Entrevista Graciano Martinho: “As pessoas que tomaram conta da ACIG não tinham capacidade para o fazer”

Graciano Martinho, presidente da direção da centenária Associação Comercial e Industrial de Gondomar / Foto: Pedro Ferreira

Graciano Martinho, presidente da direção da  Associação Comercial e Industrial de Gondomar / Foto: Pedro Ferreira

Após um período de ausência por motivos de saúde, Graciano Martinho, presidente da direção da centenária Associação Comercial e Industrial de Gondomar regressou ao exercício de funções a 5 de maio. O dirigente associativo admite, em entrevista ao Vivacidade, ter encontrado “uma casa a arder” que demorou cinco meses a “limpar”.

Como viveu este período de paragem forçada do seu mandato por motivos de doença?
Em maio do ano passado estive com uma pneumonia no Hospital da Universidade Fernando Pessoa e como estive ausente deixei a direção a cargo de pessoas de confiança. Contudo, em setembro a minha situação piorou e só regressei em maio ao exercício das minhas funções na ACIG. Para além de já ter vontade de largar a presidência da associação, porque tenho uma empresa em crescimento, gostava de deixar a presidência a alguém que fosse capaz de assumir este cargo.

Quando retomou o seu mandato em que estado estava a associação?
Encontrei uma casa a arder. Os nossos funcionários estavam a ser vítimas das pessoas que estavam na direção e do presidente da Assembleia-Geral. Eles afirmavam que esta casa devia meio milhão de euros e que tinha dívidas em todo o lado e isso é uma completa mentira. Em sete meses estas pessoas desgraçaram a ACIG.

Na sua opinião, o que se passou com os dirigentes que ficaram responsáveis pela ACIG?
O que se passou foi que as pessoas que tomaram conta da ACIG não tinham capacidade para o fazer. Houve falta de capacidade e falta de conhecimento mínimo de gestão empresarial. Esta casa esteve a ser comandada por pessoas sem capacidade para gerir a ACIG.

Quem ficou responsável pela gestão da ACIG?
Quem deveria ser responsável era o secretário da direção com a coresponsabilidade do tesoureiro.

Eram pessoas da sua confiança?
Totalmente! Sempre confiei em todos os funcionários e diretores desta associação. No entanto, a maior parte foram traidores. Acusaram-me de gestão danosa quando eu até dou donativos do meu bolso a esta associação. Eu construi estas instalações e estão pagas, para não falar dos outros espaços que temos. Somos talvez a Associação Comercial e Industrial de Portugal em melhor situação financeira.

Quando saiu a ACIG tinha uma situação financeira estável e quando regressou a situação era diferente. Como estavam as contas da ACIG?
Estava tudo perdido. Nós temos quase dois milhões de euros de fundos comunitários para executar agora e desses dois milhões tínhamos aprovado o projeto “Comércio Investe” para o tecido empresarial de Gondomar, a que correspondem 720 mil euros, sendo que 350 mil euros são a fundo perdido. Eu já tinha esse projeto preparado antes de ficar doente e quando cheguei à ACIG esse projeto que tinha inscritas 24 empresas já só contava com cinco empresas que estavam prestes a abandonar.

Foi nesse momento que sentiu que tinha que levantar a suspensão do mandato para regressar ao exercício de funções?
Foi quando percebi o que estavam a fazer a esta casa. Cortaram-me o acesso a tudo e durante a minha ausência não soube o que estava a acontecer na ACIG.

Tinha ideia de regressar à presidência da direção da associação?
Não, o meu objetivo era deixar a presidência entregue a quem assumiu a presidência interina durante a minha ausência, o David Santos.

O que teve que fazer para resolver os problemas que encontrou?
Em cinco meses consegui recuperar totalmente a associação e consegui pagar a toda a gente. Não pedi dinheiro a ninguém, só aproveitei os recursos que tinha deixado. As pessoas que ficaram a gerir não souberam aproveitar esses recursos.

Porquê?
Havia muito trabalho por executar e ninguém estava a ser capaz de o executar. Talvez eu só tenha conseguido isso porque ainda há pessoas que acreditam em mim. Quando as pessoas perceberam que eu tinha regressado voltaram a confiar nesta associação.

Confirma que durante a sua ausência houve um conjunto de associados que junto de uma instituição bancária tentaram penhorar estas instalações?
É verdade. Queriam penhorar o meu sangue, o meu suor, as minhas lágrimas e toda a ousadia que tive ao desafiar o poder autárquico e associativo para construir esta sede.

Porque é que tentaram penhorar as instalações?
Não faço ideia. Talvez fosse para comprar um carro para o presidente da Assembleia Geral (Francisco Laranjeira) e outro para o secretário da direção (David Santos). Só sei que não precisei de nenhum empréstimo para ter dinheiro para dar às empresas.

Além disso, tentaram destituí-lo do seu cargo?
Tentaram e lamento muito que o presidente da Assembleia Geral não conheça os estatutos desta associação. Tive que ensinar-lhe os estatutos. Alguns deles nem tinham as quotas em dia, veja bem. Hoje já todos têm.

Durante esse período as empresas associadas ameaçaram sair da ACIG?
Felizmente essa vontade não se verificou porque nós temos serviços que as empresas carecem. Podemos dar assistência e acompanhamento na contabilidade e no pagamento dos impostos. Perdemos alguns associados mas isso também se verificou nas outras associações comerciais do país.

No seu entender, qual é o papel da ACIG em Gondomar?
Esta casa tem uma responsabilidade tremenda no concelho. A ACIG recebe dois milhões de euros para gerir durante o ano e temos cerca de 700 associados pagantes a quem temos que dar resposta.

A ACIG está a dinamizar programas de apoio financeiro ao comércio gondomarense. Quantos milhares de euros é que já foram entregues?
Entregamos a segunda tranche e daqui a um mês fazemos mais uma entrega. No total são 720 mil euros do programa Comércio Investe de Gondomar. Além disso, estamos a pensar disponibilizar um programa comunitário superior a 400 mil euros para os empresários da zona do Mercado da Areosa. Esse programa já está aprovado. Ainda temos mais 70 mil horas de formação para dar às empresas. Provavelmente a formação só começa em janeiro.

Os programas da ACIG estão a ter grande adesão?
O Comércio Investe de Gondomar está lotado.

O que lhe falta fazer pela associação?
Gostava de ver a associação bem entregue após a minha saída.

Não vai recandidatar-se a um novo mandato?
Não, não faço mais mandatos.

Tem um nome em mente para o suceder?
Tenho uma pessoa que gostaria que me sucedesse. É um grande empresário de Gondomar mas não quero revelar já o nome da pessoa.

Após a sua saída ficará atento ao comércio e à indústria de Gondomar?
Ficarei sempre atento porque também sou empresário e lido com os comerciantes de Gondomar diariamente.

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