Fundação Júlio Resende evoca centenário do pintor

Centenário Júlio Resende - outubro 2017

A Fundação Júlio Resende está a assinalar o centenário do pintor / Foto: Arquivo Vivacidade

O Lugar do Desenho – Fundação Júlio Resende inaugurou, no dia 23 de outubro, dia em que o pintor completaria 100 anos, exposições evocativas do seu centenário (1917-2011), que estarão patentes em Gondomar e em Matosinhos.  

Sob o lema “Celebrar e repensar Júlio Resende (1917-2011) no centenário do seu nascimento”, a Fundação Júlio Resende tem patente uma exposição antológica, a linha do tempo e a obra pública do pintor natural do Porto, no Lugar do Desenho, em Valbom.

De acordo com a organização, “estão trabalhos situados entre os anos 40, momento em que Júlio deixou a Escola de Belas Artes do Porto, e o início da década de 80”, percorrendo um itinerário em que são “evidentes os diversos elementos plásticos, estéticos e culturais que definem uma produção diversa e coerente”.

“As obras selecionadas para a exposição correspondem a trabalhos emblemáticos do percurso de Júlio Resende e, simultaneamente, peças maiores da arte portuguesa, cedidos por colecionadores particulares e instituições nacionais”, acrescenta a nota.

Por sua vez, na Sala do Acervo da fundação, será revista a sua “longa obra, as grandes problemáticas da arte moderna e contemporânea – a autonomia da obra e a vocação social, o exercício académico e a expressão, a construção e a desconstrução do mundo, a densidade plástica e a fluidez da matéria”.

De Júlio Resende conhecem-se “50 encomendas de arte pública, produzidas entre 1952 e 2004, distribuídas por 31 trabalhos em cerâmica, seis a fresco, seis em vitral e sete noutras técnicas”, refere o comunicado da exposição.

Refira-se que a obra de Resende poderá também ser revisitada na Galeria Municipal de Matosinhos até 27 de janeiro.

“Queremos potenciar a nossa relação com Gondomar: o Município e os gondomarenses”
Ao Vivacidade, Vítor Neves Costa, presidente do Conselho de Administração do Lugar do Desenho – Fundação Júlio Resende, salienta o reforço da relação institucional entre a fundação e a Câmara Municipal de Gondomar.

Segundo o responsável, “neste momento existe uma grande sintonia entre a nossa instituição e a Câmara de Gondomar”. “A presença de um elemento do executivo, o vice-presidente, faz toda a diferença nesta relação. Pessoalmente, não concebia que isso não acontecesse, porque a envolvência das autoridades locais é de extrema importância para nós e queremos ser uma mais-valia para este concelho”, salienta o fundador da instituição.

No que diz respeito às comemorações, a aposta reside na “divulgação da produção artística do mestre Resende, que está a ser divulgada através de várias exposições”, afirma Vítor Neves Costa.

Mas será que Portugal esqueceu Resende? “Essa é uma excelente questão”, responde, sem esquecer que é necessário “colocar Resende no lugar em que ele merece estar”.

Confrontado com estas declarações, Luís Filipe Araújo, vice-presidente da Câmara de Gondomar, concorda que é necessário “reforçar a ligação que existe à instituição”. “Este é um ano muito importante para Resende e para Gondomar”, conclui.

Júlio Resende concluiu em 1945 a sua formação em pintura, na Escola de Belas Artes do Porto, onde seria docente entre 1958 e 1987, tendo realizado inúmeras exposições no país e no estrangeiro, iniciadas em 1934, com a participação em exposições coletivas, passando em 1943 a ter um trajeto individual.

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