Entrevista aos Efeito Positivo FX+: “Não nos rendemos aos lobbys musicais”

Entrevista aos Efeito Positivo FX+

Fernando Oliveira e Armindo Sousa (em cima), Paulo Góis, Carlos Silva e Domingos Nascimento (em baixo) formam a banda Efeito Positivo FX+ / Foto: Pedro Santos Ferreira

Armindo Sousa, guitarrista, Fernando Oliveira, teclista, Domingos Nascimento, baterista, Paulo Góis, baixista, Rui Poças, guitarrista, e Carlos Silva, vocalista, são os elementos da banda Efeito Positivo FX+, sucessora dos Roudiney, banda formada nos anos 90, que prima pela criação de músicas pop rock cantadas em português. Em exclusivo ao Vivacidade, o grupo revela a intenção de lançar um disco em 2016.

Como surgiram os Efeito Positivo?
Armindo Sousa (AS) – Este projeto vem na sequência de um anterior, os Roudiney, dos anos 90. Esse foi o primeiro nome da banda, atribuído pelo Fernando e o Carlos. Nós, os outros elementos, que não estavam na banda, éramos os que diziam mal deles [risos]. Na altura o projeto era muito marcado pela tendência musical electrónica que se vivia na altura. A banda chegou a passar na rádio e fizeram um álbum com muita coragem.

Os elementos que não pertenciam aos Roudiney eram os críticos da banda?
AS – Não, não [risos]. Nós sempre tivemos uma opinião muito crítica em relação aos Roudiney e não nos identificávamos muito com aquele tipo de música, mas éramos amigos.
Fernando Oliveira (FO) – Acabaram por se render a nós e, mais tarde, juntar-se ao projeto.

A música dos Roudiney era feita no computador Commodore…
FO – Nessa altura esses computadores tinham ferramentas fantásticas e nós (Fernando e Carlos) éramos uma banda de estúdio improvisado.

No entanto, os Roudiney separam-se e a banda acaba…
FO – Foi a fase das namoradas, casamentos e falta de tempo. Em 2002, eu e o Armindo começamos a lançar a ideia do projeto que temos hoje. Entretanto, sempre segui a música electrónica.
AS – Nesse período de inatividade foram lançadas as ideias para o FX+. Em 2008, surgem os FX+ já reinventados. O Rui juntou-se a nós e resolvemos encontrar um novo nome para a banda. Fizemos uma lista com os nomes que tínhamos em mente e o Efeito Positivo foi o escolhido porque é isso que queremos sentir e fazer sentir.

Quais foram as influências que vos uniram?
AS – Cada um de nós tem influências diferentes e isso acaba por tornar-nos uma máquina defeituosa com peças que se encaixam. Procuramos misturar as referências do rock português – UHF, Xutos e outros – e tentamos encontrar algo diferente nesse registo. Não somos uma banda com um estilo certo.
Carlos Silva (CS) – Estamos dentro do pop/rock mas temos a capacidade de comunicar com o público.

Nas vossas músicas procuram sempre passar uma mensagem?
AS – Sem dúvida.
Domingos Nascimento (DN) – Julgo que o virtuosismo de cada um não tem significado nesta banda. No todo é que acontece aquilo que é pedido na música. Queremos que as nossas músicas tenham simplicidade, que sejam bem executadas e que façam sentir alguma coisa a quem as ouve.

Neste momento estão a trabalhar numa nova música…
AS – Estamos a preparar-nos para lançar o novo tema, intitulado “Convergência”. É uma música importante pela forte mensagem que carrega. O vídeo está praticamente pronto mas falta-nos trabalhar o áudio. No final de fevereiro estará pronta a ser lançada nas redes sociais.

Esse tema vem na sequência do “Acorda”?
AS – Vem. Não estão diretamente ligadas mas integram o mesmo contexto social. O “Acorda” já vem na sequência do “Impossível”.
DN – São vivências pessoais.
AS – Aí está um bom nome para o nosso álbum, “Vivências” [risos].

Já têm algum trabalho publicado?
AS – Temos um EP e 18 originais nossos. Temos trabalhado vários temas para gravarmos um álbum.

Quando é que poderão vir a lançar o disco?
AS – Gostaríamos que fosse este ano. A ideia da música “Convergência” foi despertar o interesse na nossa banda. Sentimos que temos alguma coisa de especial nos nossos concertos e as pessoas ficam ligadas a nós.

Entretanto já atuaram na Festa do Avante e tocam em várias casas do Porto…
AS
– Sim, no Hard Club, em vários festivais, no Mary Spot, em Matosinhos, e temos andado por aí. Entretanto já fomos novamente contactados para participarmos na Festa do Avante deste ano. Vamos ter um concerto com cerca de 45 minutos.

A vossa essência é em cima do palco?
AS – É onde se faz sentir o nosso efeito positivo.
DN – Isso tem a ver com as próprias músicas e com a forma que são tocadas. Quando é na hora e em palco são mais reais.

Nas redes sociais a banda é muito ativa. Pretendem dar continuidade a essa estratégia?
AS – A componente visual e os nossos vídeos são muito importantes. Assumimos a realização e a produção de tudo o que fazemos. Essa é também uma característica importante porque permite-nos definir o nosso próprio caminho. Não nos rendemos aos lobbys musicais.

Vão iniciar este ano com um concerto na discoteca Margem, em Foz do Sousa, a 27 de fevereiro. Tencionam manter estes concertos?
AS – É o nosso concerto de início de ano. Vai servir para testarmos as novas músicas em palco. São estas oportunidades que nos fazem crescer.

Gostariam de atuar mais vezes em Gondomar?
AS – Sem dúvida. Gondomar tem boas infraestruturas mas falta alguma dinâmica. Há um certo padrão de espetáculo e não se foge muito disso. Existem boas bandas no concelho mas raramente tocam em Gondomar. Nós temos feito alguns concertos porque temos uma componente social a que nos associamos sempre. Felizmente temos os materiais e uma pequena máquina que nos permite ter essa autonomia.

Estão também inseridos no concurso EDP Live Bands. Qual é a vossa expectativa para este concurso?
AS – É a segunda vez que participamos e a votação está a decorrer online. Provavelmente não vamos vencer mas o facto de estarmos lá já é uma vitória porque fomos escolhidos.

, ,