“Fundadores” do CATL da “Villa Urbana” reencontraram-se 15 anos depois

Grupo de “Fundadores” em 2018 / Foto: Direitos Reservados

O Centro de Atividades de Tempos Livres (CATL) da “Villa Urbana” de Valbom, uma das unidades da Associação do Porto de Paralisia Cerebral, comemorou no passado dia 13 de outubro o seu 15.º aniversário de funcionamento. Em data festiva, e para recordar o passado e antever o futuro, foi realizado um encontro-convívio.

“CATL 15 anos depois”, foi a designação escolhida para a reunião de antigos clientes, colaboradores, voluntários e dirigentes da Associação do Porto de Paralisia Cerebral (APPC) por ocasião do aniversário do Centro de Atividades de Tempos Livres.

O encontro, realizado nas instalações da APPC Gondomar (“Villa Urbana”), contou com a presença de mais de 40 participantes – a maioria dos quais eram, há 15 anos, as primeiras crianças/clientes desta valência.

Para além do almoço, que serviu de aperitivo à partilha de muitas memórias, o dia foi marcado por inúmeros momentos de nostalgia. E, como realçou a primeira monitora do CATL da “Villa Urbana”, “amizade e cumplicidade” foram pontos que, 15 anos depois, continuaram presentes.

O CATL foi o primeiro serviço da “Villa Urbana” de Valbom dirigido (não exclusivamente) a pessoas sem Paralisia Cerebral. Há 15 anos, como ainda hoje, a APPC pretendia assumir uma postura inovadora e de abertura à comunidade local. “Pretendia-se ajudar a fazer a diferença”, disse ao Vivacidade, Rute Carvalho, Educadora Social da APPC que, há 15 anos, desempenhava funções no CATL. E pretendia, também, responder a uma escassez de respostas de tempos livres, na altura muito complicada para as famílias de Valbom.

A (então) nova valência da APPC começou algo titubeante. De início eram poucas as crianças a frequentar o CATL. Depois, de forma rápida e consistente, foram surgindo mais inscritos. “O CATL, quando abriu, pretendia valorizar mais as atividades de tempos livres do que a (mera) realização de trabalhos escolares”, destaca Rute Carvalho. Foi, prossegue a colaboradora da APPC, uma aposta na criatividade – “fosse pela arte da dança, do teatro ou das expressões plásticas”.

Então, como atualmente, o CATL “tinha princípios que nos guiavam e ainda guiam”. Por exemplo, cita Rute Carvalho, “a valorização no planeamento das atividades de tempos livres, a socialização, as aprendizagens grupais e o brincar de todas as crianças, em detrimento da  realização ‘clássica’ dos trabalhos escolares.

Naquela que é uma instituição que, primordialmente, direciona a sua intervenção para as pessoas com Paralisia Cerebral, de destacar que desde a criação do CATL da “Villa Urbana” que o objetivo era integrar todas as crianças. Com ou sem incapacidade(s).

Há que recordar que a “Villa Urbana” de Valbom sempre quis “ser” uma estrutura sem barreiras e integralmente aberta à comunidade local. “E este sonho, com muito trabalho e persistência, tornou-se realidade!”, indicar a técnica da APPC. Depois do CATL foram vários e novos serviços que a APPC implementou.

 “Hoje o CATL é diferente”, diz Rute Carvalho. A realidade é igualmente diferente, acrescenta, mas “a essência da magia de brincar, das oportunidades de participação, da persistência e do acreditar” ainda se mantém. Das crianças de há 15 anos há, agora, um grupo de jovens adultos – que trabalham, estudam ou fazem voluntariado.

Depois do encontro realizado em 2018, ficou a promessa (ou o compromisso…) de, todos os anos, o grupo voltar a reencontrar-se.

O reencontro dos fundadores do CATL
Pedro Ventura
“O CATL da “Villa Urbana” é diferente pois leva-nos a conviver diariamente com pessoas com deficiência. Seria uma pessoa totalmente diferente, pelo lado negativo, se não tivesse frequentado a APPC.”

Gabriela Pinto
“O facto da APPC ter como pilar a integração (para além da aceitação e compreensão da deficiência e da Paralisia Cerebral) fez com que ficasse muito mais interessada e sensível para estes tópicos. Ensinou-me a ser parte de uma ‘família maior’.”

Juliana Vaz
“Recordo-me, entre muitas outras coisas, da maneira bonita como se lidava, no dia-a-dia, com os restantes clientes e colaboradores da APPC. Todas as crianças deviam ter a oportunidade de crescer num ambiente assim.”

Sérgio Alves
“Aprendi muito. Tanto que, uns anos depois, fiz questão de voltar a esta casa como estagiário de animação sociocultural. A “Villa Urbana” sempre me acolheu de uma forma inolvidável.”

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