oliveira desempenhava funções de vice-presidente da Câmara de Gondomar mas confessa que “sempre soube separar as águas”. “Na Câmara, por uma questão de princípios, não me metia nos assuntos. É desagradável não termos tido resposta aos quatro ofícios que enviamos. Eu se calhar sei porquê. Houve sempre, na minha opinião, alguma ciumeira de algumas pessoas da Câmara relativamente à Santa Casa. A Santa Casa sempre teve uma credibilidade que poucas instituições têm no concelho e isso às vezes arrelia certas pessoas. Não me quero referir a ninguém mas claro que na Câmara há sempre uma estrutura que manda. Espero que isto possa mudar e só quero um tratamento igual”, explica o provedor da IPSS.

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