Ricardo Sousa: “É um orgulho enorme trabalhar num dos quatro grandes do futebol português”

Ricardo Sousa, atualmente no Braga, destacou os cinco anos de trabalho no Gondomar / Foto: Tiago Santos Nogueira

Ricardo Sousa, de 26 anos, cresceu a ver futebol e jamais quis ter algo de borla. A dedicação que colocou em todos os projetos por onde passou catapultou-o, agora, para um dos grandes clubes do futebol português. Orgulhoso gondomarense, o analista destaca, entre outras coisas, que chegar ao Sporting de Braga foi o concretizar de um grande objetivo.

A paixão pelo futebol vem desde o berço?
Julgo que a minha paixão pelo futebol começou da mesma forma como começa com quase todos os miúdos. Desde criança que gostava muito de jogar e de ver futebol, é algo inexplicável. Aliás, desde que me lembro sempre gostei muito de ver todo o tipo de desporto, mas mais especificamente o futebol.

E como surgiu o teu interesse pela análise do jogo?
O interesse pela análise foi surgindo, acho que ninguém nasce a querer ser analista. Depois de entrar no futebol e como sempre gostei mais da parte tática do jogo, se é que podemos separar, fui percebendo que era uma forma de seguir o meu percurso no futebol. Experimentei no Desportivo das Aves e gostei. Sendo que, hoje em dia, é algo que gosto muito de fazer.

Mas o que é isso de analisar o jogo e os adversários?
Nós fazemos observação de, pelo menos, três jogos do nosso adversário. Por vezes vamos ao quarto jogo só por uma questão estratégica ou alguma bola parada. Fazemos a análise em vídeo para a equipa técnica dos seis momentos do jogo e elaboramos um relatório escrito que é afixado no balneário para os jogadores terem, também, acesso. Durante o jogo temos, igualmente, um papel ativo, é feita a codificação do jogo através de um software. Por exemplo, se o treinador pedir o canto a nosso favor que acabou de acontecer, nós vamos ao computador e enviamos aquilo codificado para o banco.

Tens como objetivo chegar a treinador principal?
Não tenho muito a ambição de ser treinador principal, gosto de ser analista, sinto-me realizado com aquilo que faço. Porém, também gosto muito do treino. Se um dia surgir a oportunidade de ser treinador adjunto é algo que me fará pensar, porque gosto muito da vertente do treino, julgo que é a base de tudo.

O que representa para ti trabalhar no Sporting de Braga?
Muita responsabilidade. É um orgulho enorme trabalhar num dos quatro grandes do futebol português. Foi o concretizar de um grande objetivo.

Trabalhar diretamente com Wender Said, que como jogador realizou quase 200 jogos pelo SC Braga, é especial?
Sim, está a ser muito positivo. Eu gostava dele como jogador e agora é engraçado trabalhar com uma pessoa que me habituei a ver na televisão desde miúdo. Assim como o Custódio, que também faz parte da equipa técnica. Eu tenho a ideia de que estes ex-jogadores têm uma forma diferente de ver o futebol, são mais perspicazes e conseguem ver certas coisas um pouco antes dos outros.

Qual a grande ambição do Sporting de Braga B para a presente temporada?
Acima de tudo, formar jogadores que possam chegar à equipa A. Na tabela classificativa é fazer o melhor possível, uma época tranquila e praticar um bom futebol.

É preciso entender que, hoje, o conhecimento está bastante divulgado e são muitas as ferramentas para a análise do próprio jogo. Ainda assim, onde é que se pode fazer a diferença?
Eu creio que é na forma como depois vais utilizar a informação que recolhes. Não adianta teres muita informação sobre um adversário se depois não a souberes aproveitar da melhor forma. É aqui que mora a grande diferença que separa os melhores de todos os outros.

Quais as tuas referências no mundo dos treinadores?
Tenho várias. Em Portugal, gosto muito da ideia de jogo do Abel Ferreira. Também aprecio o Ivo Vieira, uma vez que trabalhei com ele e admiro-o muito. Gosto muito do Pep Guardiola, obviamente, do José Mourinho, a maior referência para esta geração de treinadores portugueses, porque apesar de todas estas polémicas que o têm envolvido nunca é demais lembrar que devemos muito a Mourinho. Klopp e Sarri, o Tottenham do Pochettino e, claro, Jorge Jesus. Não me podia esquecer de uma das minhas principais referências. Ainda assim, há muita gente competente, mas depois os resultados tornam uns mais competentes do que outros.

E ambições para o futuro profissional?
Depois de estar no topo do futebol português, é difícil pensar em sair de Braga. Espero continuar por muitos e bons anos. Estou a adorar a experiência e se as pessoas gostarem do meu trabalho não me passa pela cabeça sair daqui.

Sei que foste considerado o melhor aluno do teu mestrado no ISMAI. Pesou mais o talento ou o trabalho?
Acima de tudo, muito trabalho. A dedicação é fundamental, não me sinto nem melhor nem pior do que os outros. Não estava à espera, sinceramente nem sabia da existência desse prémio. Agora é óbvio que depois de o receber é algo que me deixa muito orgulhoso e fico feliz pela minha dedicação ter sido recompensada. Para os meus pais, que são um verdadeiro suporte, é sempre um grande motivo de orgulho.

Os cinco anos que passaste no Gondomar SC foram marcantes?
O Gondomar SC foi a base do meu crescimento. Comecei como estagiário na “FootKids”, depois fui adjunto no escalão de sub-16 e sub-17, sendo que fui também treinador principal em sub-10, sub-11 e sub-12. Foram cinco anos de muita aprendizagem e muita dedicação. Em todos os projetos que entro dedico-me ao máximo. Só assim faz sentido. Em todos aqueles anos que estive no Gondomar trabalhei com o mesmo rigor do que em Braga. Simplesmente, agora, coloco mais tempo naquilo que faço, até porque sou profissional. Enquanto adjunto, fomos campeões distritais nos sub-16 e depois, no ano seguinte, sendo já treinador principal, fomos campeões de sub-10. Foi uma experiência enriquecedora e marcante, ficará sempre um carinho muito especial pelo clube gondomarense.

,