Filigrana a Património Cultural Imaterial: fase de angariação pública termina a 30 de novembro

Candidatura Património Nacional - novembro 2018

A fase de angariação engloba artefactos, desenhos ou peças ligadas à filigrana / Foto: Pedro Santos Ferreira

O Município de Gondomar está a preparar uma candidatura da filigrana a Património Cultural Imaterial. Para isso, apelou ao contributo de todos aqueles que estão ou possam ter estado em contacto com o trabalho do ouro e da prata. A fase de angariação pública está prestes a terminar. 

A Câmara Municipal de Gondomar quer inscrever a filigrana no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial. Para atingir o objetivo, o Município desafiou todos os gondomarenses a contribuírem numa fase de angariação pública destinada a todos aqueles que estão ou possam ter estado ligados ao trabalho do ouro e da prata, diretamente ou através de familiares.

No âmbito deste projeto, pretende-se ainda criar uma base de dados, a partir dos bens de memória familiar, para que as origens e a história desta atividade fundamental do concelho sejam do conhecimento e acesso público.

“O objetivo passa por valorizar o trabalho artesanal desenvolvido ao longo de vários anos no nosso concelho. Trata-se de um complexo processo de investigação, porque nunca se apurou a origem da filigrana em Gondomar e nunca se encontrou nenhuma explicação para esta forte ligação entre a filigrana e os gondomarenses. Sabemos que começa algures no século XX, mas não sabemos exatamente quando. Não sabemos em que freguesias houve maior atividade. Não sabemos como é que o ofício cresceu e decresceu nos últimos 200 anos”, afirma Ana Sousa, professora do Departamento de Ciências e Técnicas do Património da Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
Neste projeto, a investigadora é ladeada por Mafalda Pinheiro Pereira, Museóloga e Investigadora Científica, também responsável pela investigação.

Entre as principais dificuldades, a investigadora aponta a falta de informação sobre a caminhada do concelho até se tornar o centro da ourivesaria em Portugal e fazer a distinção entre ourives e filigraneiros, “porque os que faziam peças em filigrana identificavam-se como ourives”, explica Ana Sousa.

De acordo com Ana Sousa, “só a partir da segunda década do século XX, devido ao grande sucesso da técnica e a um grande crescimento no mercado, é que começamos a ver a divulgação da filigrana e dos filigraneiros em publicidade ou em almanaques”.

Desta forma, até 30 de novembro, o Município espera receber fotografias, utensílios, peças, desenhos e marcas que possam ser integradas neste processo de candidatura.

No horizonte está também uma candidatura da filigrana ao Património Mundial da UNESCO, que só será possível após a inclusão desta técnica no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial.

“Conseguirmos esse reconhecimento da UNESCO seria algo único”, conclui a investigadora, em declarações ao nosso jornal.

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