Filipe Madureira: “Como embaixador da CED, tirei o ano de 2017 para o Município”

Entrevista Filipe Madureira - julho 2017

Filipe Madureira com a esposa, Cristina Silva / Foto: Direitos Reservados

Filipe Madureira, 42 anos, gondomarense e embaixador da Cidade Europeia do Desporto 2017, tem na paixão pelos ralis o maior hobby da sua vida. Ele que revelou ao Vivacidade os sacrifícios associados às corridas, assim como o sentimento de ver as filhas entregarem o prémio de campeã à sua mulher. 

Como surgiu esta paixão pelos ralis?
Iniciou-se há muitos anos. O meu pai tinha uma oficina de automóveis e a partir daí tudo começou de forma natural. É lógico que o meu pai quis sempre que eu estudasse, não queria que eu fosse para a competição automóvel. Tinha medo, esteve sempre contra. A minha mãe também nem quer falar sobre isso. Como eu costumo dizer, são uns sofredores [risos]. Em miúdo, cheguei a ir ver alguns ralis e sempre disse a mim mesmo que um dia iria ser eu a estar ali dentro do carro.

E em 1999, sagrou-se campeão nacional de ralis – Promoção. O que está por trás desse título?
Eu ainda não tinha grande noção de como funcionavam as coisas. Fiz uma classificativa com 40 graus de temperatura exterior e com pneus de chuva [risos]. Eu queria era estar ali. Foi o concretizar de um sonho. Mas fomos evoluindo, visto que resolvi falar com o Jorge Carvalho, um veterano das corridas, para ser o meu navegador. Muito daquilo que sei hoje devo-lhe a ele. Foi um grande mestre. Até que depois comprei o carro ao Miguel Rodrigues e ele veio comigo para nos sagrarmos campeões nacionais.

Arouca voltou a dar-lhe um título no ano passado. Desta feita regional. Foi uma prova muito dura?
Foi dura, mas nada que se compare aos ralis nacionais, onde perdemos sempre vinte fins de semana para fazer dez ralis. Desta forma abdiquei apenas de um fim de semana. Sendo que a super especial foi no sábado e as corridas no domingo. Eu participei com um Nissan Micra. Cheguei mesmo a perguntar: “mas então o Micra é um carro de treinos e nós vamos correr com isto?”. E assim foi. Andámos a discutir com o carro mais fraco do Campeonato X1 e tivemos o enorme mérito de o vencer. Deu-me um gozo especial ganhar, porque dou-me bem com os meus adversários, eles têm carros melhores e o meu principal concorrente tinha menos 20 anos do que eu. No entanto, a experiência aí talvez tenha jogado a meu favor. Fiquei muito orgulhoso da minha prestação.

O balanço dos seus 20 anos de carreira é positivo?
É muito positivo. Alguns colegas meus colocam o capacete, entram para o carro de corrida e parece que vão ser fuzilados. Ficam mesmo nervosos. Não consigo compreender. Eu gosto tanto daquilo, é o meu hobby, não chego a ficar nervoso. Alguns fazem melhores tempos a treinar do que a correr. Eu sempre levei isto muito na desportiva, talvez tenha sido esse o segredo.

Alguma vez foi abordado para se tornar piloto profissional?
Sim, isso chegou a acontecer. Contudo, não quis abandonar a minha empresa durante um ano para me dedicar a 100% às corridas. Sempre equacionei muito bem as coisas.

Qual a sensação de ficar em décimo lugar no Rali de Portugal, em 2003?
Foi o melhor ano da minha carreira. Estava confiante, as coisas corriam bem de forma natural e o décimo lugar no Rali de Portugal foi uma consequência disso mesmo. Ainda assim, o meu melhor Rali de sempre foi com o Miguel Rodrigues, o Rali Sopete. Participei com um Citroën Saxo, contra alguns Mitsubishi e Subaru. Que gozo me deu essa prova. Estava a andar muito e ia em sexto na geral. Até que tive um furo, onde perdi mais de cinco minutos. Tive muito azar aí, estava tudo a correr-me bem, mas as corridas são mesmo assim.

Como foi ser piloto de segurança no Rali de Gondomar?
Foi uma experiência positiva, ao lado do meu amigo Carlos Brás. Como embaixador da CED, tirei o ano de 2017 para o Município. Decidi que não iria correr de forma a estar mais disponível para os diversos eventos. Embora o carro continue a andar nas mãos da Cristina Silva, a minha esposa. Que por acaso até se sagrou campeã feminina de Ralis Norte.

Tem, por isso, muitos fins de semana ocupados com os ralis…
É verdade. E eu nem costumo levar as minhas filhas para os ralis, mas no último decidi levar e ainda bem que o fiz. Dado que vi o melhor pódio da minha vida. As minhas filhas a entregarem o prémio à minha mulher. Foi um momento único, valeu por todos os sacrifícios que fazemos em prol das corridas.

Como embaixador da CED, pensa que poderia fazer-se mais de forma a impulsionar esta vertente desportiva no concelho?
A vereadora Sandra Almeida está a fazer um trabalho fantástico. Só não consegue mais porque também não dá mesmo. Está muito motivada e empenhada, está a fazer um trabalho excecional com os recursos que tem à sua disposição. Julgo que melhor era impossível.

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