Filipe Cardoso: “Sinto que estou a evoluir bem e trabalho muito forte para tentar ser cada vez melhor”

Filipe Cardoso "Xot" - setembro 2016

Filipe Cardoso é guarda-redes da equipa de futsal Braga/AAUM / Foto: Direitos Reservados

Filipe Cardoso, atleta gondomarense, mais conhecido por “Xot”, usou todo o seu talento e dedicação para triunfar numa modalidade que começa a ser cada vez mais valorizada, o futsal. Com apenas 22 anos é já um guarda-redes preponderante no seu Braga/AAUM. Há quem cuide da bola como se ela fosse o tesouro mais precioso do mundo, levando os adeptos à loucura. Porém, há que perceber que é defensivamente que se ganham grande parte dos jogos. Muitas vezes é o atleta mais subvalorizado que decide, o guarda-redes. “Xot” que o diga.

Como foi a tua caminhada até à equipa principal do Braga/AAUM?
Foi um percurso muito exigente. Vim para Braga com 18 anos, com mais quatro jogadores da cidade do Porto, com a intenção de representar os juniores. Foi um ano em que o Braga/AAUM estava a fazer uma grande aposta nos escalões de formação. De todos fui o único que consegui ingressar na equipa sénior e nesse mesmo ano disputei uma final da Taça de Portugal contra o Sporting.

O Vítor Hugo é para muitos o melhor guarda-redes português… Como é ser o substituto de um grande símbolo do futsal?
Substituto nunca ninguém gosta de ser, como é óbvio. No entanto, quando se olha para o lado e está lá um dos melhores guarda-redes, não só de Portugal, mas também do mundo, é tentar obter a máxima aprendizagem com ele, melhorar dia após dia, para depois aplicar tanto nos treinos como nos jogos. Sinto que estou a evoluir bem e trabalho muito forte para tentar ser cada vez melhor.

Tens a ambição de jogar num outro clube português ou até mesmo no estrangeiro?
O Braga/AAUM nos últimos anos tem estado em grande nível, “batendo o pé” aos grandes. Mas é claro que se eu procurar ser profissional ou tentar ter mais ajudas financeiras tem que ser no Benfica ou no Sporting. Sendo que o estrangeiro poderá também ser opção.

Tiveste que abdicar de muita coisa para conseguires chegar até à alta competição?
Claro que sim, mas faz parte desta vida. Visto que estou a morar em Braga e tenho sempre treinos e jogos, muitas vezes passo semanas sem conseguir ir ao Porto para ver a minha família, namorada e amigos.

Falando agora um pouco mais sobre futsal… Como nasceu essa paixão e porque não o futebol de 11?
Na altura houve um torneio de futsal em Gondomar, devia ter uns 10 anos, e um café resolveu fazer uma equipa onde estava a maior parte dos meus amigos da escola. Foi aí que me convidaram pela primeira vez e começou então a crescer esta paixão.

Sempre tiveste como ambição ser guarda-redes? Foi uma escolha natural?
Nem pensar, ninguém tem como sonho levar com bolas na cara, é preferível fazer golos [risos]. Comecei por jogar à frente, mas não tinha lá muito jeito. Até que uma vez faltou o guarda-redes no treino e como se costuma dizer “o gordo vai sempre para a baliza” [risos]. A partir daí comecei a gostar e a ver que se calhar tinha algum jeito para aquilo. Desde então nunca mais larguei os postes.

Sei que gostas que as outras pessoas te tratem por “Xot”. Queres falar-me um pouco mais sobre a origem dessa alcunha?
É uma alcunha um pouco estranha, mas fácil de explicar. Os meus avós paternos tinham a alcunha de “Xotas” e os meus amigos, num tom de brincadeira, começaram também a chamar-me isso. Só que diziam “Xot” e então desde miúdo que fiquei assim conhecido. Ainda hoje é assim que me tratam e é, inclusive, o nome que uso na camisola.

Entretanto já representante a seleção nacional mais jovem… Qual foi a sensação?
A seleção nacional é o expoente máximo na vida de um jogador, é uma sensação do outro mundo, inexplicável. Quando estás dentro do campo, antes de começar o jogo, e ouves o hino do teu país a tocar… É arrepiante e só tens o pensamento de quereres mostrar que o teu país é melhor do que todos os outros, por isso dás sempre o melhor de ti!

Tens algum ídolo dentro desta modalidade?
Claro, todos nós temos ídolos na vida. Os meus são dois guarda-redes: João Benedito e Luís Amado. Eram umas autênticas paredes na baliza. Tenho também uma grande admiração pelo meu companheiro Vítor Hugo, não só por ser um guarda-redes fantástico, mas também pela pessoa incrível que é.

Alguma vez jogaste por algum clube gondomarense?
Sim, fiz toda a minha formação em Gondomar até ir para Braga. Foram cerca de 8/9 anos a jogar no Gondomar Futsal.

O que achas da evolução do futsal em Portugal?
O futsal em Portugal tem evoluído de forma muito positiva em vários aspetos. O campeonato nacional está no top cinco europeu a nível de qualidade e competitividade, para além de que é uma prova cada vez melhor organizada. Na temporada passada tivemos a introdução da Taça da Liga, que é uma competição que acrescenta ainda mais desafio a nível interno e isso é sempre motivador para os atletas. Para além de que temos uma das melhores seleções do mundo, com o mágico Ricardinho como cabeça de cartaz.

Quais as expectativas do Braga/AAUM para esta época?
As expectativas do Braga/AAUM passam sempre por fazer melhor do que na época anterior. Neste clube entramos em todos os jogos para ganhar e trabalhamos diariamente para conseguir conquistar um troféu. Sendo assim, o terceiro lugar no Campeonato e chegar o mais longe possível, quer na Taça da Liga, quer na Taça de Portugal. E quem sabe talvez levantar um desses troféus.

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