Fábio Silva: “Trabalho muito para conquistar os meus objetivos”

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Fábio Silva é a jovem promessa do futebol Português que com apenas 17 anos, veste a camisola dos azuis e brancos. Integrante do plantel principal da equipa do Porto e da Seleção Nacional dos Sub-19, refere que ainda há muito por conquistar.

Como é que começou a tua paixão pelo Futebol? Como é que surgiu na tua vida? Quem te incentivou?

A minha paixão pelo futebol surgiu por causa do meu pai que jogou futebol num nível, também, muito alto. O meu pai sempre passou para mim indicações e sempre referiu que o futebol era uma modalidade que as pessoas admiram muito. Depois, comecei a dar os meus primeiros toques. E descobri que era isto que queria para o resto da minha vida.

Acreditas que tens uma maior ligação com o futebol graças ao facto de que o teu pai e o teu irmão- Jorge silva, futebolista da equipa Lazio, Itália- serem tão ligados à modalidade?

Sim, sem dúvida nenhuma.

Falando um pouco de Gondomar, tens alguma história que queiras partilhar connosco sobre a tua infância? Por exemplo de quando praticava no clube Gondomar SC.

Lembro-me de uma vez que fomos jogar contra o Porto num torneio, tinha eu 6/7 anos, e fiz dois golos pelo clube de Gondomar. O Porto, no final do jogo, dirigiu-se a mim e perguntou se queria treinar no clube e foi nesse momento que comecei a treinar com a camisola do Dragão.

Sentes que o meio desportivo moldou, de certa forma, a tua personalidade?

Como mudou a mim muda a todos. O futebol, obriga-nos a ter um comportamento mais tranquilo, temos que ser mais humildes. Sendo que, torna-se uma responsabilidade que acabamos por gostar de ter, saber que as pessoas nos admiram, que muitas vezes somos ídolos para as crianças e para os mais velhos.

Muitos jovens e crianças acabam por se espelhar em ti, sentes que és um modelo a seguir para todos eles? Sentes a responsabilidade de ser o Fábio Silva?

Sim, eu sei que se fizer algo que a sociedade considere errado, as pessoas facilmente irão comentar, tenho que estar sempre alerta com tudo o que digo ou partilho. Porque, graças à minha profissão, os olhos estão sempre postos em nós e facilmente somos um alvo. Tento sempre ser correto e tanto para o bom como para o mau, nós temos que ser um exemplo a seguir. Temos que ter sempre cuidado e desviar de todas as situações que consideremos negativas. Tenho de ser um exemplo a seguir para os mais novos como, também, para os jovens.

Sentes a pressão de não falhar nos jogos?

Não, eu sou uma pessoa que até gosta de lidar com a pressão e de sentir esse extra. E, ao meu ver, quando um jogador deixa de senti-lo, parece que as coisas não correm assim tão bem. Porque até se falhar, gosto de sempre assumir porque falhar faz parte.

Quando é que pensaste pela primeira vez que o futebol seria o teu futuro?

Desde muito cedo tive patente essa ideia, porque recebia muitos feedbacks positivos das pessoas ao meu redor, muitas vezes dirigiam-se a mim e referiam que com um pouco de mais trabalho e disciplina conseguia chegar longe. Isso fez com que desde cedo tivesse outra visão pelo futebol, uma visão mais profissional.

Começaste a treinar numa equipa da Maia, passaste pelo Gondomar SC e a passo e passo foste construindo a tua carreira até que, hoje, estás no Porto. Houve algum treinador que te marcou ou ajudou-te a conquistar aquilo que tens hoje?

Sim, quando estava no Benfica lembro-me do treinador que tive que era o Mister Luís Nascimento, que em termos de aprendizagem foi o treinador que mais me fez crescer e adquirir muitas das capacidades que tenho hoje, sempre apostou em mim. Falo com ele quase todos os dias, a última vez que falamos, foi no dérbi Porto- Rio Ave, ele agora é treinador adjunto do Rio Ave e, no entanto, ele mesmo sendo da equipa contrária, procurou mandar-me mensagem. Ele está sempre preocupado e atento comigo e eu com ele. No ano passado, quando jogava nos juniores, tive outro treinador, o mister Mário Silva, que criei uma ligação muito boa, antes dele ser meu treinador já o conhecia pessoalmente por causa do meu pai, mas o resumo da época com ele foi muito boa, tanto que ganhámos vários títulos que o Porto não ganhava há muito tempo.

Já que falaste do Benfica, do Porto foste para o Benfica e depois do Benfica voltaste para o Porto, duas equipas rivais. Sentes que o Porto soube valorizar melhor o teu talento?

Não é uma questão de saber valorizar, porque sempre que tive no Benfica as pessoas tratavam-me bem e tinham confiança em mim. Valorizavam-me. Na altura, em concordância com a minha família, achei que era o melhor para mim e para a minha carreira voltar ao Porto, mas no Benfica as pessoas sempre foram impecáveis comigo.

Como funciona a dinâmica dos teus treinos? Qual foi a maior diferença que sentiste ao treinar numa equipa principal?

Sem dúvida nenhuma que foi a intensidade. Somos colocados à prova todos os dias e a exigência é muito maior. Não podemos facilitar em muitos aspetos, porque já não perdoam tanto no nível profissional, já não temos desculpas para falhar, dado que temos que estar mais concentrados.

O que é que pensaste quando recebeste a notícia que aos 17 anos farias parte do plantel principal do Futebol Clube do Porto? Porque não é qualquer jovem adolescente que consegue esse feito.

