Crise nas IPSS de Gondomar

Paula Mendes e José Luís Oliveira dirigem a Santa Casa da Misericórdia de Gondomar, como diretora e provedor, respetivamente / Foto: Pedro Santos Ferreira

Paula Mendes e José Luís Oliveira dirigem a Santa Casa da Misericórdia de Gondomar, como diretora e provedor, respetivamente / Foto: Pedro Santos Ferreira

Quanto à situação financeira da instituição, José Luís Oliveira refere que “neste momento há saúde financeira mas não há dinheiro para esbanjar.” “Isto é tudo controlado ao milímetro”, declara. “O Estado devia comparticipar mais mas o problema é saber onde é que eles vão buscar para poderem comparticipar mais. O país está como está. Nos éramos capazes de fazer muitas mais coisas – e melhor do que o Estado faz, porque estamos mais próximos – e ir mais além mas para isso é preciso vir mais dinheiro e esse vem com o número de utentes que nos acompanha”, explica.

“Há uma questão que nos preocupa muito que é a manutenção do equipamento”

“Apesar da nossa situação financeira não ser fabulosa, não estamos em rutura”, começar por confessar ao Vivacidade Abílio Cunha, presidente da Associação do Porto de Paralisia Cerebral. O Núcleo Regional do Norte da Associação Portuguesa de Paralisia Cerebral nasceu em 1974 mas só em 2005 é que assumiu a designação de Associação do Porto de Paralisia Cerebral, tornando-se uma associação autónoma. Em Gondomar, a IPSS tem a sua atuação com uma Unidade Orgânica que compreende, entre outros serviços, uma Unidade Residencial Definitiva para 32 clientes com paralisia cerebral, um jardim infantil aberto à comunidade [não acolhe apenas crianças com deficiência] com 70 crianças, um ATL para 40 crianças, um Centro de Atividades Ocupacionais para 30 pessoas com deficiência de Gondomar, um Centro Comunitário e uma Cantina Social aberta à comunidade, para 75 refeições diárias. A unidade gondomarense, com 80 trabalhadores, tem também um Centro de Recursos com 15 técnicos terapêuticos e psicólogos que cobrem o concelho do Porto e de Gondomar e que vão às escolas trabalhar com as crianças com deficiência.

Abílio Cunha é o presidente da Associação do Porto de Paralisia Cerebral / Foto: Pedro Santos Ferreira

Abílio Cunha é o presidente da Associação do Porto de Paralisia Cerebral / Foto: Pedro Santos Ferreira

Abílio Cunha considera que a APPC tem “uma situação normal de finanças porque tem havido um cuidado quer da Direção, quer da Comissão Executiva, quer dos vários órgãos de não avançar para grandes projetos sem ter garantida a parte do financiamento”. Financiamento esse que tarda a chegar. “Lamentamos que alguns fundos não cubram outras situações. IPSS como a nossa deveriam poder recorrer a esses financiamentos porque temos um conjunto de investimentos que vão avançar este ano e esses fundos deviam facilitar a concretização e a manutenção dos mesmos. Assim vamos ter que recorrer à banca e suportar mais autofinanciamentos com componentes de juros elevados”, lamenta o presidente da APPC que confessa que há uma questão que o preocupa muito que é “a manutenção do equipamento.” “Isto é muito grande, tem 10 anos e agora é preciso ter uma manutenção quase constante na sua estrutura”, afirma. O presidente pede mais apoios mas está contente com a autarquia. “Naturalmente se me perguntar se estamos satisfeitos, nunca estamos satisfeitos. Mas digamos que a Câmara de Gondomar tem dado um bom contributo e esperamos que continue a dar. Reunimo-nos já com o presidente Marco Martins e o mesmo comprometeu-se a continuar e a aumentar o apoio. Gondomar tem sido um bom parceiro a todos os níveis”, esclarece.

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