Festa do Sável e da Lampreia decorre de 2 de março a 7 de abril

Festa Sável e Lampreia - fevereiro 2019

Carlos Brás, vereador do Desenvolvimento Económico do Município de Gondomar / Foto: Pedro Santos Ferreira

A 28ª edição da Festa do Sável e da Lampreia está prestes a começar. A iniciativa gastronómica da Câmara de Gondomar vai levar estas duas iguarias até às ementas dos 21 restaurantes aderentes e tem como principal novidade a realização de dois fins de semana gastronómicos em Gramido.

Durante mais de um mês, mais concretamente de 2 de março a 7 de abril, o sável e a lampreia estão de volta às ementas de 21 restaurantes do concelho, que participam na 28ª Festa do Sável e da Lampreia.

A principal novidade traduz-se na realização de dois fins de semana gastronómicos, que terão lugar nos dias 30 e 31 de março e 6 e 7 de abril, junto à Casa Branca de Gramido, em Valbom, com entrada livre.

Desta forma, será possível apreciar uma vasta oferta gastronómica e de animação, a preços convidativos, entre os 7,50 e os 22 euros (2 pessoas).

“Este ano, optamos por realizar o fim de semana gastronómico mais tarde para tentar adequar à época piscatória. Nesta altura há mais pescado e o preço também está mais baixo. Além disso, isto permite que os restaurantes sirvam melhor os seus clientes e que tenham uma maior margem de lucro”, explica Carlos Brás, vereador do Desenvolvimento Económico do Município de Gondomar, entidade organizadora da Festa do Sável e da Lampreia.

Por sua vez, a prova cega, que determinará o melhor sável frito e a melhor lampreia à bordalesa, está agendada para 7 de março, no Centro de Educação Ambiental da Quinta do Passal.

“Março e abril são os melhores meses de pesca da lampreia”
Miguel Ferreira, 66 anos, filho de pescadores e pescador desde criança, é por estes dias um homem feliz. Admite que a pesca do sável e da lampreia está mais fraca, mas confirma uma boa época piscatória, este ano, tendo em conta que o melhor ainda está para vir.

“Março e abril são os melhores meses de pesca da lampreia. Durante a construção da barragem Crestuma-Lever, a pesca do sável falhou, mas nos últimos anos a pesca do sável tem crescido no rio Douro”, afirma o pescador.

O segredo, acrescenta, “são as armas”, mais concretamente as redes de boa qualidade.

Quanto às dificuldades, de acordo com Miguel Ferreira, a abundante “sinalização para os cruzeiros” tem dificuldade a atividade piscatória, bem como as descargas de água da barragem, que impossibilitam os dias de pesca.

“Quando o turismo veio para cá, nós já cá estávamos. Por isso, julgo que nos deviam respeitar mais”, conclui. 

Chef Hélio Loureiro: “Tenho pela lampreia uma paixão”
Tenho pela lampreia uma paixão e grande respeito que começa pelos pescadores que, ano após ano, se esforçam não apenas para as trazer para a nossa mesa, assim como um profundo carinho pelas peixeiras que as tratam, amanhando-as com superior sabedoria, e pelas tantas cozinheiras que as confecionam de forma tão elevada, dando lições a tantos chefes experimentados, por ventura mais conhecidos, mas não tão traquejados na confeção desta espécie.

Não falarei do sável, o peixe de rio mais apreciado em Portugal desde a extinção do salmão, que saltava em séculos passados nos nossos rios, porque eu gosto mais de lampreia. São gostos…

A lampreia à bordalesa – a mais divulgada -, é original de Bordéus, França. Em Portugal esta receita foi sofrendo alterações e do original, por vezes, resta somente o nome. Os alhos franceses foram trocados por mais quantidade de cebolas e o vinho de Bordéus por vinho da região onde é confecionada. O nome da receita, segundo Mário Varela Soares, chega através duma empresa conserveira — Amieux Fréres — que, em 1913, terá batizado “à bordalesa”. Até aí era conhecido por lampreia com alhos franceses ou à moda de Bordéus. O acompanhamento era além das tostas um molho com cogumelos.

A lampreia está desde cedo presente no receituário português. No primeiro livro de cozinha portuguesa datado de Domingos Rodrigues, chefe de cozinha de suas majestades, uma deliciosa empada de lampreia é descrita com garbo. Uma receita de lampreia com salsa e coentros está também escrita num caderno que Dona Maria, infanta de Portugal no século XV, leva para Itália com algumas receitas da corte lusa. Atualmente podemos encontrar lampreia confecionada de diversas formas: com molho de chocolate, à transmontana, no espeto, de fricassé, de escabeche, de conversa, em espadas, etc.

Programação
30 de março
12h30 – Música ao vivo com Quatro Claves
20h30 – Noite de fados 

31 de março
12h30 – Música ao vivo com Rita Light
13h30 – Recriação dos pescadores de Valbom, pelo Grupo Etnográfico de Valbom 

6 de abril
12h30 – Música ao vivo com Miguel Abrunhosa
20h30 – Noite de fados com Juliana Duarte 

7 de abril
12h30 – Música ao vivo com Quarteto Manhattan
13h30 – Recriação dos pescadores de Valbom, pelo Grupo Etnográfico de Valbom

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