Tradição dos tapetes florais continua bem viva em Fânzeres

Ao longo dos anos, os tapetes florais têm sido presença assídua nas ruas de Fânzeres durante as Festas aos seus Santos. Este ano não foi exceção e dezenas de pessoas contribuíram para a dinamização da arte ao fazer na íntegra os tapetes nas Festas em Honra a Santa Bárbara, São Tiago e do Divino Salvador.

A preparação dos tapetes florais de Fânzeres é uma tradição que já existe ainda antes dos anos 30 e, apesar de hoje em dia os materiais utilizados não serem os mesmos, nomeadamente no uso de menos flores, a verdade é que ainda hoje embelezam as principais artérias de Fânzeres nas festas em homenagem aos seus santos.

De forma a tentar perceber melhor o funcionamento e a organização da confeção dos tapetes florais, estivemos à conversa com Maria José, secretária do executivo da União de Freguesias de Fânzeres e São Pedro da Cova, que nos elucidou acerca da tradição. “Os tapetes são feitos durante a noite, normalmente a partir da meia hora e trabalha-se até à hora em que se acabar. Há anos em que se corre melhor e acabava-se por volta das 5h, há alturas em que se corre pior, também pela complexidade dos moldes. Há anos em que os moldes são mais complexos e festas em que os moldes são mais trabalhosos e demoraram mais tempo”.

No caso do Divino Salvador, a preparação dos tapetes decorreu durante a madrugada de domingo, mas Maria José relembrou que este “é um trabalho que vem de trás”. “É um trabalho que se inicia com a recolha do serrim, depois a preparação dos moldes porque as senhoras tentam sempre inovar e melhorar os moldes de ano para ano. Depois vem a pintura do serrim, às vezes são precisos dois fins de semana”.

Antes de cada festa, a Junta da União de Freguesias de Fânzeres e São Pedro da Cova apela à participação e ao esforço da sua população para a colaboração na tradição e, normalmente, estão envolvidos vários grupos de pessoas. “Nas três festas principais, normalmente há três, quatro pessoas mais dinamizadoras e este ano tentou-se que houvesse uma única pessoa que tentasse coordenar as coisas no sentido de os tapetes serem mais uniformes, trabalharmos mais a organização e produziu algum efeito. Elas quando vão no sábado à noite, antes dos trabalhos começarem, já têm definido cada molde e as cores que vão ser trabalhadas por molde. Normalmente formam grupos de três a quatro pessoas que são responsáveis por um molde e tentam orientá-los no sentido de pintarem de acordo com o que é pedido”, elucidou a autarca.

Perante alguma dificuldade em motivar as pessoas para manter a tradição, a Junta de Freguesia tem tentado apelar à participação das camadas mais jovens através de oficinas de verão para as crianças no período de paragem da escola, sendo que “as pessoas mais dinamizadoras estiveram com as crianças e explicaram o processo e fizeram com elas os tapetes”, revelou Maria José.

Pedro Vieira, presidente da Junta da União de Freguesias de Fânzeres e São Pedro da Cova, falou de “uma luta diária” por parte da Junta em manter estas tradições, mas mostrou-se otimista. “Estamos a falar da zona central de Fânzeres que é uma zona mais envelhecida, que é normal, e portanto as coisas para se manterem terão de entrar, naturalmente, pessoas novas e este ano notei a presença de jovens que estão também motivados para que estas tradições se mantenham e isso para nó é extremamente positivo”.

O autarca adiantou que é o papel da Junta criar as condições necessárias para a realização dos tapetes e o seu objetivo é preservar as atividades relacionadas com a identidade da freguesia de Fânzeres. “É mais uma tradição aqui da freguesia de Fânzeres, como tudo na vida tem altos e baixos, mas nos últimos anos tem crescido em termos de participação e de beleza dos tapetes construídos pela população e portanto, isso é sinónimo de vitalidade que estes tapetes têm para a freguesia e é também um sinonimo de identidade aqui para esta terra”, finalizou.

 

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