Do fado ao rockabilly com raízes em Gondomar

O fadista é natural de Baguim do Monte e interpreta, na sua maioria, temas de Neca Rafael / Foto: Pedro Santos Ferreira

O fadista é natural de Baguim do Monte e interpreta, na sua maioria, temas de Neca Rafael / Foto: Pedro Santos Ferreira

Nascido em Baguim do Monte, José Carvalho ou Zé Carvalho – como é conhecido – trabalhou na construção civil e foi taxista mas é pelo fado que é reconhecido. Não é um fado comum. É o fado com humor. Tem até à data três gravações e diz que se sente “um tanto ou quanto regozijado” porque a população de Baguim do Monte “o respeita muito”. Já os The Dixie Boys andam na estrada desde 1994. A banda de rockabilly dos anos 50 já teve várias formações mas, segundo Rui Ferreira, compositor e contrabaixo, esta é a “melhor formação” da banda. Os The Dixie Boys contam com quatro álbuns editados e atualmente ensaiam na casa do vocalista Ricardo Prazeres, em Valbom. O Vivacidade esteve à conversa com três dos quatro membros do grupo.

Entrevista a Zé Carvalho:

Quando é que o fado entrou para a sua vida?
Comecei a brincar no Largo de S. Brás, quando se faziam festas e cortejos para o Centro Paroquial. Participei em várias, inclusivamente, vestido de palhaço em festas para crianças. E numa dessas festas houve um senhor que me disse: “Quero contratá-lo para o dia 4 de novembro [de 1978] porque vou inaugurar um restaurante em S. Pedro da Cova.” Eu disse que estava a cantar mas não era fadista. Esse foi o meu primeiro espetáculo. Depois, pensava que não ia continuar mas a malta começou a puxar por mim e então dediquei-me um bocadinho e continuei.

Foi a voz ou o humor que o ajudaram a lançar a carreira?
Foi a voz, porque comecei com um reportório do Neca Rafael e a minha voz parecia-se com a dele. E havia uma certa parecença na voz. Mas foi um pouco de tudo, o humor também e continuei sempre com esse tipo de fado.

Porquê o fado humorístico?
Já gostava da pessoa que, naquele tempo, comecei a imitar. Dava-lhe um valor fora de série e ganhei mais tarde minimamente um pouco desse valor.

Nunca considerou o fado como um estilo de música triste?
Nos anos 60 e 70 chamávamos o ‘fado da desgraçadinha’ mas agora não. Há fados bonitos. Temos autores portuenses com fados lindos.

Considera-se uma figura nacional, com um estilo próprio definido?
Sim. Quem é que não tem um bocadinho de vaidade naquilo que está a fazer? Sinto alguma responsabilidade porque normalmente sou o artista principal convidado e nos dois primeiros fados ainda vou a tremer.

Mesmo depois de todos estes anos ainda se sente nervoso?
Sinto, é o sentido de responsabilidade.

Sente também a responsabilidade de fazer rir o seu público?
Sim, também gozo isso. O pessoal precisa de se rir.

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