Quando estava na fase final dos juniores no Porto, estava a ter uma sequência muito boa de resultados nos jogos e a marcar muitos golos. Foi-me transmitido que possivelmente, na próxima temporada, poderia fazer parte da equipa principal desde que treinasse muito. Fiquei muito feliz com o meu esforço. Consegui passar à frente dos meus colegas e já tão novo fazer parte de uma equipa como o Porto. Saber que sou tão novo e já estar a partilhar o relvado e os balneários com pessoas que admiro enquanto profissionais e com quem eu via e jogava nos jogos de playstation é algo surreal. Na altura a notícia foime transmitida pelo meu pai, que é o meu empresário, Jorge Silva.

Sentes a responsabilidade ou pressão de ser a grande jovem promessa do Porto?

Ao meu ver, a pressão não existe, porque eu observo da seguinte forma, para mim a pressão é como uma vitamina que serve para ficar mais motivado, fazer as coisas bem e ficar tranquilo. Para mim a pressão não me diz nada, porque sou uma pessoa que gosta de jogar de cabeça fria.

Nós vimos o primeiro golo que marcaste como titular, o estádio estava ao rubro naquele momento o que é que te passava pela cabeça ao ver os adeptos no estádio a gritar pelo teu nome?

Esse momento marcou-me mais do que o próprio golo (risos). Na altura quando o estádio estava a gritar pelo meu nome foi o momento que ficou mais na minha cabeça, o golo acabou por ficar em segundo plano. Porque era algo que desde muito novo brincava em casa com a minha irmã, muitas vezes eu gritava “Fábio!” e ela respondia “Silva!”. Então, tornou-se como a realização de um sonho de infância.

Sabemos que estás a jogar, atualmente, na seleção nacional sub-19, tens a ambição de ser um dos onze escolhidos do plantel principal?

Para um jogador que está nos sub-19 o ponto máximo da seleção é a “A” e é claro que, a sua ambição passa por fazer parte da seleção principal. No clube já cheguei ao plantel principal e, agora, só falta esse bocadinho que é chegar a equipa A da seleção. Conquistar as duas seria muito bom.

Agora, uma curiosidade, eu com 17 anos estava a pensar entrar na Faculdade ou a pensar o que seria a minha vida, como é que é ter 17 anos e já valer milhões?

Eu tenho um apoio familiar muito forte e uma estrutura à minha volta que trabalha comigo que tenta manter os meus pés no chão, porque normalmente uma pessoa da minha idade nestas circunstâncias, facilmente perde a cabeça neste mundo, no entanto, são as pessoas que estão ao meu redor que me ajudam constantemente com isso. Eu sou muito tranquilo quanto a isso, porque sou uma pessoa muito ligada aos meus e tenho os pés bem assentes na terra.

Ao longo do teu percurso, sentiste a necessidade de abdicar de muita coisa para chegar onde chegaste?

Claro! Muitas vezes acordamos muito cedo e temos que ir para o treino, e são treinos muito rigorosos e por causa disso muitas vezes tenho que recusar os convites dos meus amigos para estar com eles e ir sair, entre outras situações, mas no final, esses esforços não custam tanto, porque depois mais tarde vamos olhar para trás e saber que recompensaram e que muitos queriam ter a vida que nós temos, mas não vão conseguir porque não trabalharam o suficiente.

Como é que consegues lidar com a fama e a euforia dos adeptos? Visto que são apaixonados pela camisola, como é que lidas com a pressão deles?

Por acaso sou uma pessoa muito afetiva e que gosta de receber os elogios, gosto quando um adepto vem ter comigo e diz que gosta do meu futebol e que gosta da maneira como eu sou como pessoa. Todos os dias, eu trabalho para que as pessoas gostem de mim. Aos adeptos não tenho nada a apontar, porque sempre dão carinho e demonstram apoio em tudo o que faço. Sou muito grato por eles.

Alguma vez pensaste em desistir do mundo do futebol?

Não, eu não me via a fazer outra coisa, sinto que o esforço que deposito diariamente, mais tarde será uma recompensa e irá valer a pena.

Tens algum ritual que realizas antes de entrar em campo?

Eu sou uma pessoa que gosta sempre de rezar, também gosto de entrar com o pé direito, e antes de todos os jogos tenho que falar com os meus pais e a minha irmã para que eles me deem sempre aquela força extra e me tranquilizem.

Tens alguma equipa ou um jogador que gostarias de enfrentar em campo?

Enfrentar não tenho preferências, mas gostaria de um dia jogar lado a lado com o Cristiano Ronaldo, que é o meu ídolo, também gostava de um dia ter a experiência de jogar pelo Real Madrid.

Quando ganhaste o Dragão de Ouro como atleta revelação do ano, qual foi a palavra ou o que é que te disseram os teus colegas de equipa?

Disseram que era muito merecido e que era para agora não relaxar, que tinha que continuar a trabalhar e que se tivesse cabeça, isto era só o princípio de muitas coisas que poderia conquistar. Ouvir uma coisa dessas de muitos jogadores que são referência para mim dá uma confiança extra.

Como vês o apoio que é disponibilizado pela Câmara de Gondomar ao desporto? Sentes que a autarquia dá o devido valor às modalidades? E ao futebol?

O meu avô é que sempre me coloca a par de tudo, tento acompanhar sempre todos os acontecimentos, gosto da maneira como eles veem o desporto e considero que o município tem desenvolvido um bom trabalho na área.

Qual é a chave para o teu sucesso como atleta?

Considero que tenho uma personalidade muito forte que não desiste, tenho muita ambição de fazer mais e ser o melhor e, ao mesmo tempo, trabalho muito para conquistar os meus objetivos. ■

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