Guilhermino Monteiro dá a conhecer o lado pessoal do jovem Karl Marx

Guilhermino Monteiro e Daniel Vieira / Foto: Pedro Santos Ferreira

Guilhermino Monteiro, maestro da Banda Musical de Gondomar e professor de história, foi responsável por um trabalho inédito que divulgou, a propósito do bicentenário de Karl Marx, a relação do jovem filósofo com o seu pai. A história é contada através das cartas trocadas entre os dois.

Em setembro, o Sector Intelectual do Porto do Partido Comunista Português (SINTEL) reeditou a revista ‘Diagonal’, projeto dos anos 90, onde consta um trabalho sobre a relação entre o jovem Karl Marx e o seu pai.

A relação, agora contada pela autoria de Guilhermino Monteiro baseou-se num conjunto de cartas trocadas entre ambos e deu origem a um texto inédito que explora um “lado menos conhecido de Marx”, através de cartas que não estavam traduzidas para português.

“Neste trabalho procurei lançar uma nova luz sobre a vida e obra de Karl Marx, personalidade que estudo há mais de 40 anos. Traduzi estas cartas há cinco anos e, finalmente, tive oportunidade de publicar este trabalho”, começa por dizer Guilhermino Monteiro.

O professor de história mostra-se fascinado pela obra do filósofo, sociólogo, jornalista e revolucionário socialista que viveu entre 1818 e 1883. A paixão por Marx começou antes do 25 de abril de 1974, quando era estudante universitário e foi alertado para a obra marxista por um colega de filosofia.

“Aquilo interessou-me e fui descobrir mais sobre o homem nascido na Prússia”, recorda ao nosso jornal. Desde então, são inúmeros os livros, filmes, conferências e sessões sobre Karl Marx que visitou e revisitou.

“Tenho uma biblioteca vasta sobre Marx, mas confesso que existe alguma dificuldade em encontrar novos trabalhos dele em Portugal. Neste trabalho servi-me das cartas que o jovem Marx trocou com o pai, que nos permitem ter acesso a parte do pensamento que nele surgia. Além disso, percebe-se que ele não respondia ao pai com grande regularidade, mas muitas cartas também não chegaram até nós”, acrescenta.

O pai, Heinrich Marx, advogado de prestígio e extremamente culto, aconselha, numa das missivas, o jovem Marx, com 25 anos, a procurar um caminho “de preferência na área intelectual”. “Chega, inclusivamente, a aconselhá-lo a tentar ser professor na universidade onde era aluno e desaconselha-o a ser poeta, numa fase em que ele ainda procurava a melhor forma de intervir na sociedade, entre tantas possibilidades: escrita, teatro, jornalismo, música… Fica a ideia que Marx não conseguia conter em si aquele pensamento tão efervescente. Consegue-o, mais tarde, através do jornalismo. Marx iria escrever o Manifesto Comunista cinco anos depois”, faz notar Guilhermino Monteiro.

Ao Vivacidade, o maestro mostra-se agora disponível para continuar a explorar a vida de outras personalidades históricas na sua colaboração com a revista ‘Diagonal’.

Daniel Vieira é responsável pela segunda vida da revista “Diagonal”
O gondomarense Daniel Vieira está na génese desta “segunda vida” da revista “Diagonal”. A publicação é um dos instrumentos do Sector Intelectual do Porto do Partido Comunista Português e foi apresentada, no mês passado, na Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto.

Ao Vivacidade, o coordenador da revista mostra-se satisfeito com a adesão que a primeira edição está a gerar e não descarta a hipótese de a reeditar.

“Na qualidade de militante do PCP e de responsável pelo Sector Intelectual do Porto, fiz parte do grupo de trabalho que coordenou esta reedição. O nosso objetivo passou por dar expressão às três efemérides que evocamos neste número: o bicentenário de Karl Marx e os centenários de duas importantes figuras do Porto, Armando Castro e Papiniano Carlos.

“Esta segunda vida da ‘Diagonal’ corresponde ao retomar de uma ideia dos anos 90. Era um boletim de divulgação cultural e literária, impulsionado por Óscar Lopes. Ainda nos anos 90, transforma-se numa publicação com vários contributos de gente muito diversificada. Vinte e um anos depois da última edição, decidimos retomar o projeto”, explica o também vereador da CDU na Câmara Municipal de Gondomar.

No próximo ano, o SINTEL quer lançar uma edição digital da “Diagonal”, editar um novo número em papel e estimular sessões, debates e conferências em torno da publicação. “Em suma, queremos dar o contributo público que por vezes escasseia”, conclui o autarca.

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