Daniel Vieira apresentou “Não podiam trabalhar com fome” na EPG

Apresentação livro Daniel Vieira

O auditório da EPG ficou lotado durante a apresentação / Foto: DR

Foi pequeno – mesmo muito pequeno… – o auditório da Escola Profissional de Gondomar para, na noite de 26 de fevereiro, acolher mais de 500 pessoas que quiseram comparecer à apresentação pública de “Não podiam trabalhar com fome – A greve de 1946 nas minas de S. Pedro da Cova”, livro da autoria de Daniel Vieira.

Presidente da Junta da União de Freguesias de Fânzeres e S. Pedro da Cova, e militante do Partido Comunista desde os 15 anos, Daniel Vieira nunca assim foi referido nesta cerimónia. Sendo apelidado de escritor e historiador, foi o próprio Daniel Vieira a recordar – se tal necessário fosse… – o seu percurso político.

O tema escolhido para a obra começou a ser “desenhado” no dia do funeral de Álvaro Cunhal. Um encontro, casual, com um ex-operário das minas de S. Pedro da Cova, fez com que Daniel Vieira então encontrasse o tema para a sua tese de mestrado. E que, posteriormente, se transformaria no livro agora apresentado. Ficaram os agradecimentos a Serafim “Moliceira”, o tal ex-operário, grevista de 1946.

Traduzindo uma exaustiva pesquisa em diversos arquivos locais e nacionais, recolhas orais e documentais, “Não podiam trabalhar com fome” é, também, para o autor, uma homenagem familiar. Daniel Vieira é neto de mineiros.

“Este livro está acabado. Mas dele vieram muitas mais histórias, imensos depoimentos adicionais, pessoas que me quiseram felicitar e, principalmente, contar mais episódios”, disse o autor. Daí que, admita, a “carreira” de escritor possa vir a ter um segundo capítulo…

“Não sou escritor, mas julgo que, com esta edição, juntei a minha voz àquele grupo de 1946. De pessoas que, contrariando o que hoje é comum, não quiseram viver apáticos, resignados, amorfos e com medo”. O livro reaviva as memórias dos mineiros de S. Pedro da Cova que, há 70 anos, numa greve algo inesperada (?) enfrentaram a ditadura e a PIDE. A luta dos grevistas conseguiria resgatar alguma da dignidade na vida diária dos mineiros. Mas, muito mais que isso, teria um considerável impacto a nível nacional.

A obra é uma edição da “Lugar da Palavra”. E já está a ser preparada uma 2.ª edição.

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