CTT anunciou encerramento do balcão da Areosa

CTT Areosa - janeiro 2018

Ação de protesto contra o encerramento da balcão da Areosa / Foto: Pedro Santos Ferreira

Município de Gondomar garantiu criação de posto alternativo antes do encerramento

A administração dos CTT anunciou, no início deste mês, o encerramento do balcão da Areosa, em Rio Tinto. A decisão levantou uma onda de indignação e manifestações, tendo o Município de Gondomar garantido, entretanto, que o serviço só encerrará caso fique salvaguardada a criação de um posto alternativo.

O anúncio da vontade de encerrar o balcão CTT da Areosa, por parte do Conselho de Administração dos correios, motivou várias ações de protesto no início de janeiro, junto ao balcão, na Rua D. Afonso Henriques, em Rio Tinto.

Desde logo, a Câmara Municipal de Gondomar e a Junta de Freguesia de Rio Tinto uniram esforços para contrariar a medida, junto da administração dos CTT.

“Soubemos da decisão pela comunicação social e pedimos imediatamente uma reunião à administração, porque aquele posto não pode ser substituído por um mero posto comercial. Ficamos admirados porque tínhamos conhecimento que os CTT queriam alargar a rede em Rio Tinto. Assim sendo, não se percebe esta decisão, até porque aquele balcão é rentável”, afirma Marco Martins, edil gondomarense.

Por sua vez, Nuno Fonseca, presidente da Junta de Rio Tinto, recorda que o balcão da Areosa “serve cerca de 20 mil pessoas”.

A CDU Gondomar também se associou à contestação e realizou uma manifestação no dia 5 de janeiro. “Defendemos que não se encerre este balcão e que não seja encontrada uma alternativa a este espaço. Esse é o objetivo da administração dos CTT para reduzir, cada vez mais, o serviço postal público a um serviço bancário. Não podemos estar de acordo com isso e julgamos que o Município deve lutar pela manutenção deste espaço na Areosa, numa das ruas mais movimentadas do concelho, junto ao Porto e à Maia”, refere o vereador Daniel Vieira.

O PSD Gondomar também tomou uma posição pública sobre este caso, mostrando-se surpreendida com a notícia. “O PSD está ao lado da população – tal como no encerramento de um balcão de uma entidade bancária, em Melres, ou na abolição das portagens no Alto Concelho – e desencadeou diversas diligências, e esforços, para que esta situação não se concretize”, lê-se no comunicado enviado ao nosso jornal.

De resto, Rafael Amorim, vereador da coligação PSD/CDS-PP, mostrou-se “preocupado com as consequências deste encerramento para os riotintenses”.

A Câmara de Gondomar e a Junta de Rio Tinto deslocaram-se a Lisboa e reuniram, entretanto, com a administração dos CTT. Segundo Marco Martins, depois da reunião, foi obtida a garantia que o espaço da Areosa “só encerrará após ser encontrada uma alternativa na mesma área para um novo posto dos CTT que disponibilize todos os serviços: pagamento de vales, expedição postal, entrega e levantamento de encomendas e de correio registado, entre outros”, anunciou o autarca.

Abaixo-assinado reúne 1500 assinaturas contra o fim do balcão da Areosa
Cerca de 1500 assinaturas foram recolhidas pelo Movimento de Utentes dos Serviços Públicos – Porto contra o encerramento do posto dos CTT da Areosa. A população daquela zona mostra-se revoltada com a decisão e uniu-se num abaixo assinado que já foi enviado ao Ministério do Planeamento e das Infraestruturas e levado à Assembleia da República.

Habitantes da Areosa estão contra o encerramento
Clementina Fernandes, 76 anos:
“Eu moro na Rua D. Afonso Henriques, aqui bem perto. Quando preciso venho aqui buscar a reforma e troco correspondência com a minha irmã, que está na França. Vim associar-me a esta manifestação porque é injusto encerrar este balcão” 

Virgínia Lira, 50 anos:
“Este balcão vai fazer-me muita falta, porque tenho uma retrosaria e trabalho com envio de produtos para clientes. Como estava aqui perto conseguia despachar rapidamente os meus produtos. Com esta decisão, vão fechar muitos negócios nesta zona. Este é um serviço que nos faz muita falta” 

Maria da Glória, 65 anos:
“Moro aqui mesmo em frente. Soube desta decisão através das notícias e fiquei muito revoltada. Estes correios têm muitos anos e lembro-me sempre deles aqui. Já nos tiraram a polícia e os bombeiros, sem correios tiram-nos o que nos resta”

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