Duo Broa de Mel: “Nunca tínhamos imaginado fazer um hino para um clube”

A entrevista realizou-se no estádio Cidade de Rio Tinto / Foto: Ricardo Vieira Caldas

A entrevista realizou-se no estádio Cidade de Rio Tinto / Foto: Ricardo Vieira Caldas

José Carlos e Maria José Gorgal, conhecidos pelos portugueses como “Broa de Mel” estão de regresso a Gondomar. Movidos pelo convite da direção do S. C. Rio Tinto, aceitaram de imediato o desafio de compor um hino para o clube que celebrou este ano o 90.º aniversário. Quanto ao futuro não têm dúvidas “impõe-se o lançamento de um novo álbum”.

Como nasceu o Duo Broa de Mel?
Maria José
 (MJ) – Conhecemo-nos num programa festival, namorámos e depois do nosso casamento fizemos vários concertos como amadores. Éramos convidados para fazer as primeiras partes dos cantores profissionais, onde conhecemos a Amália Rodrigues, Carlos Paião, José Cid, Paco Bandeira, Cândida Branca Flor… Mas foi preciso deixarmos Rio Tinto e irmos para Lisboa fazer a nossa carreira. Em conversa connosco, o Carlos Paião chegou a dizer: “É pena porque vocês sabem muito bem o que andam a fazer e há poucos duos.” Convencemo-nos e começamos a fazer contactos para ir ao Festival da Canção de 1982.

Correu bem, ficámos em quinto lugar, entre 12 concorrentes. Foi como se tivéssemos ganho o festival (risos). A partir daí começaram a surgir convites e o nosso segundo single “Passear Contigo” atirou-nos para o mundo. Passados dois meses estávamos nos Estados Unidos a apresentar a canção às comunidades portuguesas.

Mas depois da participação no Festival da Canção, em 1982, têm outra participação em 1983…
MJ – Sim, também participamos em 1983, mas arriscámos demais. Começámos a trabalhar com músicos muito evoluídos, desde o Armindo Neves, ao Mike Sergeant e Ramón Galarza. Todos eles estavam num patamar musical europeu e quiseram que cantássemos um funkie, que não tinha nada a ver com o que fazíamos. Foi uma aventura e aí não ficamos nada bem classificados.

Porque é que hoje em dia não se veem grandes nomes a participar nos festivais da canção?
MJ – Porque convencionou-se que quando uma pessoa ou banda não fica bem classificada, perde prestígio. Mas se hoje me fosse feita essa proposta eu não teria muito a perder ao participar no Festival da Canção. No entanto, em 1982, quando o Marco Paulo participou no Festival, foi muito mau para ele naquela altura, porque ficou mal classificado e ouvi pessoas a dizer-lhe que ele nunca deveria ter concorrido. Hoje em dia um cantor que vai atuar à televisão já é profissional. Quanto é que ele passa a cobrar? O mesmo que os outros que já cá andam há muito mais tempo.

O primeiro álbum surge em 1990…
José Carlos (JC)
– Era moda esperar algum tempo para fazer o primeiro álbum. Os editores faziam um disco por ano, com lado A e lado B.

Para quando o próximo álbum?
MJ – O próximo álbum foi este do SCRT (risos). Agora estamos a trabalhar com o Ricardo Landum, que é o produtor do Tony Carreira e já estamos a selecionar temas para o próximo trabalho.
JC – Impõe-se o lançamento do próximo álbum que terá que levar a minha chancela com o slogan de sucesso.

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